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Porto Alegre, quinta-feira, 06 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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perspectivas

Edição impressa de 06/12/2018. Alterada em 06/12 às 01h00min

Fecomércio-RS quer 'choque de capitalismo' em 2019

Reformas são essenciais para equilibrar gastos públicos, disse Bohn

Reformas são essenciais para equilibrar gastos públicos, disse Bohn


/LUIZA PRADO/JC
Adriana Lampert

Defendendo o pensamento econômico-social do regime de governo que o presidente eleito Jair Bolsonaro promete praticar a partir de sua posse, a diretoria da Fecomércio-RS afirmou, em coletiva de balanço do ano, que o Brasil terá o desafio de crescer rapidamente e gerar mais empregos em 2019. Para tanto, o caminho será apostar em um cenário de "mais capitalismo e menos amarras", puxado por privatizações, concessões, abertura comercial e, principalmente, a aprovação das reformas da Previdência e tributária, segundo listaram os representantes da entidade.

"Torço para que, a partir de janeiro, tenhamos um ministro da Justiça implacável no combate à corrupção e um ministro da Fazenda que promova um efetivo choque de capitalismo na economia nacional", discursou o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn. "Precisamos enfrentar aquilo que estruturalmente aumenta o gasto público e o que cria empecilho ao crescimento", destacou o dirigente. Ele frisou que, em 2019, a diretoria da entidade irá percorrer o Rio Grande do Sul em busca de apoio às medidas do novo governo. "A sociedade brasileira precisa entender que não podemos mais conviver com um sistema previdenciário estruturalmente deficitário. Isso repercute cotidianamente na nossa vida, e, se não fizermos nada, a situação será insustentável."

Bohn lembrou que somente a geração de empregos irá permitir que as pessoas tenham renda para fazer a economia girar no decorrer do ano que vem. "O mercado comprou a eleição federal, portanto, há uma crença de que o presidente eleito vai ter condições de promover maior liberdade econômica." Segundo o dirigente, a recessão acabou e "espera-se, com o novo governo, a implementação de uma agenda de promoção do crescimento sustentável".

No Estado, a entidade defende medidas como o congelamento do salário de funcionários públicos de todos os Três Poderes, além da privatização de Banrisul, CEEE, Sulgás, EGR e CRM. "Entendemos que não haverá regime de recuperação fiscal se o banco não entrar na negociação, e isso representaria o caos", justificou Bohn, pontuando que tem consciência de que a venda do Banrisul não está na pauta do governador eleito Eduardo Leite.

Bohn destacou que, ao longo de 2018, a Fecomércio-RS protagonizou o avanço de uma das principais pautas de reivindicação das empresas gaúchas: a cobrança do Imposto de Fronteira, conhecido como Difa (Diferencial de Alíquotas de ICMS). Ele avaliou que o resultado da votação da ação que envolve o tema, em novembro, no Supremo Tribunal Federal (STF), "renovou as esperanças de vitória". "Por enquanto, estamos dando de goleada: 4x1 em favor do contribuinte." O texto se encontra em aberto devido a um pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes.

Ao avaliar o cenário econômico e o desempenho do setor no decorrer de 2018, o economista da Fecomércio-RS, Marcelo Portugal, lembrou que uma série de acontecimentos - a exemplo da greve dos caminhoneiros, da Copa do Mundo e das eleições para os Poderes Executivos e Legislativos, além da alta do dólar - compuseram um cenário de instabilidades políticas e econômicas que influenciaram nas vendas do comércio e na melhoria de demanda dos serviços.

Economista estima que juros permanecerão baixos

O economista da Fecomércio-RS, Marcelo Portugal, lembrou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) projetado para o Brasil no final de 2019 é de 2,8%, igual ao verificado em 2018. No Rio Grande do Sul, a projeção fica abaixo da expectativa nacional, com crescimento esperado de 2,1%. "No Estado, será preciso um compromisso com uma agenda de crescimento econômico que, entre outras coisas, priorize a melhoria da infraestrutura logística e de um ataque ao problema fiscal na sua origem: a despesa do setor público", disse o especialista. Para o ano que vem, as perspectivas da entidade são positivas. O economista projeta que os juros continuarão baixos, com a Selic a 7% ao ano, e o câmbio, estável, com o dólar a R$ 3,88 para o final de 2019.
"Ainda estamos 5% mais pobres (tendo deixado de gerar R$ 330 bilhões de PIB) se compararmos os patamares de 2014", ponderou Portugal. Ele avalia que ainda é preciso que outros segmentos além dos que vendem produtos de necessidade básica (como supermercados e farmácia) melhorem o desempenho de vendas, para impulsionar o emprego e a renda no Estado. O economista disse que, considerando a confiança dos consumidores e dos empresários, que aumentou após as eleições, as chances dos negócios melhorarem são grandes.
 
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