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Porto Alegre, quarta-feira, 20 de junho de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 20/06/2018. Alterada em 20/06 às 01h00min

OCDE alerta para os riscos do protecionismo na América Latina

Melguizo destacou as conversas entre Mercosul e Aliança do Pacífico

Melguizo destacou as conversas entre Mercosul e Aliança do Pacífico


/CEPAL/DIVULGAÇÃO/JC

A volatilidade financeira e as medidas de protecionismo são os principais riscos para as economias da América Latina, segundo avaliou Ángel Melguizo, chefe da América Latina do Centro de Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Apesar desses fatores, ele acredita que o crescimento global será benéfico para a região.

"O crescimento global é favorável para a região. Vemos um crescimento da América Latina de pouco mais de 2%, em 2018, e entre 2,5% e 3% no ano que vem. Com crescimento maior, haverá um incremento da renda", disse o economista.

Para o Brasil, a OCDE prevê um crescimento de 2%, neste ano, e de 2,8% em 2019. Mesmo que o número não seja atingido, já que as projeções de diversos economistas estão sendo revisadas para baixo, Melguizo lembrou que o importante é a tendência, que é de melhora gradual. Para a economia global, o organismo multilateral prevê uma expansão de 3,8%, neste ano, e de 3,9% em 2019.

Sobre as medidas protecionistas, Melguizo afirmou que todas as ações que têm como objetivo proteger uma economia são prejudiciais à economia global. Ele acrescentou que o acirramento dos conflitos entre Estados Unidos e China pode ter impacto no crescimento da região e que medidas de cunho fiscal, como a redução dos impostos, só possuem efeito no curto prazo.

"A depender das medidas adotadas, há um impacto potencial de 0,5 ponto a 1 ponto percentual do PIB", afirmou Melguizo. Apesar do temor das medidas de protecionismo, o economista destacou que os países da América Latina não adotaram, nos últimos anos, medidas unilaterais e estão mais propensos à abertura econômica. Ele afirmou, ainda, que não há um estudo específico da OCDE sobre os impactos das medidas recentes tomadas por Estados Unidos e China.

"Já estamos, há alguns anos, alertando sobre o uso de medidas protecionistas. Mas o importante é que a América Latina não está seguindo esses passos. Pelo contrário, colocou mais medidas de liberalização entre os vizinhos", avaliou, citando as conversas entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico.

Melguizo destacou, ainda, que os investimentos da China na região são importantes, uma vez que o país asiático também provê linhas de financiamento e que é importante a aproximação do Mercosul com a China.

Sobre a volatilidade financeira, ele explica que existe em um momento em que os Estados Unidos estão elevando os juros, o que deve ocorrer também em outras grandes economias no curto prazo. Com juros mais elevados, há uma potencial migração de recursos dos países emergentes para essas economias.

"O endurecimento das condições financeiras pode levar a períodos de volatilidade econômica, como vimos na Argentina. Mas, ainda assim, o que vemos na América Latina é distante da percepção de risco de outros emergentes ou do que aconteceu no começo dos anos 2000", destacou.

Sobre a adesão do Brasil à OCDE, Melguizo lembrou que isso só vai acontecer após os 36 países-membros aceitarem essa solicitação. No entanto, disse que o Brasil já cumpre com os pré-requisitos. Além do Brasil, também já pediram para entrar na organização Argentina, Peru, Croácia, Bulgária e Romênia.

"É um processo que se dá por unanimidade, e precisa ser um país que se comprometa com as ações da OCDE", disse.

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