Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, segunda-feira, 30 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Conjuntura Internacional

Edição impressa de 30/07/2018. Alterada em 30/07 às 01h00min

Fed procura ajuste certo para os juros nos EUA

Banco Central dos Estados Unidos quer evitar um superaquecimento

Banco Central dos Estados Unidos quer evitar um superaquecimento


/MANDEL NGNAN/AFP/JC
A maioria das autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) concorda com a trajetória da taxa de juros a ser percorrida ao longo do próximo ano: aumentos graduais, até que o custo dos empréstimos atinja um nível que não desacelere nem estimule o crescimento. A grande questão, no entanto, é o que fazer depois de chegar ao chamado cenário neutro. A resposta dependerá, em grande parte, de como a inflação se comporta à medida que o desemprego cai, e as autoridades estão se debruçando sobre pesquisas recentes em busca de pistas.
Estudos sugerem que os preços podem subir mais rápido, mas não muito, se o desemprego cair um pouco mais. E a inflação pode se tornar preocupante se o desemprego cair muito mais.
É provável que os formuladores deixem a taxa de referência inalterada quando a reunião de dois dias terminar, na próxima quarta-feira, e esperem até setembro para o próximo aumento. Eles aumentaram a taxa duas vezes em 2018 - mais recentemente, em junho, para um intervalo entre 1,75% e 2% - e indicaram mais dois movimentos neste ano.
"A economia se mostra tão forte que parece natural que empresas e consumidores possam viver com taxas de juros mais neutras", disse o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, em recente entrevista. "Então, torna-se mais importante fazer um balanço de quantas pressões inflacionárias veremos, se houver."
As autoridades do Fed querem aumentar as taxas o suficiente para evitar o superaquecimento da economia em rápida expansão, mas não tanto que sufoquem prematuramente o crescimento saudável. Até agora, estão conseguindo. O banco central está mais perto de cumprir seus dois mandatos do Congresso para maximizar o emprego e manter preços estáveis do que em qualquer outro momento da última década.
O desemprego subiu para 4% em junho, de 3,8% em maio, por boas razões: um grande salto no número de norte-americanos procurando emprego. Excluindo as categorias voláteis de alimentos e energia, a inflação subiu 2% em maio em relação ao ano anterior. Foi a primeira vez, em seis anos, que o chamado núcleo de inflação, indicador preferido do Fed, alcançou a meta do banco central.
Agora, o presidente do Fed, Jerome Powell, está observando sinais de que a economia poderia ir em uma de duas direções: em um cenário, a inflação se acelera quando o desemprego cai para níveis muito baixos, exigindo aumentos de taxa mais agressivos para manter as pressões de preços sob controle; no outro, um período de baixa taxa de desemprego atrai mais trabalhadores para a força de trabalho, enquanto as pressões inflacionárias permanecem sob controle.
Pesquisadores do Fed examinaram recentemente as duas possibilidades. Um estudo analisou dados das áreas metropolitanas dos EUA para ver o que acontece com a inflação quando o desemprego é muito baixo. Há muito tempo, os economistas sustentam que a inflação aumenta com a queda do desemprego e vice-versa. Mas a relação, chamada de curva de Phillips, pareceu muito fraca nas últimas décadas. A inflação permaneceu branda mesmo quando a taxa de desemprego caiu de 10%, em 2009, para 4% em junho. Os economistas do Fed descobriram, no entanto, que a inflação aumentou mais rapidamente quando a taxa de desemprego caiu abaixo de 3,75%.
Um dos pesquisadores, Alan Detmeister, que, agora, trabalha no UBS Group AG, disse que, quando o Fed começou o estudo, em 2016, ele considerou "altamente improvável" que a taxa de desemprego dos EUA chegasse a 3,75% e minimizou os resultados. "Agora estamos meio que nesse ponto."

Situação atual do país lembra a dos anos 1960, destacam pesquisadores

No final dos anos 1960, a última vez que o desemprego caiu abaixo de 4% por um período sustentado, a inflação acelerou-se constantemente. Na década de 1970, se a inflação subisse um ano, os consumidores esperavam que aumentasse na mesma proporção no ano seguinte, e assim ocorreu. As autoridades do Fed acreditam que as expectativas de inflação futura podem ser autorrealizáveis, uma vez que os trabalhadores exigem aumentos salariais e as empresas aumentam os preços em antecipação.
Uma pesquisa separada do Fed publicada em 2016 utilizou dados da década de 1960 para medir o nível em que as pressões inflacionárias começam a prejudicar a economia. Os pesquisadores concluíram que isso acontece quando os preços ao consumidor subiram em 3% de forma sustentada, de acordo com o indicador preferido pelo Fed.
Economistas dizem que a inflação acelera quando o desemprego cai abaixo do chamado nível natural, que as autoridades do Fed estimam em 4,1% a 4,7%. Segundo Jeremy Nalewaik, autor do estudo, que, agora, trabalha no Morgan Stanley, o "ponto em que pode obter um grande aumento da inflação" se aproximando de 3% é quando a taxa de desemprego cai 1,5 ponto percentual abaixo do nível natural, disse.
As autoridades do Fed também estão ansiosas para saber quanto os trabalhadores podem se beneficiar quando o desemprego está muito baixo. Os formuladores de políticas se perguntam se as pessoas à margem do mercado de trabalho poderiam encontrar mais facilmente empregos, adquirir habilidades e se tornar mais produtivas, melhorando permanentemente suas chances de emprego. Isso reduziria a taxa de desemprego natural e a perspectiva de superaquecimento da economia.
Pesquisadores do Fed de Cleveland procuraram sinais de que os períodos de baixa taxa de desemprego geravam benefícios duradouros para os homens com menor escolaridade e em idade de trabalhar. A conclusão foi a de que, "uma vez que o mercado de trabalho retorna a uma espécie de estado normal, os benefícios de um mercado de trabalho apertado para esses grupos desfavorecidos não duram muito", disse Bruce Fallick, coautor do estudo.

Mnuchin diz acreditar em crescimento de 3% por cinco anos

Mnuchin crê que o ritmo da economia norte-americana é sustentável

Mnuchin crê que o ritmo da economia norte-americana é sustentável


/EITAN ABRAMOVICH/AFP/JC
O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirmou, neste domingo, que o maior ritmo de crescimento da economia norte-americana é sustentável e deve se manter pelos próximos anos. "Não acho que este seja um fenômeno de um ou dois anos, acho que, definitivamente, estamos em um período de quatro ou cinco anos de crescimento sustentável de, pelo menos, 3%", disse, em entrevista à emissora Fox News.
Na última sexta-feira, foram divulgados dados sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, que apontaram para um crescimento à taxa anualizada de 4,1% no segundo trimestre de 2018, no ritmo mais forte em quase quatro anos. O avanço foi impulsionado pela recuperação nos gastos do consumidor, nas exportações e no investimento das empresas.
Economistas avaliam que o número do segundo trimestre seria um pico. Além disso, apontam que o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) tem projeções de crescimento mais baixas, tanto para este ano como para os próximos.
Mas Mnuchin afirmou que, no ano passado, o mercado projetava, para 2018, um crescimento de 2%, e o governo já previa expansão de 3%. "Estamos começando a ver projeções para cima, nossa projeção de 10 anos é de 3%, e estamos confortáveis, atingindo esses números", afirmou.
O secretário do Tesouro dos EUA também foi perguntado sobre recentes questionamentos do presidente Donald Trump a respeito do sinalizado aumento das taxas de juros pelo Fed, o que fez soar o sinal de alerta entre observadores sobre a independência do banco central norte-americano. Para Mnuchin, as declarações de Trump foram "apenas comentários" indicando que o "presidente tem uma preocupação". Segundo ele, o presidente norte-americano "absolutamente" apoia a independência do Fed. "Nós, como administração, apoiamos a independência do Fed, e o presidente deixou claro que esta é a decisão do Fed."
Mnuchin afirmou que é responsabilidade do Fed elevar as taxas de juros na medida que a economia cresce mais rápido. "O mercado espera que as taxas de juros continuem subindo. A única pergunta é até quanto e por quanto tempo?", disse.
O Fed se reunirá nesta terça e quarta-feira. As taxas aumentaram duas vezes neste ano em resposta a um forte crescimento da economia dos EUA, baixo desemprego e ligeiro aumento da inflação.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia