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literatura

- Publicada em 19h00min, 04/10/2020.

Lançamento da editora Rocco revela personalidade de Clarice Lispector

Novo livro reúne, em uma única edição, todas as correspondências da escritora

Novo livro reúne, em uma única edição, todas as correspondências da escritora


ACERVO CLARICE LISPECTOR/DIVULGAÇÃO/JC
Roberta Requia
Cerca de 300 cartas de Clarice Lispector, sendo quase 50 inéditas, compõem a obra Todas as cartas (Rocco, 2020, 864 págs., R$ 119,90 - e-book R$ 59,90), que reúne em suas 864 páginas correspondências da escritora com amigos, suas irmãs e pessoas queridas. Sucessor de títulos como Correspondências (Rocco, 2002) e Minhas queridas (Rocco, 2007), a nova publicação revela uma Clarice intimista, carinhosa e afetuosa. O lançamento celebra os 100 anos do nascimento da autora, em 10 de dezembro de 2020.
Cerca de 300 cartas de Clarice Lispector, sendo quase 50 inéditas, compõem a obra Todas as cartas (Rocco, 2020, 864 págs., R$ 119,90 - e-book R$ 59,90), que reúne em suas 864 páginas correspondências da escritora com amigos, suas irmãs e pessoas queridas. Sucessor de títulos como Correspondências (Rocco, 2002) e Minhas queridas (Rocco, 2007), a nova publicação revela uma Clarice intimista, carinhosa e afetuosa. O lançamento celebra os 100 anos do nascimento da autora, em 10 de dezembro de 2020.
O conjunto inédito contém cartas endereçados a nomes como João Cabral de Melo Neto, Rubem Braga, Lêdo Ivo, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Nélida Piñon, Lygia Fagundes Telles, Natércia Freire e Mário de Andrade. O material, datado entre 1940 e 1970, contém ainda 510 notas da biógrafa Teresa Montero, que contextualiza o material no tempo, espaço e ainda adiciona citações a referências da época.
A ideia de reunir todas as correspondências em uma só edição surgiu em 2016, após o lançamento de Todos os contos (Rocco, 2016), seguido do também livro de correspondências Todas as crônicas, organizado por Pedro Karp Vasquez. Segundo o editor, foram dois anos de trabalho entre pesquisas e a localização das correspondências inéditas.
A obra contém posfácio inédito além de ilustrações pintadas pela própria escritora em vida. Para Vasquez, a edição constitui um esforço editorial complexo, já que reúne especialistas como o biógrafo Benjamin Moser, o professor português Carlos Mendes de Sousa e o brasileiro Ricardo Iannace, assim como as professoras Nádia Battella Gotlib e Clarisse Fukelman: “Esforço que, com certeza, permitirá ao mesmo tempo uma nova apreensão de sua personalidade e a mais correta apreensão de seu legado literário.” Além disso, duas amigas de Clarice, figuras ímpares da literatura brasileira, também estão no posfácio: Nélida Piñon e Marina Colasanti.
Segundo o editor, o conjunto oferece amplas possibilidades de conhecer e perceber mais sobre a escritora: “As correspondências lançam luz sobre a personalidade de Clarice como pessoa, irmã, esposa, mãe e amiga; e esclarecem numerosos aspectos de sua produção literária, tais como as motivações para a escrita de determinados livros ou a dificuldade encontrada para editar alguns deles, bem como problemas de tradução com os quais ela teve que se defrontar.” Ele também destaca o lado familiar da autora que, diferente da imagem de pessoa séria que tinha, desvenda-se como uma carinhosa irmã, esposa e mãe, em cartas endereçadas às irmãs mais velhas, ao marido e depois ao filho, Paulo Gurgel Valente, hoje curador da obra materna.
Algumas cartas, mesmo que pessoais, aprofundam o conhecimento sobre o desenvolvimento literário da escritora, bem como dificuldade em editar seus livros no Brasil durante a década de 1960. “Uma coisa que certamente surpreenderá muita gente, por exemplo, é saber que Clarice fez trabalho voluntário em sua estadia napolitana, visitando, consolando e amparando os feridos de guerra nos hospitais da cidade”, afirma Vasquez.
Para ele, a obra difere-se dos outros títulos de cartas da autora tanto no tamanho quanto na cronologia na qual as correspondências são organizadas: “São diversas cartas inéditas e todo o conjunto iluminado pelas 510 notas escritas pela professora Teresa Montero, esclarecendo todos os detalhes acerca dos destinatários das cartas de Clarice assim como de seu roteiro pela Europa e pelos Estados Unidos na condição de esposa do jovem diplomata (depois embaixador) Maury Gurgel Valente”.
Ucraniana naturalizada no Brasil, Clarice Lispector foi jornalista e é considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX. A autora lançou obras como Laços de família, Água viva, A segunda paixão e Perto do coração selvagem. Clarice faleceu em dezembro de 1977, aos 57 anos, por conta de um câncer que se espalhara por seu organismo, pouco tempo depois da publicação de seu último romance, A hora da estrela.
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