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ENERGIA

Notícia da edição impressa de 21/11/2018. Alterada em 21/11 às 01h00min

Brasil já tem produção de energia eólica equivalente a uma Itaipu

País conta, atualmente, com 568 parques eólicos, em 12 estados

País conta, atualmente, com 568 parques eólicos, em 12 estados


/SPENCER PLATT/GETTY IMAGES/AFP/JC

A energia eólica ultrapassou a marca de 14,34 GW (gigawatts) de capacidade instalada no Brasil, patamar equivalente a uma usina de Itaipu - a segunda maior hidrelétrica do mundo.

A energia eólica ultrapassou a marca de 14,34 GW (gigawatts) de capacidade instalada no Brasil, patamar equivalente a uma usina de Itaipu - a segunda maior hidrelétrica do mundo.

Ao todo, são 568 parques eólicos, em 12 estados do País. A energia gerada nos últimos 12 meses é suficiente para abastecer 25 milhões de residências por mês, ou cerca de 75 milhões de brasileiros, segundo dados da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica).

A fonte tem vivido um crescimento exponencial no Brasil desde 2009, estimulada por leilões promovidos pelo governo federal para contratar novos empreendimentos.

A expansão deve continuar. Contando os empreendimentos contratados nos últimos leilões promovidos pelo governo, a projeção é que, até 2024, a energia eólica atinja, ao menos, 18,8 GW de capacidade instalada.

"No ano que vem, vamos atingir a segunda posição na matriz elétrica brasileira. Em janeiro, vamos alcançar uma participação maior do que a das usinas a biomassa, que hoje é a segunda maior fonte atrás das hidrelétricas", afirma Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica.

"A expansão eólica no Brasil é um caso de sucesso. Há 10 anos, havia poucos investidores; hoje, todas as grandes empresas têm investimentos em usinas eólicas", afirma Thais Prandini, diretora executiva da consultoria Thymos.

No entanto, para além da comemoração, a marca também acende um alerta. O motivo é a característica variável das usinas eólicas, cuja geração depende do regime de ventos, que não são constantes.

Em setembro, nos dados mais recentes da ONS (Operadora Nacional do Sistema Elétrico), a geração das usinas eólicas chegou a responder por 13,98% de toda a energia gerada no sistema, um patamar recorde. No entanto, nesse mesmo mês, a fonte chegou a ocupar a parcela mínima de 1,1% na geração nacional.

"Chegou o momento de se discutir mais formas de garantir a segurança energética do País", diz Elbia.

O problema não é novo, aponta a consultoria PSR. A necessidade de um suprimento de energia que garanta o abastecimento tem sido um dos assuntos mais debatidos nos últimos anos, segundo o último relatório da empresa especializada em setor elétrico.

A questão se agravou a partir do momento em que o País deixou de construir hidrelétricas sem reservatório - obras com impacto socioambiental bem maior do que as chamadas usinas a fio d'água, que estão mais sujeitas à escassez de água.

O avanço de fontes como a eólica e a solar, cuja geração também sofre variações ao longo do dia ou do ano, é outro fator cada vez mais relevante para o problema.

As soluções possíveis para essa questão são diversas e, hoje, são alvo de discussões acaloradas entre representantes do setor elétrico.

"Uma solução seria fazer projetos híbridos, com usinas com mais de uma fonte de energia. Ou até mesmo pensar em baterias, que, hoje, ainda não são viáveis economicamente, mas que são uma tecnologia importante", diz Thais.

A PSR também aponta soluções possíveis, como alterar a operação das hidrelétricas para manter os reservatórios cheios, utilizar usinas térmicas para atender ao consumo em horários de ponta, entre outras.

Hoje, a principal proposta na mesa de discussão é a realização de leilões regionais para contratar usinas térmicas movidas a gás natural. O Ministério de Minas e Energia abriu uma consulta pública, no fim de outubro, para debater a proposta, que é bastante controversa no setor.

Para a PSR, a proposta não resolve o problema por falhas na estruturação do leilão, que estaria gerando um custo adicional ao consumidor de energia sem necessidade.