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cinema

- Publicada em 19h48min, 01/03/2020. Atualizada em 09h25min, 02/03/2020.

Autoria feminina alemã é destaque na Sala Redenção

'Hannah Arendt - Ideias que chocaram o mundo' é um dos filmes da mostra gratuita 'Diretoras do cinema alemão em foco'

'Hannah Arendt - Ideias que chocaram o mundo' é um dos filmes da mostra gratuita 'Diretoras do cinema alemão em foco'


HEIMATFILM/DIVULGAÇÃO/JC
Um dos principais mercados no mundo da indústria cinematográfica, famoso, especialmente, pelos diretores Werner Herzog, Fritz Lang e Wim Wenders, a Alemanha será homenageada desta segunda-feira (2) a 18 de março, na Sala Redenção - Cinema Universitário da Ufrgs (Eng. Luiz Englert, s/nº). Desta vez, a rica produção das diretoras mulheres será retratada com seis profissionais e sete filmes na mostra gratuita Diretoras do cinema alemão em foco, resultado de uma parceria do Departamento de Difusão Cultural da universidade com o Goethe-Institut.
Um dos principais mercados no mundo da indústria cinematográfica, famoso, especialmente, pelos diretores Werner Herzog, Fritz Lang e Wim Wenders, a Alemanha será homenageada desta segunda-feira (2) a 18 de março, na Sala Redenção - Cinema Universitário da Ufrgs (Eng. Luiz Englert, s/nº). Desta vez, a rica produção das diretoras mulheres será retratada com seis profissionais e sete filmes na mostra gratuita Diretoras do cinema alemão em foco, resultado de uma parceria do Departamento de Difusão Cultural da universidade com o Goethe-Institut.
Algumas das escolhidas pela curadoria realizada por Vitor Cunha e pela equipe do cinema universitário da Ufrgs são figuras conhecidas do grande público, como as experientes Margarethe Von Trotta e Maren Ade. Outras tiveram pouco ou nenhum espaço no circuito brasileiro nas últimas décadas.
A coleção abarca obras lançadas de 1980 a 2013 em um país que ainda apresenta uma larga distinção entre homens e mulheres em suas produções: entre 2016 e 2017, segundo relatório realizado pelas emissoras públicas ARD e ZDF, somente 20% dos filmes lançados no período na Alemanha foram dirigidos por mulheres. No Brasil, a título de comparação, o cenário não é diferente. Em 2016, homens dirigiram 77,5% dos longas exibidos em salas comerciais, segundo dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine).
A mostra ilustra três documentários e quatro dramas considerados de relevância pela crítica especializada. Todos foram produzidos na Alemanha Ocidental e trazem à grande tela roteiros que envolvem desde a Segunda Guerra Mundial como a intimidade de uma criança em uma Alemanha dividida nos anos 1950. 
As sessões começam às 16h desta segunda-feira (2), com Anos de fome (1980), de Jutta Brückner. No enredo, Ursula, em 1953, tem 13 anos; já a República Federal da Alemanha, apenas quatro. É a era de Adenauer com o retorno aos valores tradicionais. A protagonista se refugia no mundo dos sonhos, mas sem poder conciliar suas próprias necessidades com a realidade da vida cotidiana.
Já a atração das 19h é A floresta das ilusões (2003), de Maren Ade - com representação terça-feira (3), às 16h. Do drama mais recente, Melanie Pröschle é uma jovem professora da província, que, cheia de idealismo, abraça o seu primeiro trabalho em uma escola da cidade. Logo descobre que não vai ser fácil começar uma nova vida. Esse filme será seguido de debate com Juliana Costa, crítica de cinema e integrante do Cineclube Academia das Musas.
Na terça-feira (3), às 19h, é a vez do longa Hannah Arendt - Ideias que chocaram o mundo (2012), da diretora Margarethe von Trotta. Depois de acompanhar o julgamento do criminoso nazista Adolf Eichmann em Jerusalém, Hannah ousa escrever sobre o Holocausto como nunca havia sido feito antes. O trabalho provoca escândalo imediato, e ela permanece firme enquanto é atacada por amigos e inimigos. No dia 16, após a exibição das 19h, este título será comentado pela professora e crítica Fatimarlei Lunardelli.
O quarto drama da seleção é Brigitta (1994), de Dagmar Knöpfel. Na trama, um jovem pintor do século XIX parte para visitar um amigo na Hungria e fica impressionado com a beleza da natureza.
Entre os documentários da mostra está Sob a neve, uma coprodução com Japão, lançada em 2011. As paisagens e vilas da região de Echigo passam boa parte do ano cobertas de neve. Há gerações e gerações, o fenômeno influi diretamente na rotina de seus habitantes, que programam suas vidas de acordo com o volume e a altura da neve. Para investigar a rotina e os rituais da região, a cineasta Ulrike Ottinger partiu para a mítica terra da neve na companhia de dois artistas kabuki.
As obras que fecham o ciclo são dois documentários de Antonia Lerch feitos em períodos diferentes, com a mesma protagonista: a mulher turca Berlim. Em Antes do casamento (1996), ela tem 23 anos e vive na capital alemã com seus pais, turcos alauítas, que desejam ver a filha casada. Apesar de muitas tentativas de rebelião, Berlim não pode levar uma vida independente. Preferiria ser aeromoça a formar família. Sua única esperança é alcançar um pouco de liberdade através do matrimônio.
Em Depois do casamento (2013), Berlim está casada, mas as coisas não ocorreram conforme ela esperava. Os longas podem ser vistos em sequência, na sexta-feira, às 16h e às 19h.
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