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Porto Alegre, sexta-feira, 13 de julho de 2018.
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Economia

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Comércio exterior

Notícia da edição impressa de 13/07/2018. Alterada em 13/07 às 01h00min

China sobe o tom e acusa os EUAde serem erráticos e unilaterais

Shan afirma que China vai defender os princípios do livre-comércio

Shan afirma que China vai defender os princípios do livre-comércio


/NIKOLAY DOYCHINOV/AFP/JC
A China escalou o tom da guerra comercial com os Estados Unidos: em uma extensa nota divulgada nesta quinta-feira, o ministro do Comércio chinês afirma que os EUA têm sido "erráticos" e pede a união global contra as tarifas bilionárias impostas à China. Os chineses acusam o governo de Donald Trump de lançar a economia mundial em uma "armadilha da Guerra Fria", e declararam que irão lutar para encorajar a competição global, o combate ao monopólio e a abertura de mercados.
"A China irá defender os princípios de livre-comércio, o sistema de comércio multilateral e os interesses comuns de todos os países do mundo", afirma o ministro Zhong Shan, numa demonstração de que a disputa entre os dois países também é geopolítica. A nota foi divulgada dois dias depois de os EUA anunciarem sobretaxas a US$ 200 bilhões em produtos chineses - quase metade das vendas do país asiático aos norte-americanos. O montante corresponde a cerca de R$ 760 bilhões.
Os EUA acusam a China de práticas comerciais desleais e roubo de propriedade intelectual na área de tecnologia. Os chineses negam e dizem que o governo de Donald Trump age em prol de interesses políticos, com base em "fatos distorcidos". "Os Estados Unidos têm sido erráticos e rebeldes, abandonaram descaradamente o consenso e insistiram em uma guerra comercial", diz Zhong. "A responsabilidade recai inteiramente sobre eles."
A nota do governo de Xi Jinping, que tem medido forças contra os EUA, afirma que os EUA lançam não só a China, mas o mundo em uma guerra que irá prejudicar a economia global. Os chineses também acusam os norte-americanos de unilateralismo, protecionismo e comportamento hegemônico, e afirmam que irão se posicionar para proteger "os interesses globais" e o livre-comércio mundial.
Na semana passada, EUA e China passaram a aplicar tarifas a US$ 35 bilhões em importações, e prometem estender a alíquota a um total de US$ 50 bilhões. Depois do último anúncio norte-americano, que propõe sobretaxas a US$ 200 bilhões em mercadorias, a China prometeu reagir, mas ainda não detalhou como. "A China tem muito mais margem de manobra", comenta a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute, em Washington. As novas sobretaxas da gestão de Donald Trump irão atingir US$ 200 bilhões (pouco mais de R$ 760 bilhões) em produtos chineses, ou quase metade das vendas anuais do país aos EUA.
É muito mais do que os US$ 50 bilhões que haviam sido taxados até aqui, majoritariamente em produtos industriais e de tecnologia, contra o suposto roubo de propriedade intelectual americana por estatais chinesas.
As medidas, somadas, devem ter um impacto, ainda que não decisivo, na economia chinesa: entre 0,2 e 0,5 ponto percentual sobre o crescimento do país, segundo o economista Brad Setser, pesquisador sênior do Council on Foreign Relations.

FMI diz que ninguém ganha com conflito

Ao comentar sobre a nova rodada de disputas comerciais entre EUA e China, com o plano de Washington de impor tarifas de 10% sobre mais US$ 200 bilhões em mercadorias importadas do país asiático, o diretor de Comunicações do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gerry Rice, afirmou que a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, tem dito várias vezes que "encorajamos todos a trabalhar de forma construtiva, reduzir barreiras comerciais" e com o diálogo resolver questões extraordinárias entre as partes envolvidas. "Madame Lagarde tem destacado que ninguém ganha com uma guerra comercial", apontou.

Em relação à Grécia, o diretor do FMI afirmou que o Comitê Executivo do Fundo deve realizar, no dia 27 de julho, a avaliação macroeconômica do país no âmbito do Capítulo 4, cujo comunicado deve ser publicado alguns dias depois. Há quase um mês, ministros das Finanças da zona do euro definiram que a Grécia terá mais 10 anos para pagar um montante próximo a ¤ 100 bilhões de financiamentos, quase 50% dos empréstimos liberados por países da região a Atenas desde 2010.

Brasileiros até podem lucrar, mas só no curto prazo, avaliam especialistas

Ainda com dúvidas se, entre os tiros disparados por Donald Trump, existem ou não muitas balas de festim, especialistas olham para a escalada da guerra comercial deflagrada pelo presidente norte-americano e veem algum ganho imediato para o Brasil, mas incerteza generalizada num prazo mais longo.

"A guerra comercial assusta, mas por enquanto é risco não materializado. Pode afetar o Brasil positivamente no caso de a China decidir comprar a soja brasileira em vez da norte-americana", diz Marco Casarin, economista-chefe para a América Latina da consultoria inglesa Oxford .

A favor do Brasil também contaria um aspecto geralmente visto como fraqueza por alguns analistas: o pequeno grau de abertura da economia brasileira, que acabaria protegendo o País das tensões que pesam sobre as longas cadeias de produção. Para além disso, não há muito otimismo.

Mesmo que os EUA recuem ou que as regiões diretamente afetadas - além da China, União Europeia, México e Canadá - optem por caminhos alternativos ao das retaliações adicionais, a expectativa é que as tensões abalem o crescimento econômico mundial e os fluxos financeiros globais, atingindo mais fortemente emergentes como o Brasil.

Caso os EUA avancem em medidas contra a China e a Europa, diz o Bradesco, a perda para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial deve ser de algo entre 0,3 e 0,4 ponto percentual. "O duro é que tudo isso pega o Brasil num momento de fragilidade econômica e política", diz Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute, em Washington.

Para Livio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), o cenário não chega a ser de uma tempestade perfeita, em especial porque o país é credor em dólar e tem um déficit muito baixo nas trocas com o exterior. "Mas é um momento sensível", diz ele. Na guerra contra a China, dizem os economistas, o Brasil se destaca como vendedor mais óbvio de produtos como soja e milho, além de figurar como alternativa para montadoras que fugir de tarifas adicionais ao buscar produzir fora das zonas de conflito.

Já há evidências de aumento dos embarques de soja do Brasil para a China, embora a capacidade mundial não seja suficiente para compensar a saída dos americanos do mercado chinês, diz Ribeiro.

Por outro lado, diz Bolle, perdendo o mercado chinês, os produtores norte-americanos seriam forçados a procurar outros destinos para seus produtos. "Ou seja, os EUA passariam a competir com o Brasil, em especial na produção de grãos e carne." Outro ponto, diz Ribeiro, é que a sobra de grãos no mercado norte-americano pode deprimir os preços internacionais das commodities, o que também não é bom para o Brasil. O Bradesco fala também em guerra cambial, além de efeitos negativos sobre confiança e decisões de investimentos. "Vem aí muita confusão", diz Bolle.

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