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ARTES VISUAIS

- Publicada em 20h13min, 14/09/2021.

Paulo Favalli trabalha em monumento do 'Memorial da Gratidão Amrigs'

Médico de formação, artista explora a anatomia humana na confecção de suas esculturas

Médico de formação, artista explora a anatomia humana na confecção de suas esculturas


ANDRESSA PUFAL/JC
Lara Moeller Nunes
Assim como Leonardo Da Vinci e Michelangelo, grandes figuras que fizeram história no mundo das artes, Paulo Favalli também se apoia na anatomia humana para desenvolver suas produções. Filho de psiquiatra e professora de Literatura, o médico e escultor cresceu em um ambiente estimulante que, desde cedo, buscava o incentivo à cultura e à ciência. Unindo suas duas carreiras, o artista assina agora um monumento que integra o Memorial da Gratidão Amrigs, trabalho desenvolvido em homenagem às vítimas da Covid-19 e aos profissionais da saúde que trabalham na linha de frente da pandemia.
Assim como Leonardo Da Vinci e Michelangelo, grandes figuras que fizeram história no mundo das artes, Paulo Favalli também se apoia na anatomia humana para desenvolver suas produções. Filho de psiquiatra e professora de Literatura, o médico e escultor cresceu em um ambiente estimulante que, desde cedo, buscava o incentivo à cultura e à ciência. Unindo suas duas carreiras, o artista assina agora um monumento que integra o Memorial da Gratidão Amrigs, trabalho desenvolvido em homenagem às vítimas da Covid-19 e aos profissionais da saúde que trabalham na linha de frente da pandemia.
Os livros de Anatomia do pai foram a porta de entrada de Favalli para ambas áreas do conhecimento, pois as obras despertaram sua curiosidade não só sobre o corpo humano, mas também a respeito dos desenhos que ilustravam o material. "Tudo aquilo me deixava muito intrigado, eu queria saber como o organismo funcionava e para isso eu gostava muito de tentar reproduzir as imagens que via lá. Me desenvolvi em um berço de muita sensibilidade e de apreço pelos detalhes, e isso colaborou na elaboração dos meus gostos e da minha personalidade", conta em entrevista ao Jornal do Comércio.
Os caminhos da vida o levaram para a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), onde concluiu a graduação de Medicina em 1998. Ao longo de sua jornada universitária, buscou aplicar seu talento com o desenho, aflorado durante o período do colegial, como método de aprendizagem para compreender melhor a anatomia humana. Os professores que o acompanhavam em sala de aula, impressionados com sua habilidade, passaram a lhe convidar para que ilustrasse artigos e livros acadêmicos.
A descoberta pelas esculturas, no entanto, aconteceu já no final do curso. "Comecei a ter um desejo muito grande de conseguir compreender toda a teoria através do tridimensional. Vendo os desenhos nos livros eu ficava muito curioso, e minha vontade era tornar aquilo palpável", relata. A partir disso, ele começou a desenvolver modelos clássicos da anatomia em argila para serem utilizados de maneira didática.
A escolha pela cirurgia plástica como especialidade, posteriormente, veio como forma de selar a união entre suas duas grandes paixões: a arte e a ciência. "Quando faço essa análise gosto de ressaltar que eu escolhi essa área exatamente pela relação que ela tem com as artes plásticas. É um campo da Medicina extremamente artesanal que ainda depende muito do fazer humano, e isso me fascina." Nessa declaração, ele resgata ainda nomes de grandes artistas do período Renascentista que aplicavam seus altos níveis de conhecimento do corpo em suas produções.
A migração do trabalho de Favalli da argila para a escultura de bronze, método que utiliza até hoje, veio de um amadurecimento conceitual com inspirações na arquitetura da Art déco. "Conheci esse estilo mais minimalista, que tem como característica a forte presença do metal, e decidi que eu queria começar a explorar essa ideia de transpor algo orgânico em outro material", explica.
Sua linguagem, então, começou a misturar técnicas clássicas da escultura com elementos mais modernos e contemporâneos, valorizando a evolução dos conceitos artísticos sem perder o toque tradicional. "Gosto de brincar com o quanto nós humanos vivemos hoje simbioticamente com a tecnologia."
A contemporaneidade presente em suas produções, que ganharam grande destaque ao longo de 2019, concretizam-se agora no memorial construído a convite da Amrigs. Em processo de amadurecimento desde o final do ano passado, o projeto, desenvolvido a partir de um tríptico de painéis de bronze em alto relevo, narra três aspectos fundamentais a respeito do momento pandêmico que estamos vivendo. A Morte representa o desfecho negativo, mas real, que deve ser enfrentado; a Cura aparece como esperança, em razão daqueles que sobreviveram à doença; e a Ciência, por fim, simboliza o instrumento mais importante e fundamental no combate contra o vírus.
Com lançamento previsto para até o final deste ano, a escultura de 7 metros de altura representa, para o médico e artista, uma oportunidade única. "Cheguei a abrir mão de algumas das minhas atividades médicas para poder me dedicar mais nisso. Vamos traçando certos planos de carreira ao longo da vida e eu jamais esperava poder fazer algo assim tão rápido", relata Favalli.
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