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Porto Alegre, quarta-feira, 27 de junho de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 27/06/2018. Alterada em 27/06 às 01h00min

Sucessão exige boa gestão profissional para avançar

Mais de 800 pessoas participaram das palestras em Santa Rosa

Mais de 800 pessoas participaram das palestras em Santa Rosa


/CAROLINA JARDINE/DIVULGAÇÃO/JC
Manter as novas gerações no campo e garantir a sucessão nos tambos gaúchos passa por uma gestão profissional, com definição de atribuições, metas e, inclusive, de pró-labore para os integrantes da família. A posição foi defendida pelo presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, durante o 6º Fórum Itinerante do Leite, que reuniu cerca de 800 pessoas, ontem, em Santa Rosa (RS). Segundo Guerra, não há mais espaço para amadorismo na atividade. "Os produtores hoje são gestores de seu próprio negócio." Otimista, Guerra disse que há amplo potencial para crescimento do setor lácteo a ser desenvolvido pelos jovens no mercado interno e externo.
A importância de maior estabilidade na remuneração da atividade foi pontuada pelo representante da Fetag e presidente do Conseleite, Pedrinho Signori, como essencial para tornar a atividade mais atrativa às novas gerações. "A oscilação na cultura do leite é muito grande. Isso traz desestímulo para o jovem seguir na atividade. Temos que ter em mente que o leite muito barato hoje ao consumidor pode significar um preço muito caro amanhã", salientou. Em coro, o diretor da Farsul Jorge Rodrigues citou a relevância de mão de obra qualificada e estudo para melhoria contínua da produção. "Os jovens têm que saber que esse é um trabalho dignificante."
Mais que isso, pontuou o assistente técnico em Criações da Emater, Ivar Kreutz, é preciso diálogo e visão. "Sucessão não se faz quando os jovens já foram. Eles não vão voltar. É quando são pequenos que é fundamental se pensar em sucessão."
A importância de integração de gerações para o sucesso dos tambos leiteiros gaúchos foi exemplificada na apresentação realizada pela jovem Mariane Moz, sócia da Agropecuária Moz, de Tuparendi (RS). Ao lado dos pais, do namorado e de quatro funcionários, ela administra a propriedade com olhos no futuro e na qualidade. Segundo ela, diferentemente do que comumente se diz, sucessão rural na Agropecuária Moz não significa "substituir o velho pelo novo". "Na Moz é diferente. Usamos a experiência dos meus pais aliada ao meu conhecimento técnico e à orientação de gestão e administração de custos de meu namorado", pontuou.
O tambo, que começou de forma tímida a integrar a renda da família em 1994, hoje é a principal atividade da propriedade, que produz 4,3 mil litros por dia com 115 animais em lactação de um rebanho de 280 animais. A paixão de Mariane pela produção começou ainda criança. Com 12 anos, já ordenhava os animais e ajudava a família. Alguns anos depois, é ela quem pilota os projetos de qualidade do leite e transferência de embriões, além do sistema de Compost Barn, que garante bem-estar animal e bons lucros aos Moz.
 

Produção bem planejada permite até mesmo tirar férias da propriedade

Nólio investiu R$ 900 mil para mecanizar o processo na Tambo

Nólio investiu R$ 900 mil para mecanizar o processo na Tambo


CAROLINA JARDINE/DIVULGAÇÃO/JC
O descanso é visto como essencial para garantir motivação ao produtor e um trabalho bem-feito. Consciente da necessidade de aliviar o peso do dia a dia dos tambos - atividade reconhecida por trabalho ininterrupto ao longo do ano -, o médico veterinário da macrorregião Norte da Emater Paraná, Paulo Hiroki, garante que pensar a produção e planejar o ciclo reprodutivo dos animais pode ser feito de forma a viabilizar férias até para quem trabalha com o leite. "Se eu posso planejar, eu posso ter descanso", citou ele durante painel na manhã de ontem no 6º Fórum Itinerante do Leite.
Com um calendário definido e rebanho estabilizado, ele sugeriu a criadores do Paraná diminuir a estação de partos para que o produtor pudesse planejar seu descanso para meses de dezembro ou janeiro, quando se tem muito leite no mercado e baixo consumo. O sistema, garante ele, dá certo: "Leva três anos para preparar suas férias". Também é importante prever corte de despesas em determinados períodos para compensar a interrupção de lactação.
O painel ainda apresentou a história do produtor Ezequiel Nólio, proprietário do Tambo Nólio, de Paraí (RS). Enfrentando falta de mão de obra qualificada para exercer a atividade, adotou a robótica para manejar o rebanho. "Agora, os donos podem sair para passear, podem estar aqui dando palestras", relatou o produtor.
De acordo com ele, o uso de robô na ordenha exigiu poucos ajustes de estrutura do pavilhão do gado, o que, ao lado do custo da máquina, somou R$ 900 mil. Essa mecanização, cita ele, é alternativa para viabilizar a sucessão no campo, porque alivia o trabalho e pode eliminar a contratação de funcionários. Em dois anos, ele conta que a produtividade média do Tambo Nólio passou de 28 litros por vaca/dia para 35 litros por vaca/dia. O manejo, antes feito por um empregado e duas pessoas da família, hoje é realizado apenas por uma pessoa e pelo robô. O número de vacas em lactação caiu de 75 para 63, mas a captação se manteve em 2,2 mil litros/dia, garantindo otimização do uso de concentrado e melhor rentabilidade. Ao mudar a ordenha para o sistema mecanizado, Nólio teve redução imediata de 130 quilos de consumo de concentrado/dia.
 
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