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Porto Alegre, quarta-feira, 26 de setembro de 2018.
Dia Nacional dos Surdos.

Jornal do Comércio

Economia

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Política monetária

Edição impressa de 26/09/2018. Alterada em 26/09 às 01h00min

Ata do Copom reforça chance de alta de juros

Nível de repasse de preços, mesmo com alta do dólar, está estável

Nível de repasse de preços, mesmo com alta do dólar, está estável


/JCOMP/FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC

Sem citar diretamente as incertezas ligadas à eleição presidencial, o Banco Central (BC) deixou claro ontem que cresceu o risco de as reformas econômicas não caminharem no Brasil. Na ata do encontro da semana passada, quando manteve a Selic (a taxa básica de juros) em 6,50% ao ano, os dirigentes da instituição também viram risco maior para o País em função da piora do cenário externo.

Os diretores do BC afirmaram que a alta do dólar e a greve dos caminhoneiros ajudaram a inflação a subir mas ressaltaram que isso não traz risco de descontrole de preços. No entanto, apontam para um risco de elevação da inflação caso as reformas não sejam aprovadas no próximo ano. Para economistas do mercado financeiro, o BC indicou que está pronto para subir os juros se for necessário.

A ata publicada ontem trouxe os detalhes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado lembrou que a Selic, que está em 6,50% ao ano desde março, tem estimulado a economia. No entanto, os dirigentes afirmaram que a taxa começará a subir, de forma gradual, se o cenário para a inflação piorar. "Esse estímulo deve ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora", disse o Copom.

Uma das principais preocupações é o andamento das reformas, em especial a da Previdência. A visão do BC - e também do mercado financeiro - é de que, sem elas, não é possível manter a inflação baixa, a Selic em patamares menores e a recuperação da economia. O problema é que, no atual cenário eleitoral, não é possível garantir que as reformas vão avançar. Entre os candidatos mais bem colocados nas pesquisas, há quem não deixe claro o comprometimento com as reformas.

Para piorar, a alta de juros norte-americana e a guerra comercial entre EUA e China pioraram o ambiente internacional. Para o BC, houve uma queda do apetite dos investidores por países emergentes, como o Brasil. A conclusão do Copom é de que os riscos ligados às reformas e ao exterior cresceram.

"Parece que o Copom está preparado para subir a Selic se o balanço de riscos piorar mais", avaliou o economista-sênior do Haitong Banco de Investimentos do Brasil, Flávio Serrano. "Vemos possibilidade de alta este ano, a depender da evolução do cenário. Por ora, mantemos a expectativa de manutenção da Selic até o final de 2018", acrescentou.

O próximo encontro do colegiado vai ocorrer já após o segundo turno da eleição, em 30 e 31 de outubro, com o novo presidente eleito.

Para o economista-chefe da MCM Consultores, Mauro Schneider, apesar de a ata abordar o cenário externo, "do ponto de vista de relevância, as reformas ganham de longe e são o aspecto mais importante para a política monetária". Segundo Schneider, a ata confirmou que a alta de juros pode começar em breve.

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