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Porto Alegre, segunda-feira, 17 de setembro de 2018.
Dia do Transportador Rodoviário de Carga.

Jornal do Comércio

Economia

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Varejo

Edição impressa de 17/09/2018. Alterada em 16/09 às 21h32min

Tradicionalismo de ocasião impulsiona vendas do varejo

Crianças são as maiores consumidoras de vestimentas tradicionalistas nesta época do ano

Crianças são as maiores consumidoras de vestimentas tradicionalistas nesta época do ano


/LUIZA PRADO/JC
Adriana Lampert
Figuras polêmicas entre os tradicionalistas, os setembrinos (apelido dado às pessoas que se pilcham somente durante a Semana Farroupilha) têm garantido o bom movimento do caixa de empresas que vendem indumentária gaudéria em Porto Alegre. De acordo com o proprietário da loja Casa do Peão, Arnaldo Cesar Gomes de Souza, apesar de estar em queda há três anos, a demanda por bombachas, cintos, guaiacas, chapéus, lenços, botas, alpargatas e saias de campeiras sempre aquece em setembro.
"Neste mês, as vendas triplicam em relação ao resto do ano", garante. Apesar da grande procura, Souza afirma que não conta com crescimento do faturamento frente à 2017. "A crise está atrapalhando, o movimento começou no dia 6 de setembro, e as lojas estão lotadas, mas, depois que ocorrem os festejos, volta à normalidade."
Trabalhando no ramo há 22 anos, o proprietário da Casa do Peão destaca que o segmento é muito sazonal. "Isso talvez explique porque temos tão poucas lojas do gênero em Porto Alegre - este é um comércio que vive de quatro meses (no inverno), porque, passada a Semana Farroupilha, a procura diminui bastante." Entre os tradicionalistas, a figura do setembrino, que se envolve com a temática gaudéria apenas durante esta época, gera divergência de opiniões - muitos rejeitam, outros valorizam muito. "É importante divulgar a nossa cultura e tradição, desde que seja da forma correta. Esta referência é boa, e setembro é um mês relevante para a sociedade gaúcha", afirma o presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Nairo Callegaro.
Neste sentido, durante a Semana Farroupilha (de 13 a 20 de setembro), as escolas se responsabilizam por colaborar com o boom do tradicionalismo. "A procura por indumentária infantil é grande", afirma a proprietária da loja Pithan Pilchas, Simone Pithan. "Os professores têm conhecimento e procuram pilchar as crianças da forma mais correta", avalia o presidente do MTG. Ele destaca que a bombacha, por exemplo, não pode ser colada no corpo. Também ressalta que é preciso atentar para as cores de lenços, que devem ser branco, vermelho, amarelo e azul. Callegaro pondera que um dos empecilhos para que nem sempre a vestimenta acabe sendo bem reproduzida são os preços das roupas. "O comércio quer vender, então acaba disponibilizando artigos mais baratos, que não são exatamente os tradicionais", avalia.
Para se ter uma ideia, uma indumentária completa custa, em média, R$ 700,00 - incluindo bota, bombacha, lenço, camisa, chapéu e guaiaca. "Muita gente é convidada para ir ao Parque Harmonia durante os festejos, mas nunca colocou uma bombacha - esse é o típico consumidor de setembro", comenta o proprietário da Casa do Peão.
"Por esse motivo, a Semana Farroupilha é comparável à do Natal, no que se refere às vendas do comércio." Muitas lojas se organizam para a data, a exemplo do Dia das Mães ou dos Pais, enfeitando vitrines e até abrindo as portas com os atendentes caracterizados. De acordo com levantamento realizado junto a agropecuárias e lojas de vestuário, acessórios e calçados pelo Núcleo de Pesquisa do Sindilojas Porto Alegre, 70% dos varejistas estão animados com a movimentação da época: 12% deles estimam um aumento de, em média, 15% nas vendas em relação ao ano passado.
Além disso, para 64% dos entrevistados, a estimativa é que as vendas se mantenham com os mesmos índices alcançados em 2017 - o que, para eles, também é motivo de ânimo frente ao período de instabilidade e retração econômica na Capital. Os itens mais procurados nesta época são as botas, segundo 30,3% dos consumidores; a bombacha, para 27,3%; e artigos como cuias, mateiras e erva-mate, para 21,2%.

Com estoques lotados, lojistas pretendem crescer 20% frente a 2017

Boom tradicionalista expande desempenho de lojas como a Pithan

Boom tradicionalista expande desempenho de lojas como a Pithan


/LUIZA PRADO/JC
A proprietária da Pithan Pilchas, Simone Pithan, está com mais de R$ 300 mil em produtos da indumentária gaudéria no estoque de sua loja, localizada no Hipofábricas. Segundo a empresária, a procura está grande, e a estimativa é de que as vendas superem em 20% os resultados de 2017.
O boom tradicionalista em setembro exige, inclusive, aumento da equipe da loja, que de três funcionários passa a disponibilizar em torno de 10 para melhor atender os consumidores. Indumentária de criança e bombacha feminina e masculina são os artigos mais vendidos. "Mas também tem bastante demanda de camisa polo, lenços, alpargatas e chapéus", completa. Os vestidos de prenda têm pouca saída nesta época. "É uma vestimenta mais voltada a bailes oficiais", explica Simone.
Fato é que a movimentação da mídia em torno dos festejos farroupilhas tem levado cada vez mais pessoas ao Parque Harmonia. Cerca de 1 milhão de visitantes circulam por lá no período de 1 a 20 de setembro, calcula o presidente do MTG, Nairo Callegaro. Muitos vão trajados a rigor - a maioria, crianças. "Nos dias de programação normal, há um número expressivo de pessoas que vai pilchada, mas, nas vésperas de feriado, quando o parque lota, a situação muda", pondera o dirigente.
 
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