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Artes Cênicas

- Publicada em 19/05/2022 às 16h47min.

Palco Giratório movimenta espaços da Capital em segundo fim de semana de atrações

"Emaranhada" é um solo para o público infanto-juvenil, encenado pela atriz Amarílis Irani

"Emaranhada" é um solo para o público infanto-juvenil, encenado pela atriz Amarílis Irani


Daniel Falcão/ DIvulgação/JC
Adriana Lampert
O segundo final de semana de programação do 16º Festival Palco Giratório terá uma série de atrações, como os espetáculos Estudos Nº 1: Morte e Vida, do Grupo Magiluth (PE); Cllã, do bailarino e coreógrafo Alex Sander dos Santos; e Emaranhada, dirigido e coreografado por Marcio Moura. As peças ocorrem em horários e locais distintos (confira no box abaixo), viabilizando o descolamento do público, que, desde o dia 12 de maio, vem acompanhando as apresentações de teatro, dança, circo e música, promovidas pelo festival realizado pelo Sesc/RS. A programação segue até o dia 29 de maio, e inclui outros destaques como Paixão Viva, encenado pela atriz Ítala Nandi e Cabeça (Um Documentário Cênico), musical escrito e dirigido por Felipe Vidal.
O segundo final de semana de programação do 16º Festival Palco Giratório terá uma série de atrações, como os espetáculos Estudos Nº 1: Morte e Vida, do Grupo Magiluth (PE); Cllã, do bailarino e coreógrafo Alex Sander dos Santos; e Emaranhada, dirigido e coreografado por Marcio Moura. As peças ocorrem em horários e locais distintos (confira no box abaixo), viabilizando o descolamento do público, que, desde o dia 12 de maio, vem acompanhando as apresentações de teatro, dança, circo e música, promovidas pelo festival realizado pelo Sesc/RS. A programação segue até o dia 29 de maio, e inclui outros destaques como Paixão Viva, encenado pela atriz Ítala Nandi e Cabeça (Um Documentário Cênico), musical escrito e dirigido por Felipe Vidal.
Contemplando o público infanto-juvenil, Emaranhada é um solo encenado pela atriz Amarílis Irani, que conta a história de uma heroína negra que vai em busca de suas raízes, e aprende e preservá-las. "O foco do espetáculo é falar sobre a beleza dos cabelos afro, e, por conta disso, o cabelo é um elemento importante, quase como um personagem em cena", explica Amarílis. Para que essa relação se estabeleça, a montagem conta com o visagismo (cabelos, maquiagem e próteses) de Cleber de Oliveira, que criou uma forma da atriz trocar de cabelo vária vezes em cena.
Idealizadora do projeto, Amarílis conta que o texto do espetáculo, assinado por Luan Valero, tem ligação com histórias de sua vida pessoal. "Fui descobrir meu cabelo quando estava na faculdade, aos 18 anos", revela Amarílis, explicando que desde pequena ia para o salão de beleza passar química nos cabelos, para alisá-los. "Era um apagamento da minha identidade, mas eu e outras meninas negras fazíamos, para não sofrer bullying na escola. Até que um dia, na fase adulta, resolvei cortar bem curtinho e deixar crescer natural e descobri meu cabelo lindo, cheio de vida, black."  
Na peça a atriz interpreta Mavi, uma menina inventora de palavras, com braços e mãos "tagarelas", e dona de uma cabeleira enorme. Ela cria aventuras às vezes solitárias e outras acompanhada de seus amigos raízes, tranças, panos, árvores e animais. "O cenário foi criado pela Raquel Theo, e todo construído através de materiais que ressignificam uma cabeleira enorme: a árvore é de vários elementos naturais, como barba de velha, fios de juta, sisal e palha."
Através da mistura de texturas, a cenografia recria um bioma natural, como se fosse uma floresta, continha Amarílis. "É um cenário muito lúdico e imaginativo. E o figurino é feito de Ancará, tecido africano usado pelos povos da África Ocidental." Tudo isso dialoga com a personagem, que durante sua saga faz dos cabelos o caminho para encontrar aceitação". Abordando de forma sutil temas como empoderamento feminino, racismo, lutas e vitória, Emaranhada é uma ode "à força, à beleza e à poesia da representatividade negra, com raízes que se espalham do olhar do palco ao dos espectadores", afirma a idealizadora do projeto.
"Na minha infância eu tinha medo dos fios, medo do cabelo, não tinha uma heroína negra para me espelhar. Por isso importante empoderar as crianças negras, e quando uma criança se empodera isso se multiplica, e outras muitas se beneficiam", avalia Amarílis. Ao descrever a linguagem do autor, como "muito poética, com muitas rimas e melodias", a atriz destaca ainda o trabalho do diretor Márcio Moura, que trabalha com o universo da mímica e coreografou todo o espetáculo. "É um trabalho extremamente físico. A Mavi se comunica não só com palavras, mas também com gestos, e aí também levamos para cena elementos circenses, como pernas de pau", conta a atriz.
Composta somente por canções originais, assinadas por Natália Lepri, a trilha sonora possibilita a interação com as crianças. "Foi pensada para que o público possa fazer sons que a música sugere, através da boca, gestos, e batuques corporais", explica Amarílis. Com 45 minutos de duração, o espetáculo é recomendado para toda a família. "Montando a peça, eu consegui influenciar minha mãe, que assumiu os cachos com 60 anos, e também meu irmão, que sempre raspava o cabelo, e durante a pandemia (de Covid-19) deixou vir um cabelo black gigante", orgulha-se a artista. 
Criada em 2019, a montagem ficou em suspenso durante o isolamento pandêmico, e chegou a ter uma pré-estreia, há pouco tempo. "Mas, de fato, nossa estreia está sendo agora, em Porto alegre, dentro da programação do Palco Giratório", valoriza Amarílis. A peça terá apresentações nesta sexta (20) e sábado (21), na Sala Álvaro Moreyra (Centro Municipal de Cultura), sempre às 15h.

 

Espetáculos deste final de semana - 16º Palco giratório

20/05 (Sexta-feira)
15h – Emaranhada / Marcio Moura (RJ)
Local: Sala Álvaro Moreyra (Av. Erico Verissimo, 307, Menino Deus - Porto Alegre)
19h – Estudos Nº 1: Morte e Vida / Grupo Magiluth (PE)
Local: Teatro do Sesc Alberto Bins (Av. Alberto Bins, 665, Centro - Porto Alegre)
21h – Cllã / Alex Sander dos Santos (RS)
Local: Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307, Menino Deus - Porto Alegre)
21/05 (Sábado)
15h – Emaranhada / Marcio Moura (RJ)
Local: Sala Álvaro Moreyra (Av. Erico Verissimo, 307, Menino Deus - Porto Alegre)
19h –Estudos Nº 1: Morte e Vida / Grupo Magiluth (PE)
Local: Teatro do Sesc Alberto Bins (Av. Alberto Bins, 665, Centro - Porto Alegre)
21h – Cllã / Alex Sander dos Santos (RS)
Local: Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307, Menino Deus - Porto Alegre)
22/05 (Domingo)
11h – Um Dia, Uma Palhaça / Odelta Simonetti (RS)
Local: Parque Farroupilha (Expedicionário)
13h – Circo de Horrores e Maravilhas / Oigalê (RS)
Local: Parque Farroupilha (Cancha de Bocha)
19h – Preta Mina: O Fim do Silêncio, o Eco do Incômodo /Preta Mina (RS)
Local: Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307, Menino Deus - Porto Alegre)
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