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Porto Alegre, terça-feira, 27 de novembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Economia

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Trabalho

Edição impressa de 27/11/2018. Alterada em 27/11 às 01h00min

Salários no Brasil subiram acima da média mundial

Recuperação nos rendimentos pagos foi a primeira desde 2013

Recuperação nos rendimentos pagos foi a primeira desde 2013


MARCELLO CASAL JR/MARCELLO CASAL JR/ABR/JC
Os salários no Brasil voltaram a dar sinais de recuperação e subiram acima da taxa da média mundial em 2017. Mas, em 2018, os primeiros sinais apontam a perda de força nessa recuperação. Os dados foram publicados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo o levantamento, o aumento do salário real no Brasil foi de 2,3% em 2017, contra uma média mundial de apenas 1,8%.
A OIT destaca que a recuperação dos salários no País foi a primeira desde 2013. Em 2014, a alta havia sido apenas 1,1%, contra uma retração de 0,3% em 2015 e mais uma queda de 1,9% em 2016. Parte do crescimento ocorreu por partir de bases mais baixas. Mas, ainda assim, a alta foi considerada positiva pela entidade.
Em valores, a renda média era de R$ 2.121,00 em 2017 contra R$ 2.004,00 em 2016, R$ 1.878,00 em 2015 e R$ 1.728,00 em 2014. Em dez anos, se os salários na China dobraram, no Brasil o crescimento foi de apenas 20%. Arábia Saudita, Índia, Indonésia e Turquia também registraram aumentos de mais de 50% desde 2008.
Rosalia Vasquez, autora do levantamento da OIT, alerta que o crescimento de salários no Brasil "é apenas uma recuperação pequena". "Não é realmente uma mudança significativa. Temos de ver primeiro o que vai ocorrer, já que há incertezas", alertou. Segundo ela, a incerteza é, acima de tudo, em termos de dados e a disparidade de renda continua elevada.
Mesmo assim, em seu informe, a OIT destaca que "o Brasil experimentou um crescimento positivo de salários a partir de 2016 e depois de uma fase de praticamente zero crescimento no período entre 2012 e 2016, com um crescimento negativo em 2015 e 2016". Na América Latina, o crescimento de salários foi de apenas 1%.
Os dados do Brasil contrastam com o restante do mundo. Em média, os salários reais subiram apenas 1,8% em 2017 no mundo, contra uma taxa de 2,4% em 2016. Entre as economias do G-20, a expansão foi de apenas 0,4% no ano passado. Em 2016, o aumento havia sido de 0,9%.
Entre os países emergentes do G-20, porém, o aumento dos salários foi de 4,3%, abaixo dos últimos anos. Em 2016, a taxa chegou a quase 5%.
Para o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, não faz sentido ter hoje uma estagnação nos salários nos países ricos, enquanto o desemprego está em queda e as economias crescem. "Os indícios apontam que isso deve continuar no mesmo ritmo em 2018. Estamos ainda vivendo incertezas", alertou. "Tais salários estagnados são obstáculos ao crescimento da economia e à melhoria de padrões de vida", disse.
"Esse foi o crescimento de salário mais baixo desde 2008, quando começou a crise financeira", disse. "Essa é uma tendência preocupante", alertou Ryder.
Na Europa, os dados apresentam uma estagnação dos salários, contra aumento de apenas 0,7% nos EUA, afetado pela inflação. Em 2015, a economia americana registrava um incremento de 2,2%.
De acordo com a OIT, salários reais praticamente triplicaram nos países emergentes nos últimos 20 anos. Entre os países ricos, o aumento nesse mesmo período foi de apenas 9%.
 

Desigualdade de renda entre gêneros se mantém

O que preocupa a Organização Internacional do Trabalho (OIT) ainda é a disparidade de renda entre homens e mulheres. Segundo o levantamento da entidade, mulheres continuam recebendo cerca de 20,5% a menos que os homens, pelos mesmos trabalhos efetuados. No Brasil, a disparidade é de 20,1%, em linha com a média mundial.

"Essa é uma das maiores manifestações da injustiça social e todos os países devem entender que algo deve ser feito para acelerar uma igualdade de gênero", disse Ryder.

Entre os países ricos, a maior diferença entre mulheres e homens está na camada mais elevada dos salários. Nos países em desenvolvimento, é nos mais pobres que se vê a diferença mais profunda. Esse é, segundo a OIT, o caso do Brasil.

O que a OIT também destaca é que existe uma "penalidade" em termos salariais para mães que têm filhos. No Brasil, essas mulheres têm um aumento de diferença de salários de 7% na comparação com as que não têm. Entre os homens, aqueles com filhos têm um "prêmio" de 7% em renda.

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