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Porto Alegre, quarta-feira, 05 de setembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Economia

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Indústria

Edição impressa de 05/09/2018. Alterada em 05/09 às 01h00min

Produção industrial no País recua 0,2% em julho

Dos 26 ramos pesquisados pelo IBGE, 10 tiveram taxas negativas

Dos 26 ramos pesquisados pelo IBGE, 10 tiveram taxas negativas


/CESAR MANSO/AFP/JC
Agência O Globo
Após um avanço de dois dígitos em junho, a produção industrial brasileira recuou 0,2% em julho, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o mesmo período de 2017, a indústria tem expansão de 4%. No ano, a indústria avança 2,5% e, em 12 meses, acumula alta de 3,2%. Segundo o IBGE, a indústria brasileira opera atualmente 14,1% abaixo do pico de produção registrado em maio de 2011.
Entre as grandes categorias econômicas, na comparação de julho com o mês anterior, apenas os bens intermediários tiveram desempenho positivo com alta de 1%. Bens de capital recuaram 6,2% e bens de consumo tiveram queda de 1,2%.
Na avaliação de Tabi Thuler Santos, coordenadora da Sondagem da Indústria do FGV/Ibre, o resultado de julho veio melhor do que o mercado esperava. "O dado de julho veio melhor do que as expectativas do mercado financeiro. Entretanto, gosto de comparar os meses de abril e julho deste ano para tentar analisar o cenário sem os efeitos da greve dos caminhoneiros. Com esta base, o índice em julho acelerou 0,3%", indica Tabi. "Este percentual não é motivo de comemoração, porque retrata um ambiente de recuperação econômica lenta, entretanto, ele não pode ser interpretado como um resultado desanimador. De toda forma, tivemos indícios de que o período de paralisação dos caminhoneiros, na maior parte, já foi superado", explica.
A variação negativa em julho é reflexo das taxas negativas em 10 dos 26 ramos pesquisados pelo IBGE, com destaque para veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuaram 4,5%, e produtos alimentícios, com queda de 1,7%.
Em relação aos ganhos do período, os destaques ficam com produtos químicos, com alta de 4,3% (segundo mês seguido de crescimento na produção), e outros equipamentos de transporte, com alta de 16,7% em julho (eliminando parte do recuo de 24,4% nos meses de maio e junho).
"O resultado de julho veio precedido de duas taxas de maior volatilidade, uma queda intensa em maio e um avanço acentuado em junho, que estavam diretamente relacionadas com a paralisação dos caminhoneiros. A taxa negativa pode ser explicada como uma correção da produção em junho. Como a greve afetou muito a indústria, é possível que as empresas tenham produzido mais, e agora tiveram de fazer ajustes", indica André Macedo, economista e gerente de Indústria do IBGE.
A coordenadora da FGV diz que as projeções para a indústria no fim deste não indicam alta nas taxas de crescimento, mas apontam que o setor fechará 2018 no campo positivo.
"Se a indústria mantiver o nível de produção de julho até dezembro, ou seja, se ficar estável, o crescimento no ano será de 2,1%. Não é esperada uma alta forte até o fim do ano", afirma.
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) indicou que o movimento de desaceleração da produção industrial não foi causado exclusivamente pela paralisação dos caminhoneiros. Entretanto, pondera o Iedi, este fato afetou a indústria na passagem do primeiro para o segundo semestre.
"O ano de 2018, pelo menos até a sua primeira metade, foi caracterizado por uma moderação importante do dinamismo industrial. O ritmo que já era insuficiente para fazer frente às pesadas perdas do triênio de crise (2014-2016) deixou ainda mais a desejar. Como o movimento de desaceleração vem desde o começo do ano, não dá nem para responsabilizar a paralisação dos caminhoneiros do mês de maio como causa da inflexão, embora possa ter contribuído para praticamente cortar pela metade a taxa de crescimento na passagem do primeiro para o segundo trimestre do ano", analisou o Iedi.
Macedo, entretanto, ressalta que outras variáveis contribuem para uma produção na faixa negativa. "Soma-se aos efeitos da greve a questão da confiança dos empresários, que limitam os investimentos, e das famílias, que reduzem gastos. Além disso, existe um grande contingente de trabalhadores fora do mercado de trabalho", disse o gerente de indústria do IBGE.
 
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