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- Publicada em 21h05min, 20/11/2020.

Ministério do Turismo vai assumir Cinemateca Brasileira temporariamente

Comando ocorre enquanto se define contrato de gestão com uma entidade que fará sua gestão

Comando ocorre enquanto se define contrato de gestão com uma entidade que fará sua gestão


REPRODUÇÃO/CINEMATECA BRASILEIRA/JC
O governo Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou nesta sexta-feira (20) que o Ministério do Turismo vai assumir temporariamente a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, enquanto se define contrato de gestão com uma entidade sem fins lucrativos que fará sua gestão.
O governo Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou nesta sexta-feira (20) que o Ministério do Turismo vai assumir temporariamente a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, enquanto se define contrato de gestão com uma entidade sem fins lucrativos que fará sua gestão.
Em nota à imprensa, o Ministério do Turismo informou que Bolsonaro já assinou decreto sobre a absorção das atividades. O ato será publicado na próxima semana.
O governo não informou quando as equipes voltarão a trabalhar no local, nem quando haverá a reabertura.
Segundo o Turismo, haverá remanejamento, em caráter temporário, de cargos em comissão para coordenação das atividades do equipamento. "Com isso, será possível manter o gerenciamento de conteúdo e realizar ações para preservação da memória audiovisual brasileira", diz a nota.
A Cinemateca está totalmente fechada desde agosto após imbróglio criado pelo MEC (Ministério da Educação) com a Associação Roquette Pinto, organização social então responsável pelo local e também pelas atividades da TV Escola. O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub não renovou, no fim de 2019, o contrato de gestão com a associação, o que impactou também na gestão da Cinemateca.
O antigo Ministério da Cultura, cujas atribuições foram transferidas para a Cidadania e Turismo, constava apenas como interveniente no contrato com a associação. Assim, a decisão de Weintraub surpreendeu também a Secretaria Nacional de Audiovisual.
A entidade afirma que, desde o ano passado, deixou de receber do governo recursos da ordem de R$ 15 bilhões. Por isso entregou as chaves da instituição em agosto. A associação demitiu cerca de 40 funcionários das áreas de preservação, documentação e pesquisa, difusão, atendimento, administração e tecnologia da informação.
O MPF (Ministério Público Federal) chegou a ingressar, em julho, com ação na Justiça para que o governo renovasse, de forma emergencial, o contrato com a Roquette Pinto. O objetivo era evitar o abandono do acervo audiovisual da entidade, considerado um dos melhores do mundo.
A Justiça, entretanto, negou, em agosto, liminar sob o argumento de que cabe à União gerir o equipamento. Funcionário da Cinemateca relatam que, na situação atual de fechamento, há riscos com a preservação do acervo, inclusive de incêndio.
Procurado pela Folha, o presidente da Roquette Pinto, Francisco Câmpera, disse que teve acordo com o governo para pagar os funcionários da Cinemateca. "Entendo que isso é um passo importante para recuperação da Cinemateca, que só com os funcionários especializados terá condições de voltar a funcionar".
O Ministério do Turismo não respondeu questionamentos da Folha sobre a dívida com a associação e sobre os salários de funcionários.
Nos últimos meses, o abandono da Cinemateca Brasileira mobilizou entidades e cineastas, como Walter Salles e o americano Martin Scorsese, presidente da Film Foundation, instituição dedicada ao restauro de filmes.
O fim do Ministério da Cultura no governo Bolsonaro e a fragmentação das ações da área entre as pastas de Turismo e Cidadania têm relação com a demora na situação.
A Cinemateca havia figurado nos planos de Bolsonaro em maio deste ano, mas em assunto distante da crise por que ela passa. Após afastar a atriz Regina Duarte da Secretaria Especial de Cultura, o presidente prometeu a ela cargo na Cinemateca --mesmo que essa posição sequer existisse, como a Folha mostrou.
Antes de encerrar o contrato com a Roquette Pinto, Weintraub e o ministro Onyx Lorenzoni tentaram emplacar nomeações de aliados. A alta cúpula da Roquette Pinto avaliou, na ocasião, que a atitude de Weintraub fora uma retaliação porque as indicações não foram acolhidas.
Folhapress
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