Porto Alegre, quarta-feira, 23 de setembro de 2020.

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FESTIVAL DE GRAMADO

- Publicada em 22h56min, 23/09/2020. Atualizada em 23h28min, 23/09/2020.

Comédia coletiva rodada na Região Metropolitana e Interior do RS concorre a Kikito

Protagonista Alexandre e colegas são operários de fábrica de estofados em 'Trapaça'

Protagonista Alexandre e colegas são operários de fábrica de estofados em 'Trapaça'


MATILHA FILMES/TAKE 04/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline Zatt da Silva
Rodada em 11 diárias nas cidades de Porto Alegre, Novo Hamburgo, Viamão e Veranópolis (na Serra do Rio Grande do Sul), a comédia coletiva Trapaça, dirigida por Luke Schatzmann, tem Aldo D’Ibanos, Caluan Rodrigues, Laís Malta, Lara Herschdorfer e Nathalia Nunes no elenco principal. O título foi selecionado para a Mostra de Longas Gaúchos do 48º Festival de Cinema de Gramado e concorre ao Kikito de melhor filme desta seleção no próximo sábado (26).
Rodada em 11 diárias nas cidades de Porto Alegre, Novo Hamburgo, Viamão e Veranópolis (na Serra do Rio Grande do Sul), a comédia coletiva Trapaça, dirigida por Luke Schatzmann, tem Aldo D’Ibanos, Caluan Rodrigues, Laís Malta, Lara Herschdorfer e Nathalia Nunes no elenco principal. O título foi selecionado para a Mostra de Longas Gaúchos do 48º Festival de Cinema de Gramado e concorre ao Kikito de melhor filme desta seleção no próximo sábado (26).
Os cinco títulos produzidos no Estado concorrentes no evento podem ser assistidos no streaming do Canal Brasil Play até o fim do dia desta quinta-feira (24). Uma série especial de entrevistas com os diretores gaúchos está disponível para leitura diária no hotsite de Cultura do Jornal do Comércio.
Em época de crise financeira, com a fábrica que os emprega sem condições de honrar empréstimos, cinco amigos decidem integrar uma cooperativa na esperança de não perder o emprego, salvando da empresa da falência. Porém, o empregador, dono da fábrica (que ironicamente é tio de um deles, o mais ingênuo) é o antagonista do mal de toda a trama. Tudo parece levar a um golpe, mas eles são inocentes e assinam os contratos sem ler.
Além de perderem a ocupação e as perspectivas profissionais, têm suas economias - para mudar de vida no futuro - surrupiadas como um investimento no negócio falso. Depois de narrar toda essa tragédia de modo cômico, o filme acrescenta elementos de ação e aventura na busca dos cinco anti-heróis pela vingança e retomada das rédeas de seus destinos.
As filmagens ocorreram no inverno, em julho de 2017. Todos os atores que estão no filme eram alunos dos cursos da escola de atuação Take 04. O elenco principal, os cinco atores protagonistas, formavam a turma que estava no curso de conclusão. Os outros atores que participaram estavam em diferentes módulos da escola, confirme explica Schatzmann, que também é roteirista e montador da produção.
O diretor conta que assim que começaram o processo de leitura de mesa e primeiros ensaios, foram descobrindo o tom certo para a comédia que queriam contar, "para que nada fosse exagerado a ponto de incomodar ou se tornar linear demais". Ele afirma que queriam escapar de fazer comédia pela piada apenas, mas que a construção de cada situação desse vida à comédia: "Queríamos humor e não apenas a piada. Toda e qualquer piada ganharia força a partir dessa construção".

Sonho de poder se ver na tela grande por amar a arte de atuar

Luke Schatzmann dirigindo cena externa em locação urbana
Luke Schatzmann dirigindo cena externa em locação urbana
MATILHA FILMES/TAKE 04/DIVULGAÇÃO/JC
Luke Schatzmann é o nome artístico de Luiz Cleber Alves Schatzmann, realizador audiovisual de 36 anos que nasceu em Bagé, mas mora em Porto Alegre desde bebê. Ele é professor de interpretação para TV e cinema desde 2003, tendo trabalhado nas principais escolas de formação de atores de Porto Alegre. "Desde 2009, sou um dos sócios fundadores da Take 04 - Escola de TV e Cinema, que tem sua sede no bairro Três Figueiras. Durante todos esses anos, fui o responsável por curtas e longas de formação dos atores em todas as escolas em que trabalhei. Trapaça, com muito orgulho, faz parte desse processo chamado Projeto Cinema, último módulo de nosso curso da Take 04 que tem a duração de um ano e, em sua conclusão, a gravação de um longa-metragem original, pensado e escrito especificamente para os atores que compõem a turma."
O diretor, roteirista e montador do longa conta que sua paixão por filmes vem desde sempre: "Meu pai sempre foi aficionado por filmes, tanto de assistir como comprar os filmes e consumir materiais que vinham deles". Schatzmann começou a escrever quando tinha 10 anos: "Fui estudando, em casa mesmo, por livros e muita pesquisa na internet, para saber como se desenvolvia uma estória, como também como se faziam filmes. Fiz meu primeiro filme no colégio em que estudava quando tinha 15 anos, reuni uma galera que era da minha turma e de outras turmas que se interessavam, e gravamos um filme de terror por alguns fins de semana. Depois dali, já sabia o que queria fazer e foi o processo natural de estudo e mercado de trabalho".
Ele cita como influências David Fincher na direção e Aaron Sorkin na criação de roteiros, entre todos os gêneros e profissionais que admira. Entre os gêneros de narrativa, recorda outra paixão que vem da infância e nunca se perdeu: ficção científica. 
JC - Qual a importância de ser selecionado para esta competição do Festival de Gramado? Haveria uma janela de visibilidade melhor neste momento para a estreia do longa? É a primeira vez da Take 04 no evento da Serra?
Luke Schatzmann - A notícia de termos sido selecionados para o Festival de Cinema de Gramado foi de uma alegria imensa. Foi a nossa primeira inscrição em 12 anos de Take 04 e, logo em nossa primeira vez, já tivemos a honra de sermos selecionados para o festival. Acredito que a maior importância para o trabalho que desenvolvemos na Take 04 é podermos mostrar o trabalho de atores em formação para milhares de pessoas do público e de profissionais do mercado audiovisual. Toda a visibilidade dada pelo Festival de Cinema de Gramado é uma grande oportunidade para isso, o que nos deixa extremamente felizes.
JC - Luke, tens formação em Cinema? Qual tua relação e de outros membros da equipe com o gênero da comédia, que permeia toda a narrativa - e depois vai ganhar tons de ação e aventura?
Schatzmann - Minha formação na verdade é incompleta em Publicidade e Propaganda. A minha verdade faculdade acabou sendo na prática, onde trabalho na área desde 2002. Independente da formação em faculdade, possuo meu registro profissional de roteirista e diretor.
Como trabalho com a formação de atores para a televisão e cinema desde 2003, todos os gêneros são trabalhados em vários módulos de nossos cursos. Além da linguagem para o cinema, trabalhamos com a formação para as linguagens de televisão e publicidade. Mesmo assim, não havia trabalhado o gênero específico da comédia em um longa-metragem dentro dos filmes de conclusão do Projeto Cinema, módulo de nosso curso no qual Trapaça faz parte.
Já tinha trabalhado em curtas, mas nunca em longa, e isso sim trouxe um pouco receio porque acertar a comédia, acertar o tom dela, é tão ou mais complicado do que o drama. Independente do gênero, tudo tem sua complicação. Particularmente, a comédia é um gênero que eu adoro e, principalmente, as comédias dos anos 1980.

Cinco amigos planejam vingança pelo golpe em que caíram na trama cômica
Cinco amigos planejam vingança pelo golpe em que caíram na trama cômica
MATILHA FILMES/TAKE 04/DIVULGAÇÃO/JC
JC - Quais foram as inspirações para este roteiro?
Schatzmann - No Projeto Cinema, módulo de finalização dos cursos da Take 04, o longa-metragem de conclusão é completamente original e pensado exclusivamente para os alunos que fazem parte, e no caso de Trapaça, nossos cinco atores protagonistas. Durante o trabalho desenvolvido em um ano de curso, muitos pontos são observados por mim e, no caso dessa turma, a comédia foi um gênero que vi como grande potencial para ser desenvolvido. A partir disso, busquei para o roteiro referências minhas pessoais mas que se encaixariam para os cinco atores, também. Eu cresci e adoro os filmes de John Hughes dos anos 1980, toda a forma de construção das comédias em que a piada vem para fortalecer o humor, não a piada simplesmente pela piada, além de toda a construção de personagem com real desenvolvimento.
JC - Um elemento cênico muito interessante de Trapaça é o Fusca de tom quase indefinível - um laranja, telha, bege – que é chamado de “ferro-velho” pelo vilão. Como ele entrou na narrativa?
Schatzmann - O Fusca tem o mesmo proprietário no filme e na vida real. Caluan Rodrigues, ator que realiza o personagem Alexandre, sempre me falou que tinha o carro e ele estava guardado em Veranópolis, sua cidade natal, e que ele tinha esse sonho de poder colocar ele em um filme. Na criação do roteiro, como a família do Caluan possuía uma fábrica de estofados, já tínhamos decidido que iríamos gravar muito do filme em Veranópolis então, decidi incorporar para o personagem o Fusca como parte da narrativa não só do personagem Alexandre em si, mas como quase um integrante do grupo.
JC - Locações: entre as cidades citadas, Veranópolis é a mais interiorana. Por que Trapaça foi filmado lá? E qual é o cenário do longa, é para ser uma cidade interiorana e pequena gaúcha qualquer, fictícia, sem nome?
Schatzmann - Na criação do roteiro de Trapaça, muitos elementos foram inseridos porque já tínhamos as locações e, uma fundamental para que acontecesse o filme era a fábrica onde os personagens principais trabalhariam. A fábrica no caso é a Estofados Comiotto, pertencente à família de um de nossos protagonistas. Como já havíamos realizado um outro Projeto Cinema na cidade de Veranópolis e, com a nossa principal locação já sendo na cidade, tínhamos toda uma facilidade de produção, além de apoios para alimentação e estadia. A escolha por não colocar no roteiro nominalmente a cidade em que acontece a história se deve pelo fato de que o que acontece no filme poderia acontecer em qualquer cidade de nosso Interior.
JC - Este é um filme independente? Como foi viabilizado financeiramente? Tu desenvolves várias funções no longa, mas há outros profissionais envolvidos. Como foi formada a equipe?
Schatzmann - Trapaça é um filme de conclusão do Projeto Cinema da Take 04, portanto o seu orçamento é basicamente uma cota de produção que compõe o valor do curso. Depois disso, buscamos acrescentar esse orçamento na busca de ações de patrocínio (onde inclusive os alunos participam na elaboração e busca), além de usarmos e muito da criatividade. Fazer cinema é algo muito caro, algo em que precisamos de muitas pessoas para poder realizar e, em nosso caso, os profissionais que trabalham nos filmes de conclusão da Take 04 trabalham por acreditar e muito no que é desenvolvido pela escola, na formação e no sonho de todos os atores que já fizeram e fazem parte desse processo de o que é fazer cinema. A equipe é composta sempre por profissionais que conhecemos do mercado audiovisual mas que acreditam em poder dar o seu máximo para ajudar na formação dos atores e no sonho dos alunos em realizar cinema. O Projeto Cinema foi criado há 12 anos porque queríamos dar a oportunidade para que as pessoas, independente se elas tivessem o desejo de seguir a carreira na atuação ou simplesmente tivessem o sonho de realizar um filme e poder se ver na tela grande por amar a arte de atuar. Dentro desses doze anos, realizamos mais de 35 filmes, entre curtas e longas, e Trapaça vem coroar todo esse trabalho com essa incrível seleção para o Festival de Cinema de Gramado.
JC - Em que projetos está envolvido atualmente?
Schatzmann - Atualmente estou no aguardo para que tudo isso que estamos vivendo se normalize para podermos dar seguimento as aulas na escola Take 04. Todo esse ano tem sido muito complicado para todos e, para mim particularmente e para a escola, não é diferente. Além de todos os projetos que a Take 04 realiza (além de curtas e longas, realizamos séries) que envolvem roteiro, direção, montagem, etc, estou envolvido em trabalhos publicitários e algumas novidades que estamos preparando para quando tudo se normalizar.
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