Porto Alegre, sexta-feira, 13 de março de 2020.

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Contas Públicas

Notícia da edição impressa de 29/11/2018. Alterada em 29/11 às 12h56min

Venda do Banrisul é crucial para sair acordo da dívida

Governo do Estado negou declarações do Ministério da Fazenda

Governo do Estado negou declarações do Ministério da Fazenda


/ANA PAULA APRATO/ARQUIVO/JC
Thiago Copetti
Ao afirmar que Rio Grande do Sul só não ingressou ainda no plano de recuperação fiscal da União por não colocar o Banrisul na mesa de negociações, a secretária-executiva do Ministério da Fazenda, Ana Paula Vescovi, esquentou os ânimos no Estado. E também a cotação das ações do banco gaúcho na Bolsa de Valores. A declaração, feita na manhã desta quarta-feira (28) em entrevista à Rádio Gaúcha, desagradou o governador José Ivo Sartori. Além de colocar em xeque antigas declarações de Sartori, de que não havia tal exigência para o acordo, Ana Paula imprimiu, indiretamente, certa pressão no futuro governador, Eduardo Leite (PSDB), para que aceite a imposição.
Ao afirmar que Rio Grande do Sul só não ingressou ainda no plano de recuperação fiscal da União por não colocar o Banrisul na mesa de negociações, a secretária-executiva do Ministério da Fazenda, Ana Paula Vescovi, esquentou os ânimos no Estado. E também a cotação das ações do banco gaúcho na Bolsa de Valores. A declaração, feita na manhã desta quarta-feira (28) em entrevista à Rádio Gaúcha, desagradou o governador José Ivo Sartori. Além de colocar em xeque antigas declarações de Sartori, de que não havia tal exigência para o acordo, Ana Paula imprimiu, indiretamente, certa pressão no futuro governador, Eduardo Leite (PSDB), para que aceite a imposição.
O governo gaúcho sempre afirmou que a privatização do Banrisul nunca foi uma exigência para o acordo do regime de recuperação fiscal, o que agora teria ficado sob suspeita com a declaração de Ana Paula Vescovi. Procurada pelo Jornal do Comércio para falar sobre o caso, a assessoria de comunicação do Ministério da Fazenda informou que Ana Paula não poderia comentar o assunto por estar participando de um evento no momento do pedido de entrevista. Mas a pasta confirma o posicionamento declarado pela secretária-executiva sobre as razões para o atraso na assinatura do acordo gaúcho.
Ontem, pelo Twitter, Sartori publicou diferentes posts comentando o fato e negando que a privatização do Banrisul fosse uma obrigação imposta pelo governo federal. "É compreensível que agentes do Tesouro Nacional tivessem esse desejo, porém nunca dei qualquer margem para essa possibilidade. E, mesmo assim, as negociações prosseguiram", escreveu o governador na plataforma de mensagens instantâneas.
Sartori afirmou, também que o processo todo exigiu mais de 90 viagens a Brasília e que se o Estado já tivesse privatizado a CEEE, a Sulgás e a Companhia Riograndense de Mineração, como proposto, as negociações teriam evoluído muito. "Não há nenhuma novidade, nem contradição, que tenha mudado esse caminho", disse Sartori.
Se depender das atuais posições do futuro governador, o acordo deve seguir emperrado. Leite diz que o que estaria impedindo o acerto entre Estado e União, principalmente, é o alto comprometimento da folha de pagamento. Enquanto o Estado afirma que o comprometimento é de 56%, de acordo com o Tesouro Nacional seria de mais de 70%. "Isso é que tem que ser resolvido primeiro. Somente passada essa etapa, as ações e privatizações deverão ser consideradas", afirma Leite, mantendo a posição de que é possível fazer o acordo sem que o governo se desfaça do Banrisul.
Independentemente do futuro, empresas e investidores do mercado de capitais viram na afirmação de Ana Paula um bom sinal. A cotação das ações do banco subiram 4,63% ontem, acima do Ibovespa (1,3%) e de grandes bancos, como Itaú (1,99%) e Bradesco (1,81%). "As declarações foram feitas ainda no início da manhã, então é certo que esse foi o fator da alta tão expressiva nas ações, que alcançaram R$ 21,69, marca histórica", avalia um operador do mercado, que prefere não se identificar.