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literatura

07/05/2020 - 22h35min. Alterada em 09/05 às 14h48min

Mauren Veras lança segundo título infantil baseado em experiência da maternidade

Cartunista, ilustradora, mãe, bordadeira e professora de HQ para crianças divulga obra 'A cidade das chupetas'

Cartunista, ilustradora, mãe, bordadeira e professora de HQ para crianças divulga obra 'A cidade das chupetas'


ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline Zatt da Silva
Formada em Jornalismo, a cartunista e ilustradora Mauren Veras ainda trabalha como Social Media Sênior e é mãe do Elvis (5 anos e 7 meses) e da Ramona (2 e 8 meses). Ela sempre gostou do universo de fantasia que é mais ligado à infância, e começou a criar histórias ainda quando criança. Porém, a maternidade trouxe isso de volta, e de forma muito forte, conforme relata.
Formada em Jornalismo, a cartunista e ilustradora Mauren Veras ainda trabalha como Social Media Sênior e é mãe do Elvis (5 anos e 7 meses) e da Ramona (2 e 8 meses). Ela sempre gostou do universo de fantasia que é mais ligado à infância, e começou a criar histórias ainda quando criança. Porém, a maternidade trouxe isso de volta, e de forma muito forte, conforme relata.
A autora já está trabalhando no lançamento de seu segundo título infantil, A cidade das chupetas (Much, 32 págs., R$ 39,90), sobre a despedida entre um menino e sua "pepeta". Mauren resume a curta narrativa como uma história de amizade e empatia: "Acho que a noção de empatia, o conceito, não é entendido pelas crianças como nós, adultos, entendemos. Quero dizer com isso que não espero que elas aprendam o que é ser empático. A ideia é que as crianças tenham contato com essa questão de uma forma que elas possam compreender e, talvez, internalizar".
Na história, conforme conta a artista, a chupeta é amiga do protagonista, que gosta muito dela. "Isso é fácil para uma criança entender, porque toda criança que chupa bico gosta muito do seu bico. Então, eu procuro colocar pra criança, de uma forma que ela compreenda, que aqueles que a gente ama também possuem necessidades e desejos que, muitas vezes, estão fora da nossa convivência pessoal. O exercício de empatia está em deixar o ser amado viver esta vontade", conclui.
Com duas crianças em casa, ela afirma ter um terreno fértil de inspiração para criar e ilustrar histórias. O que ocorreu com seu primeiro livro, O cocô amigo (2018, Much) - que publicou com a ideia de ajudar o Elvis a superar o medo de fazer cocô no vaso em uma época em que ele já não usava mais fraldas pra fazer xixi, mas pedia sempre pra fazer cocô -, se repete agora com A cidade das chupetas
Seu filho chupou bico até os 3 anos de idade, e a dependência dele começou a incomodar a autora, que pesquisou sobre os possíveis malefícios do uso continuado e resolveu dar um fim ao hábito. "O único 'método' que conhecia na época era o de 'dar para o Papai Noel em troca de um brinquedo'. Comprei um brinquedo que ele escolheu, dei para meu filho e percebi que ele estava bem desconfortável com aquela situação".
Segundo ela, a falta ainda ocasionou bastante sofrimento para Elvis por uns dias, até que foi se acostumando. "Não saía da minha cabeça que poderia haver um meio de fazer essa transição de forma menos sofrida. Acredito no poder de uma boa história para promover os mais diversos ensinamentos às crianças", narra.
A princípio, Mauren não prevê uma continuidade dos livros com essas temáticas de passos da infância: "Mas já recebi mensagens de mães me questionando se teria uma história para ajudar as crianças a largarem a mamadeira. Apesar de achar que até existe uma demanda, não penso em fazer uma história com essa finalidade. O que crio acompanha muito o que vivo com as crianças, e a mamadeira não foi nenhum problema por aqui."
No desenrolar de A cidade das chupetas, o garoto tem um pouco de saudade da "pepeta", mas fica bem, pois ela volta ao seu lar. O trecho diz assim: "Ele também estava em casa e sabia que a casa da gente é o lugar onde nos sentimos mais felizes!". 
Assim, vem a questão para a autora de como está seu ambiente de inspiração com todos da família juntos em casa ao mesmo tempo: "Acho difícil dizer como a maternidade muda na quarentena, porque cada um está vivendo de uma maneira diferente, né? Não tenho do que me queixar, meu marido, sim, porque ele é tatuador e está sem renda nenhuma. Não sente só falta da renda, mas também de trabalhar, de produzir".
No entanto, o que para o papai é ruim tem outras visões positivas. "Pra mim, veio muito a calhar, porque estou numa fase super produtiva, trabalhando na divulgação do livro, produzindo ilustrações para um canal de humor materno (@momsters___), que é um trabalho que tem muito a ver com o que também faço, que é desenho de humor sobre maternidade, e meu marido tá em casa, cozinhando (e bem!) todos os dias, dá atenção para as crianças, e assim posso tocar as minhas demandas. E como eu sou autônoma, eu não tenho aquele compromisso de 'bater ponto virtual', de fazer call, de estar presente para uma equipe", comenta Mauren.
Claro que ela reconhece estar pesado sem o marido não poder trabalhar, mas pondera que não lhes falta nada, então não pode se queixar: "Me entristece saber que existam realidades muito distintas da minha e, com a situação da pandemia no Brasil do jeito que está, exista tanta gente sofrendo e padecendo e morrendo!".
Sobre encantar as crianças com sua arte, a ilustradora recorda que já foi "muito a mãe louca do estímulo criativo (risos)". Agora é menos, mas gosta, quer que eles se sintam estimulados: "Gosto de passar o amor que tenho pelos livros, adoro ler histórias para eles, adoro ainda mais quando pedem, porque é sinal de que se interessam (embora nem sempre estejamos com vontade ou disponíveis para as demandas deles). Acho que a leitura é um estímulo muito rico para eles".
No lar da cartunista e do tatuador, ambos pais que desenham, é natural que os pequenos se sintam encorajados, e talvez desenvolvam o talento como herança. "Gosto dessa coisa de ser natural, porque eles vão crescer em um lar onde a arte é validada pelo convívio. Não que isso não possa existir em uma casa onde os pais têm profissões 'não-artísticas', digo mais porque eu mesma demorei a me perceber como artista, porque na minha casa nem minha mãe nem meu pai são dessa área. Eu adoraria ver meus filhos indo para esse lado, sentiria muito orgulho, mas também não tenho como saber", responde Mauren.
A autora diz observar que a criança bem estimulada tem um crescimento da autoestima, sentindo-se mais capaz de realizar o que se propõe. "Então, acho que eles vão acabar buscando conhecer o mundo com um pouco mais de segurança", conclui a ilustradora, ensaiando uma comemoração.

Detalhes sobre a publicação e a autora

Livro infantil de Mauren Veras já tem pré-venda pelo site da Much Editora
Livro infantil de Mauren Veras já tem pré-venda pelo site da Much Editora
MUCH EDITORA/DIVULGAÇÃO/JC
O livro infantil A cidade das chupetas (2020, 32 págs.) é um recurso lúdico para ser utilizado pelas famílias que querem proporcionar uma transição mais tranquila para o momento de retirada da chupeta. Lançado pela Much Editora, ele está em pré-venda pelo site a R$ 39,90.
A autora Mauren Veras é cartunista e ilustradora. Nasceu em 1980 e é mãe de um casal: Elvis e Ramona. É formada em Jornalismo e faz desenho de humor desde 2006. Em 2017, começou a desenhar sobre as aventuras da maternidade e chegou a ser colaboradora da revista semanal feminina de um jornal local por mais de um ano. É de sua autoria o livro infantil O cocô amigo - desfralde lúdico (2018), também publicado pela Much Editora.
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