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conjuntura internacional

23/07/2018 - 01h02min. Alterada em 23/07 às 01h00min

G-20 vê tensão comercial e pede mais diálogo entre países

Após dois dias de reuniões em Buenos Aires, comunicado pede ampliação do diálogo no mundo

Após dois dias de reuniões em Buenos Aires, comunicado pede ampliação do diálogo no mundo


/G20 PRESS OFFICE/AFP/JC
O documento final da reunião ministerial do G-20, grupo formado pelos países mais ricos do mundo, que terminou ontem, na capital da Argentina, reconhece o aumento da tensão comercial na economia mundial, alerta para os crescentes riscos dessas tensões e de questões geopolíticas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e pede que os países ampliem o diálogo. "Reconhecemos a necessidade de se intensificar o diálogo e as ações para reduzir os riscos e aumentar a confiança", afirma o texto, elaborado depois de dois dias de reunião em Buenos Aires. Na reunião realizada em março, na Argentina, o comunicado não falou de tensões comerciais.
O documento final da reunião ministerial do G-20, grupo formado pelos países mais ricos do mundo, que terminou ontem, na capital da Argentina, reconhece o aumento da tensão comercial na economia mundial, alerta para os crescentes riscos dessas tensões e de questões geopolíticas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e pede que os países ampliem o diálogo. "Reconhecemos a necessidade de se intensificar o diálogo e as ações para reduzir os riscos e aumentar a confiança", afirma o texto, elaborado depois de dois dias de reunião em Buenos Aires. Na reunião realizada em março, na Argentina, o comunicado não falou de tensões comerciais.
O documento do G-20 menciona que os países emergentes estão melhor preparados para lidar com o cenário externo mais adverso. Ao mesmo tempo, o texto destaca que estas economias enfrentam o desafio de ter que lidar com a maior volatilidade no mercado financeiro mundial e o risco das reversões dos fluxos de capital. Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentado durante a reunião ressalta que somente em maio e junho, os emergentes tiveram fuga de US$ 14 bilhões de capital externo.
"O crescimento da economia mundial continua sendo robusto e o desemprego está no nível mais baixo em última década", observa o texto. "Contudo, o crescimento tem sido menos sincronizado recentemente e os riscos de curto e médio prazo aumentaram", destaca o texto. Entre estes riscos, o comunicado menciona "crescentes vulnerabilidades financeiras, as maiores tensões comerciais e geopolíticas", além de um crescimento estrutural fraco, sobretudo em alguns países avançados, e "desequilíbrios globais". "Vamos continuar monitorando os riscos", ressaltam os dirigentes do G-20.
O G-20 enfatiza no comunicado a necessidade de avanço nas reformas estruturais nos diversos países, como uma forma de se aumentar o crescimento potencial. Na reunião de março, os dirigentes se comprometem a não fazer desvalorizações cambiais competitivas de suas moedas que possam ter efeito adverso sobre a estabilidade financeira mundial. No texto divulgado ontem, os dirigentes reafirmam esse compromisso.
Mais cedo, o secretário internacional da Fazenda, Marcello Estevão, destacou em entrevista à imprensa estrangeira que a discussão para se elaborar o comunicado final da reunião foi "cordial", embora tenha havido diferença de opiniões. "Concordamos que é preciso ter mais comércio. O que estamos pedindo em geral é que as partes que estão em desacordo conversem mais e briguem menos."

Conflitos comerciais devem ser resolvidos com cooperação

Lagarde orientou governadores a abordarem riscos de forma decisiva
Lagarde orientou governadores a abordarem riscos de forma decisiva
/AGUSTIN MARCARIAN/AFP/JC

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que participou da reunião ministerial do G-20 em Buenos Aires, alertou novamente para os "crescentes riscos" para a economia mundial gerados pelo aumento das tensões comerciais. A dirigente disse ter estimulado os ministros presentes no encontro a resolverem os conflitos comerciais por meio da cooperação internacional, sem recorrer a medidas excepcionais.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da economia mundial segue "forte", segundo Lagarde, mas vem se dando de forma desigual. "A economia mundial enfrenta crescentes riscos, especialmente de curto prazo, pelo aumento das tensões comerciais, das pressões financeiras nas economias emergentes vulneráveis e pelo retorno do risco soberano em partes da zona do euro", afirmou a dirigente.

Lagarde disse que orientou os governos a abordar esses riscos "de forma decisiva e com espírito de cooperação", de maneira a garantir que o período atual de crescimento perdure. "Isto é especialmente crucial quando se trata de manter o sistema de comércio internacional aberto."

A recomendação do FMI é que em resposta à maior volatilidade financeira, as taxas de câmbio devem seguir flexíveis, com papel para amortecer choques nos países emergentes. Além disso, os governos devem lançar mão de políticas prudenciais para lidar com as vulnerabilidades financeiras. Para os países com alto déficit em conta-corrente, a recomendação é evitar políticas fiscais expansionistas, de forma a ajudar a colocar a dívida pública em caminho decrescente.

Guerra comercial pode retirar US$ 430 bilhões do PIB mundial

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que um acirramento da guerra comercial pode prejudicar de forma importante a atividade econômica de todo o planeta e, no cenário mais negativo, reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) em US$ 430 bilhões em 2020, o equivalente a uma retração de 0,5% da expansão do PIB em relação ao cenário-base esperado para aquele ano.

Na América Latina, esse impacto poderia no pico tirar 0,6% da expansão do PIB da região, de acordo com relatório divulgado na reunião do G-20, o grupo dos países mais ricos do mundo, em Buenos Aires. No estudo de recomendações de políticas econômicas, o FMI dedicou um anexo para traçar quatro cenários e estimar os efeitos de uma guerra comercial.

Em um deles, se todos os aumentos de tarifas prometidos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrarem em vigor, o PIB mundial teria redução de 0,1% em 2020 em relação ao cenário-base traçado para aquele ano. Caso a guerra comercial provoque uma crise de confiança dos agentes, essa queda poderia se ampliar para 0,5%.

A diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde, alertou para os impactos significativos da guerra comercial. "Tensões comerciais já estão deixando uma marca, mas a extensão do estrago vai depender do que os governos farão em seguida", escreveu ela em seu blog, citando que indicadores recentes sinalizam queda das exportações na Ásia e Europa e piora dos níveis de confiança em alguns países exportadores de carros, como a Alemanha. O estudo do FMI mostra que os EUA seriam uma das economias mais afetadas do planeta por uma guerra comercial, justamente por ser a maior do mundo. A estimativa é que a expansão do PIB dos EUA poderia ser 0,6% menor do que o cenário-base em 2019 e 0,3% em 2020.