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Porto Alegre, sexta-feira, 06 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Mercado de Capitais

Notícia da edição impressa de 06/07/2018. Alterada em 06/07 às 01h00min

Cotação do dólar aumenta 0,44% e chega a R$ 3,9304

Publicação da ata do Federal Reserve afetou negociações no câmbio

Publicação da ata do Federal Reserve afetou negociações no câmbio


MARCOS SANTOS/MARCOS SANTOS/USP IMAGENS/IMAGENS PUBLICAS/DIVULGAÇÃO/JC

O dólar teve novo dia de valorização nesta quinta-feira e fechou cotado a R$ 3,9304 ( 0,44%), o maior valor desde 1 de março de 2016 (R$ 3,9442), período em que a moeda subia em meio às expectativas pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A divisa norte-americana abriu a quinta-feira em baixa, mas engatou alta ainda pela manhã e renovou máximas após a publicação da ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

A sinalização de que os juros vão seguir em elevação na maior economia do mundo manteve o dólar valorizado também frente a outras moedas globais. No mercado local, o Banco Central (BC) optou por novamente não fazer leilão extraordinário de contratos de swap, marcando o nono dia seguido sem esse tipo de operação. A falta de ação do BC tem gerando desconforto em alguns profissionais do mercado.

Assim como nos últimos dias, o BC fez apenas leilão de rolagem de contratos de swap que vencem em 1 de agosto, movimentando US$ 700 milhões. A própria ata do Fed citou a valorização do dólar ante o real, destacando que a moeda norte-americana vem se fortalecendo na economia mundial, notadamente ante países como Brasil, México, Argentina e Turquia. Este movimento, combinado com desdobramentos no cenário político, aumenta as preocupações com as "vulnerabilidades financeiras", segundo o documento.

Ibovespa interrompe sequência de altas e cai 0,25%

A cautela diante das incertezas dos cenários interno e externo levou o investidor do mercado brasileiro de ações a optar por recolher os lucros obtidos recentemente, interrompendo uma sequência de altas do Índice Bovespa que se estendeu por cinco pregões consecutivos. O índice chegou a subir moderadamente pela manhã, ainda sob o efeito do noticiário corporativo positivo da véspera, mas cedeu a uma discreta correção. Ao final dos negócios, marcou 74.553 pontos, em baixa de 0,25%.
O principal destaque foi a Embraer, que pela manhã confirmou as expectativas da véspera e divulgou o memorando de entendimentos firmado com Boeing para a criação de uma joint venture para atuar no segmento de aviação comercial. Na formação da nova empresa, a Boeing terá 80% e a empresa brasileira responderá por 20%. O negócio tem valor de US$ 4,75 bilhões e a Embraer deverá receber US$ 3,8 bilhões da companhia americana.
A ação da Embraer, que havia subido mais de 3% na quarta-feira, já na expectativa pela concretização do negócio, nesta quinta-feira despencou 14,29% e respondeu pelo segundo maior volume de negócios da B3 (R$ 531,6 milhões). Analistas atribuíram as perdas das ações a um movimento essencialmente de realização de lucros, embora justificado por dúvidas reais quanto aos detalhes do negócio.
Com oscilações não tão expressivas quanto as da Embraer, mas com peso maior na composição do Ibovespa, as ações da Petrobras recuaram 2,99% (ON) e 3,20% (PN) e exerceram influência importante na queda do Ibovespa. As ações haviam subido entre 4% e 5% na véspera, embaladas pela notícia do destravamento do leilão do excedente da cessão onerosa. Nesta quinta-feira, segundo operadores, pegaram carona na queda dos preços do petróleo e passaram por realização de lucros. Por fim, Eletrobras ON e PNB cederam 8,60% e 6,15%, devolvendo apenas parte dos ganhos da véspera, em reflexo do avanço do processo legislativo para permitir a venda das distribuidoras da companhia ainda este mês.
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