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artes cênicas

- Publicada em 19h35min, 22/02/2021.

Elas dominam a arte do riso: Festival Palhaças do Sul tem inscrições abertas

Maçaroca é a palhaça de Pati de La Rocha, estressada e preocupada em conciliar múltiplas atividades

Maçaroca é a palhaça de Pati de La Rocha, estressada e preocupada em conciliar múltiplas atividades


ANDRE RABELLO/DIVULGAÇÃO/JC
Roberta Requia
Em uma sociedade predominada por costumes masculinos e patriarcais, movimentos femininos nascem sobre a força da união e apoio entre mulheres. E é para reivindicar seu espaço de direito no movimento da palhaçaria que nasce o 1º Festival Palhaças do Sul, que acontecerá entre os dias 22 a 28 de março. Serão sete dias de múltiplas ações como espetáculos, oficinas, debates, cabarés, podcasts e ainda a confecção de um livro registro para a posteridade.
Em uma sociedade predominada por costumes masculinos e patriarcais, movimentos femininos nascem sobre a força da união e apoio entre mulheres. E é para reivindicar seu espaço de direito no movimento da palhaçaria que nasce o 1º Festival Palhaças do Sul, que acontecerá entre os dias 22 a 28 de março. Serão sete dias de múltiplas ações como espetáculos, oficinas, debates, cabarés, podcasts e ainda a confecção de um livro registro para a posteridade.
O convocatório para as inscrições e atividades no palco aberto estão disponíveis desde 18 de fevereiro, e vão até o dia 8 de março. As inscrições para as oficinas estarão abertas de 1 a 7 de março e os resultados serão divulgados em 16 de março. Inscrições e resultados podem ser conferidos no site do evento: www.palhacasdosul.com. As gravações serão realizadas no Teatro Hebraica com os devidos protocolos de segurança e sem a presença do público e o evento será transmitido na íntegra de forma online pelo Instagram e pelo Facebook (@palhacasdosul).
No Brasil, o movimento de Palhaçaria Feminina começou a tomar contornos mais expressivos a partir da década de 1990, por intermédio de uma série de ações desenvolvidas por artistas palhaças como festivais, debates, pesquisas, escolas e oficinas específicas. Atualmente, o País conta com aproximadamente 14 festivais, que jogam luz sobre o trabalho que está sendo feito, com diversas redes entre as mulheres.
A palhaçaria brinca com o duplo do ator, onde um personagem é criado a partir das características mais profundas daquele que vai até a frente do espelho e compõe seu palhaço. Para Pati de La Rocha, atriz, produtora e uma das idealizadoras do festival, sua palhaça reflete toda a sua personalidade, "como uma lente de aumento sobre os meus desejos e com a liberdade de expressão que normalmente não me é permitida evidenciar no dia a dia devido a tantos códigos e papeis socialmente impostos".
É através dessas características que surge Maçaroca, que está sempre estressada e preocupada em conciliar suas múltiplas atividades e encontra nas coisas simples e menos óbvias brechas para relaxar e aliviar essa tensão. Seu primeiro contato com o clown, termo usado para se referir à palhaçaria, foi durante uma oficina de improvisações em 2015. "Eu senti que este era o meu lugar. Um lugar onde a humanidade está presente em todas as suas características e o riso é instrumento de manifestação de tantos temas profundos, tanto de ordem pessoal, quanto coletiva", comenta Pati.
E é para tomar espaço em um ambiente predominantemente masculino que elas organizam o Festival Palhaças do Sul. Para Patrícia Sachett, atriz produtora cultural e empresária, mesmo fazendo parte de um ambiente consciente e descontruído, por ser artístico, o clown não se faz livre de um ambiente sem machismo. "Na prática ainda há muito a ser conquistado por respeito e igualdade de oportunidades. Vejo como caminho finalmente tirarmos o macho do centro da pauta. Agora somos nós. Nossa vez. O que nós mulheres queremos dizer? Vamos ouvir mais as colegas? Abrir espaço para trocas sobre nossos processos criativos? Bora se interessar mais sobre o que pensamos ou sentindo? Aonde eu, mulher palhaça, ainda me pego repetindo os padrões que tanto digo combater?", desabafa.
Em sua visão, o evento serve exatamente para abrir estes espaços de visualização e escuta entre as participantes, para fortalecer ainda mais a rede feminina de palhaças. Sua personagem, Ondina, é a elemental das águas e traz a perenidade dos mares, capaz de lapidar imensos rochedos. "Todas estas características da palhaça bebem da fonte do que há na minha vida como potência para o inusitado e para a comicidade", revela Patrícia.
Também uma das organizadoras do festival, Tiana Moon de 32 anos, complementa Pati de La Rocha falando sobre a autodescoberta na jornada de uma palhaça. Para ela, a atividade vai ao encontro da liberdade criativa interior, revelada durante cada transformação.
Sua palhaça, Expertirina, é uma bruxa feiticeira revolucionária que pratica feitiços de amor e justiça social, pois acredita que o riso é a magia mais potente para combater a opressão. Seus números são declarações de amor para mulheres revolucionárias: "As possibilidades são infinitas e quanto mais nos encontramos, mais percebemos não cabemos nas caixinhas estipuladas pela sociedade. E a palhaça o que que é? É o que ela quiser. E habita o palco, picadeiro, calçada, tela de TV, espaço virtual, beiras de praia. Enfim: nosso território é vasto e ilimitado".
Tiana conta que a sensação de acolhimento e liberdade criativa alcançada durante os espetáculos é um dos momentos mais marcantes da palhaçaria em sua vida, e também o predominante nas entrevistas com as palhaças. "O mundo é vasto e há oportunidade para todas. Principalmente quando penso na minha arte chegando em todas as gerações da minha família e amizades: enquanto minha tia-vó vê uma palhaça pela primeira vez aos seus 75 anos, a minha prima de 4 anos já está me acompanhado. É uma honra inenarrável para fazer parte deste movimento", finaliza.

Programação

22 de março

10h Oficina Feminismos e a máscara cômica, com Ana Fuchs, Daiani Brum e Tefa Polidoro

14h Oficina ELA - Experiência cênica para mulheres, com Kalisy Cabeda

Oficina Palhaçaria Hospitalar, com Eveliana Marques

19h Oficina Corpo Criatura: palhaçarias e comicidades desejantes, com Ana Flávia Garcia e Elisa Carneiro/Cabaré das Rachas (DF)

Oficina Palhaçaria Feminista Online, com Circo di Sóladies (SP)

23 de março

09h Dramaturgia na Palhaçaria Feminina, com Karla Conká e Ana Borges (RJ)

10h Oficina Feminismos e a máscara cômica, com Ana Fuchs, Daiani Brum e Tefa Polidoro

14h Oficina ELA - Experiência cênica para mulheres, com Kalisy Cabeda

Oficina Palhaçaria Hospitalar, com Eveliana Marques

19h Oficina Corpo Criatura: palhaçarias e comicidades desejantes, com Ana Flávia Garcia e Elisa Carneiro - Cabaré das Rachas (DF)

Oficina Palhaçaria Feminista Online, com Circo di Sóladies (SP)

24 de março

09h Dramaturgia na Palhaçaria Feminina, com Karla Conká e Ana Borges (RJ)

10h Oficina Feminismos e a máscara cômica, com Ana Fuchs, Daiani Brum e Tefa Polidoro

14h Oficina ELA - Experiência cênica para mulheres, com Kalisy Cabeda

Oficina Palhaçaria Hospitalar, com Eveliana Marques

19h Oficina Palhaçaria Feminista Online, com Circo di Sóladies (SP)

25 de março

09h Dramaturgia na Palhaçaria Feminina, com Karla Conká e Ana Borges (RJ)

18h Pesquisas na Roda

21h Espetáculo Cabaré das Privadas - As Theodoras - Direção Coletiva

26 de março

9h Dramaturgia na Palhaçaria Feminina, com Karla Conká e Ana Borges (RJ)

12h Podcast Palhaçaria preta e branca

14h Roda de Conversa Palhaçaria preta e branca

21h Cabaré Mathurine, de Kalisy Cabeda e Pati de La Rocha

27 de março

09 Dramaturgia na Palhaçaria Feminina, com Karla Conká e Ana Borges (RJ)

12h Podcast Máscaras cômicas

14h Roda de Conversa Diálogos sobre criação

17h Espetáculo Vai Passar, de Eveliana Marques

21h Cabaré da Mostra Tua Graça, de Lia Motta

23h Sessão Bendita - Palco Aberto c/ inscrições prévias

28 de março

12h Podcast Palhaçaria e psicologia

14h Espetáculo Irmãs Pulgas (Ateliê do Comediante)

17h Espetáculo Um dia, uma Palhaça, de Odelta Simonetti

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