Porto Alegre, sexta-feira, 06 de março de 2020.

Jornal do Comércio

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cinema

Notícia da edição impressa de 06/03/2020. Alterada em 05/03 às 19h08min

Comédia dramática francesa traz confusão e lições de vida

Fabrice Luchini e Patrick Burel como Arthur e César em 'O melhor está por vir'

Fabrice Luchini e Patrick Burel como Arthur e César em 'O melhor está por vir'


MIKA COTELLON/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline Zatt da Silva
"É complicado". A frase é bastante repetida pelo protagonista quando tenta explicar a imensa confusão em que se meteu na trama do longa francês O melhor está por vir (em tradução literal do título original). Arthur, vivido por Fabrice Luchini, é um pesquisador do Instituto Pasteur, formado em Medicina, que é amigo há muitas décadas do bom vivant Cesar (Patrick Bruel), que conheceu ainda no colégio interno em Biarritz.
"É complicado". A frase é bastante repetida pelo protagonista quando tenta explicar a imensa confusão em que se meteu na trama do longa francês O melhor está por vir (em tradução literal do título original). Arthur, vivido por Fabrice Luchini, é um pesquisador do Instituto Pasteur, formado em Medicina, que é amigo há muitas décadas do bom vivant Cesar (Patrick Bruel), que conheceu ainda no colégio interno em Biarritz.
A vida dos dois colegas, que estão meio afastados ultimamente, vira de cabeça para baixo quando Arthur tenta ajudar Cesar, quando ele aparece repentinamente no seu edifício com as costas machucadas. O mal-entendido começa quando o malandro faz um exame utilizando o nome do amigo "certinho" (para se valer do seguro-saúde), sem jamais imaginar que o diagnóstico poderia trazer a pior das notícias: apenas seis meses de vida pela frente.
Sem esperança de cura ou de tratamento que tenha algum resultado câncer de pulmão avançado, a única saída é aproveitar os últimos momentos da melhor forma possível, resolvendo traumas do passado, revelando mentiras, resgatando o espírito da amizade juvenil, o companheirismo e o suporte mútuo. Aquele que é aventureiro leva riscos e cor à vida do tradicional pesquisador, enquanto o profissional de vida estável aproxima o libertino de questões profundas. 
Mas, afinal, quem está doente? Talvez pouco importe, desde que ambos desfrutem de uma refeição significativa como um pato laqueado em Belleville ou joguem juntos em um cassino, para acordar na praia, vestindo smoking. 
A obra com diversos momentos de humor tem muitas características comuns às comédias dramáticas ou românticas de sucesso na França contemporânea (ou mesmo da Espanha ou da nossa vizinha Argentina), sem se aproximar do gênero "pastelão" ou extrapolar nos clichês. A qualidade dos atores em suas interpretações contidas blinda a narrativa dos exageros.
A escolha pelo argelino Patrick Bruel (que é bem conhecido neste estilo, tendo participado de Sexo, amor e terapia, de 2014, e Paris-Manhattan, de 2012) para o elenco confirma essa intenção. Os diretores Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte já tinham trabalhado com o ator em Qual é o nome do bebê? (2012).
O roteirista Chantal Pernecker também merece destaque pela reviravolta do roteiro, que já tinha uma premissa cômica em consistente, mas traz ainda mais surpresas. Seria injusto com o espectador antecipar aqui neste texto a virada no arco dramático, mas pode-se afirmar que a obra vai dos risos às lágrimas.