Porto Alegre, quarta-feira, 23 de setembro de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
quarta-feira, 23 de setembro de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

música

- Publicada em 17h30min, 13/09/2020. Atualizada em 18h32min, 14/09/2020.

Arthur de Faria lança trilha do espetáculo 'Antígona', de 2004

Um dos processos mais complexos de criação foi musicar os coros do texto original

Um dos processos mais complexos de criação foi musicar os coros do texto original


FLAVIO WILD/DIVULGAÇÃO/JC
A YB Music, gravadora independente baseada em São Paulo, lançou nas plataformas digitais a trilha do espetáculo Antígona, escrita, arranjada e produzida pelo músico Arthur de Faria. A montagem do diretor teatral Luciano Alabarse foi um sucesso e lotou o Theatro São Pedro na temporada de estreia, em 2004.
A YB Music, gravadora independente baseada em São Paulo, lançou nas plataformas digitais a trilha do espetáculo Antígona, escrita, arranjada e produzida pelo músico Arthur de Faria. A montagem do diretor teatral Luciano Alabarse foi um sucesso e lotou o Theatro São Pedro na temporada de estreia, em 2004.
O trabalho musical nunca foi lançado “oficialmente”. Foi prensado um CD, vendido somente nas apresentações da peça e em shows, mas nunca foi para nenhuma loja, plataforma ou teve qualquer espécie de divulgação de imprensa.
Em 2004, capitaneados por Alabarse e a professora austríaca radicada em Porto Alegre Kathrin Rosenfeld, um grupo de 40 pessoas, entre atores, bailarinos, cantores e equipe técnica embarcou numa profunda imersão no mundo grego clássico de 25 séculos atrás da obra do autor Sófocles. Um dos processos mais complexos de criação desse espetáculo foi musicar os coros do texto original, traduzidos direto do grego por Lawrence Pereira.
Com o foco no texto, em não alterar sua métrica ou seus acentos, Arthur de Faria criou uma música basicamente atonal, por vezes tonal, muitas vezes politonal ou modal, distorcida, lírica e misteriosa. Não é coisa mais fácil de se cantar com um coro, e por isso foi feito um trabalho intenso de meses de ensaio com Marcelo Delacroix na direção do coral.
A base instrumental, por sua vez, foge da instrumentação convencional de música de câmara. O único link é o set de percussão, o mesmo de A história do soldado, de Stravinsky. No mais, saxes soprano e barítono (um sopro ligado à música popular), e dois instrumentistas de cordas dedilhadas: um na guitarra processada com uma infinidade de pedais, o outro alternando guitarra, sitar indiano e viola, também processados. Arthur tocou baixo elétrico em uma faixa.

Mais detalhes sobre o autor e a produção

A base instrumental foge da instrumentação convencional de música de câmara
A base instrumental foge da instrumentação convencional de música de câmara
FLAVIO WILD/DIVULGAÇÃO/JC
Arthur de Faria é compositor, arranjador, cantor, pianista, produtor de discos, pesquisador e doutorando em Literatura Brasileira (Ufrgs) com tese sobre Lupicínio Rodrigues. Dá aulas de história da música brasileira.
Produziu 30 discos, participou de outros 50, escreveu 60 trilhas para cinema e teatro, arranjou para duas dezenas de artistas (de Fernanda Takai a Siba), e teve peças suas interpretadas por orquestras como a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa). Lançou 17 álbuns e EPs, dois deles pela YB Music: Música pra bater pezinho, com o Arthur de Faria & Seu Conjunto (2004), e A vida agitada da superfície, com Arthur de Faria & Orkestra do Kaos (2018).
Escreveu nove publicações – como Elis, uma biografia musical (2015). Seu projeto principal desde 2017 é a Tum Toin Foin Banda de Câmara, misto de orquestra de câmara e banda de jazz, dedicada a seu repertório instrumental.
Créditos de Antígona
Corifeu: Arlete Cunha
Sopranos: Vivian Schäfer, Vanessa Longoni e Deisi Coccaro
Contraltos: Cláudia Braga, Áurea Baptista e Lívia Dávalos
Tenores: Mateus Mapa, Leandro Maia e Marcelo Delacroix
Baixos: Rodrigo Siervo, Rodrigo Scalari e Paulo Fernandes
Direção do coro: Marcelo Delacroix
Rafael Lima - Saxes Soprano e Barítono
Angelo Primon - Guitarra Semi-Acústica, Sitar e Viola Caipira
Marcelo Corsetti - Guitarra
Ricardo Arenhaldt - Percussão de Orquestra
Tradução do grego: Lawrence Pereira
Trilha da montagem feita por Luciano Alabarse, em 2004
Gravado e mixado por Gustavo Breier na Tec Audio, Porto Alegre
Escrito, arranjado e produzido por Arthur de Faria
Fotos e Arte: Flávio Wild
Comentários CORRIGIR TEXTO