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SAÚDE

Notícia da edição impressa de 14/11/2018. Alterada em 14/11 às 01h00min

Gasto diário com saúde por pessoa é de R$ 3,48

Demanda pelo SUS pressiona cada vez mais os custos das prefeituras

Demanda pelo SUS pressiona cada vez mais os custos das prefeituras


/Claiton Dornelles/JC
Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) revela que o Brasil gasta R$ 3,48 per capita por dia para cobrir as despesas com saúde de seus mais de 207 milhões de habitantes. O valor, segundo o estudo, inclui ações e serviços prestados pelo governo em seus três níveis de gestão - federal, estadual e municipal - ao longo da última década.
Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) revela que o Brasil gasta R$ 3,48 per capita por dia para cobrir as despesas com saúde de seus mais de 207 milhões de habitantes. O valor, segundo o estudo, inclui ações e serviços prestados pelo governo em seus três níveis de gestão - federal, estadual e municipal - ao longo da última década.
De acordo com o CFM, a quantia é resultado de uma análise detalhada de informações disponíveis e relativas às contas públicas do segmento em 2017. Os cálculos, a partir de dados oficiais, apontam, ainda, que, nesse mesmo ano, o gasto por habitante com saúde em todo o País foi de R$ 1.271,65.
De 2008 a 2017, os gastos públicos per capita com a saúde no Brasil não tiveram reajustes que superassem os valores de reposição previstos no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o principal indicador de inflação no Brasil e que, no período, subiu cerca de 80%.
Mesmo tendo ganhos médios de 3% ao ano nesse intervalo de 10 anos, resultando em um acumulado de 26%, a perda do gasto per capita comparado ao medidor inflacionário chega a quase 42%. Caso os valores tivessem sido corrigidos pelo IPCA a partir de 2008, o gasto anual por pessoa, que, em 2017, foi de R$ 1.271,35, seria ampliado para R$ 1,8 mil.
O CFM também comparou a evolução do gasto per capita com ações e serviços de saúde com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acumulou aumento de 80% no período. Já o Índice do Custo de Vida, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (ICV-Dieese), subiu quase 83%.
Apesar do gasto médio anual per capita com saúde no País ser de R$ 1.271,65, entre os 26 estados federativos, esse valor varia de R$ 703,67, no Pará; a R$ 1.771,13, em Roraima. Outros três estados também tiveram valores per capita acima da média nacional: Mato Grosso do Sul (R$ 1.496,13), Tocantins (R$ 1.489,18) e Acre (R$ 1.306,91).
Já estados com alta densidade populacional e índices elevados de desenvolvimento econômico apresentaram índices menores, como Mato Grosso (R$ 1.243,84), São Paulo (R$ 1.235,15), Rio Grande do Sul (R$ 1.207,13), Rio de Janeiro (R$ 1.194,19), Paraná (R$ 1.129.36) e Minas Gerais (R$ 1.011,21).
Ainda segundo a pesquisa, a demanda pelos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) tem pressionado cada vez mais as despesas dos municípios com saúde, sobretudo nas capitais, que ocupam posição de referência no acesso aos serviços assistenciais, em todos os níveis de complexidade.
Nos últimos 10 anos, só as despesas das capitais com recursos próprios, por exemplo, aumentaram 55%, passando de R$ 14,1 bilhões, em 2008, para R$ 21,9 bilhões em 2017. No ranking, o destaque positivo é Campo Grande, com um valor correspondente a R$ 686,56 per capita ao ano. Na sequência, aparecem São Paulo, com R$ 656,91; Teresina, que dispensa R$ 590,71; Vitória, com R$ 547,00; e Rio de Janeiro, com R$ 533,92.
Para o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), os números apresentados pelo levantamento são prova contundente da "insuficiência" e da "incapacidade" do Estado, ao longo da última década, de fornecer as respostas necessárias para o setor. "Apontam para um genocídio", disse.
O presidente da Federação Nacional dos Médicos, Jorge Darze, reforçou a tese, citando a situação "crítica" e "paradoxal" da saúde, definida pela Constituição como um direito da população e um dever do Estado. "Temos, hoje, um quadro genocida", avaliou. "Muitas pessoas têm perdido a vida precocemente sem ter tido a chance de conseguir tratamento", completou.
O presidente do CFM, Carlos Vital, disse esperar que Emenda do Teto dos Gastos, que limita o aumento das despesas públicas durante 20 anos, seja revista pelo novo governo. Ele também criticou a indicação de ministros para a pasta da saúde com base em "questões políticas" e defendeu que a nomeação se dê sob outra ótica. "Os médicos ficariam muito satisfeitos com um médico na saúde", concluiu.
 

Ministério diz desconhecer método utilizado pelo CFM no levantamento

O Ministério da Saúde desconhece o método usado pelo CFM para o cálculo de gastos per capita em saúde. Em 2017, os gastos públicos em ações e serviços públicos de saúde registraram uma despesa per capita de R$ 1.320,48, alta de 119% em relação a 2008, quando foi aplicado R$ 602,10. "Ou seja, acima da inflação do período (80%)", diz o ministério.

A pasta garante cumprir o estabelecido pela Constituição Federal, garantindo valores acima do piso constitucional de 15% da receita corrente líquida do governo federal acrescido da inflação. Neste ano, a aplicação mínima da União em ações e serviços públicos de saúde deve chegar a R$ 117,9 bilhões - R$ 5,5 bilhões a mais do que determinado pela lei.

"Desde 2000, emendas constitucionais garantiram a reposição do Orçamento Federal para a saúde crescente e acima da inflação. Em 10 anos, os valores executados do orçamento da pasta cresceram 133%, passando de R$ 54,1 bilhões, em 2008, para R$ 126,1 bilhões, em 2017, sendo a inflação do período de cerca de 80%. Neste ano, o orçamento da pasta está na ordem de R$ 131 bilhões", diz a nota.