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Conjuntura Internacional

Notícia da edição impressa de 16/11/2018. Alterada em 16/11 às 01h00min

Senado argentino aprova orçamento para 2019

Votação durou 14 horas e terminou na madrugada de quinta-feira

Votação durou 14 horas e terminou na madrugada de quinta-feira


/JOSE ROMERO/AFP/JC
Após 14 horas de debates, o Senado argentino aprovou na madrugada desta quinta-feira o orçamento de 2019, que prevê zerar o déficit fiscal no ano que vem - promessa feita pelo governo do presidente Mauricio Macri ao Fundo Monetário Internacional (FMI), em troca de uma linha de crédito stand-by de US$ 56,3 bilhões.
Após 14 horas de debates, o Senado argentino aprovou na madrugada desta quinta-feira o orçamento de 2019, que prevê zerar o déficit fiscal no ano que vem - promessa feita pelo governo do presidente Mauricio Macri ao Fundo Monetário Internacional (FMI), em troca de uma linha de crédito stand-by de US$ 56,3 bilhões.
O dinheiro será liberado aos poucos, na medida em que o país cumpra as metas estabelecidas e gaste apenas o que arrecada. O orçamento, já aprovado pela Câmara dos Deputados, foi ratificado no Senado por 45 votos favoráveis, 24 contra e uma abstenção. Segundo o ministro da Fazenda, Nicolas Dujovne, a Argentina jamais fez "um ajuste dessa magnitude, sem que o governo caia". Os cortes aprovados serão aplicados em 2019, justamente no ano em que o país realiza eleições gerais e que Macri disputa a reeleição.
Outra promessa de Macri, feita aos eleitores e também ao FMI, é baixar a inflação, algo que não conseguiu fazer em seus quase três anos de governo. No orçamento, o governo prevê uma inflação de 34,8% para este ano, mas empresas de consultoria privada estimam que o custo de vida deve superar os 40%. O compromisso é reduzir o custo de vida para 23% em 2019.
A Argentina se viu obrigada a buscar apoio do FMI, pela primeira vez em 13 anos, para fazer frente a duas corridas cambiais, em maio e agosto.
Desde o início do ano, o peso argentino perdeu metade de seu valor e a economia está encolhendo. Partidos opositores, organizações sociais e sindicatos protestaram contra a aprovação do orçamento de 2019.
"O governo endividou o país, os preços aumentam a cada dia e os salários não acompanham", disse Juan Carlos Etcheverry, professor de matemática. "Macri assumiu prometendo atrair investimentos e combater a pobreza, mas um terço dos argentinos continua sendo pobre, criticou Etchverry.
O senador Julio Cobos, da União Cívica Radical (UCR), aliado do governo, admitiu que o nível de pobreza não abaixou, mas, segundo ele, a Argentina não tem outra opção a não ser cortar gastos se quiser romper o ciclo histórico de inflação alta.
"A última vez que a Argentina teve uma inflação anual de um dígito foi em 2004", lembrou Cobos. "Nossa inflação é altíssima, comparada aos países vizinhos: Brasil, Chile e Paraguai. Dessa forma, jamais atrairemos investimentos."
Grupos sociais e militantes do kirchnerismo e de partidos de esquerda protestaram fora do Senado com cartazes de "não ao ajuste" e "fora Macri", além de aludir que os cortes no orçamento tornariam impossível que os argentinos chegassem ao fim do mês, com a retirada de subsídios, principalmente ao transporte, e com a inflação em alta (possivelmente chegará a 40% ou a 50%, segundo consultoras independentes).