Porto Alegre, terça-feira, 18 de fevereiro de 2020.

Jornal do Comércio

Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

CORRIGIR

Cinema

10/02/2020 - 19h41min. Alterada em 10/02 às 19h41min

Sem barreiras (e com legendas): o triunfo de 'Parasita'

Sul-coreano Bong Joon-ho fez história ao levar o Oscar de Melhor Filme

Sul-coreano Bong Joon-ho fez história ao levar o Oscar de Melhor Filme


Frederic J. BROWN/AFP/JC
Quando Parasita ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, no início de janeiro, o diretor Bong Joon-ho fez um discurso impactante. "Quando vocês ultrapassarem apenas alguns centímetros da barreira das legendas, vocês descobrirão tantos filmes incríveis", afirmou, sob aplausos. Mal imaginava que, pouco mais de um mês depois, sua obra se tornaria o primeiro passo efetivo para derrubar essa barreira, ao se tornar o primeiro longa não falado em inglês a abocanhar o principal prêmio da 92ª edição do Oscar - além de outras três estatuetas.
Quando Parasita ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, no início de janeiro, o diretor Bong Joon-ho fez um discurso impactante. "Quando vocês ultrapassarem apenas alguns centímetros da barreira das legendas, vocês descobrirão tantos filmes incríveis", afirmou, sob aplausos. Mal imaginava que, pouco mais de um mês depois, sua obra se tornaria o primeiro passo efetivo para derrubar essa barreira, ao se tornar o primeiro longa não falado em inglês a abocanhar o principal prêmio da 92ª edição do Oscar - além de outras três estatuetas.
A vitória do longa sul-coreano como Melhor Filme Estrangeiro já era esperada, especialmente depois do triunfo no Globo de Ouro e no Festival de Cannes, este mais democrático que as premiações norte-americanas. Na primeira estatueta recebida por Parasita neste domingo, de Melhor Roteiro Original, ficou a impressão de que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, diante de uma obra-prima, buscava recompensar a produção asiática com um pouco mais do que geralmente concede a "intrusos" na grande festa do cinema norte-americano. Veio, então, o reconhecimento pessoal ao incrível trabalho de Joon-ho, agraciado com o Oscar de Melhor Direção, superando pesos pesados como Martin Scorsese (que não levou nada com seu O irlandês) e Quentin Tarantino (cujo Era uma vez em... Hollywood ficou com duas estatuetas, de Direção de Arte e de Melhor Ator Coadjuvante, para Brad Pitt), ambos homenageados pelo cineasta asiático em seu discurso em Los Angeles.
A consagração completa, com o Oscar de Melhor Filme, era inesperada, tendo em conta que isso jamais havia acontecido em quase um século de premiação. Mas ela veio, deixando para trás outros favoritos, como o plano-sequência sobre a Primeira Guerra Mundial 1917, de Sam Mendes, que só levou prêmios técnicos.
O grande feito de Parasita - que explora o tema da luta de classes de forma bem-humorada e não maniqueísta - é permitir àqueles que gostam de cinema sonhar com um futuro mais plural para a sétima arte. A hegemonia de Hollywood não vai terminar por conta de um único filme, mas, com o reconhecimento de que o melhor longa-metragem do ano não foi produzido pela principal indústria cinematográfica do planeta, e sim por um país distante, com idioma e costumes tão distintos (e com uma política cultural de valorização do cinema nacional, mas sem ufanismo), já é um grande passo. Que outros "parasitas" tomem conta das salas de cinema, mostrando que em todos os lugares do mundo há grandes histórias sendo contadas, independentemente da língua. E da necessidade de legendas.
O triunfo de um filme estrangeiro no Oscar 2020 não isenta a Academia de outras críticas, como a falta de representatividade. Em um ano de quase inexistência de indicados negros, a vitória do curta de animação Hair love, sobre a relação de uma menina negra com seu cabelo, foi bastante saudada.
Ente os prêmios de interpretação, além de Brad Pitt, os demais vendedores já eram esperados: Joaquin Phoenix, Melhor Ator por Coringa (indicado em 11 categorias, o longa de Todd Phillips só levou duas, sendo a outra de Melhor Trilha Sonora, contemplando uma mulher, Hildur Guðnadóttir); Renée Zellweger, eleita Melhor Atriz por Judy - Muito além do arco-íris; e Laura Dern, Melhor Atriz Coadjuvante por História de um casamento.
A expectativa em relação ao documentário Democracia em vertigem, que narra os fatos que levaram ao impeachment da presidente Dilma Rousseff e à polarização política no Brasil, acabou sendo frustrada. O filme de Petra Costa, assim como os demais indicados, foi preterido por Indústria americana, produzido pelo ex-presidente Barack Obama e sua esposa, Michelle - curiosamente, o único concorrente em língua inglesa.

Todos os vencedores do Oscar 2020

Filme: Parasita, de Bong Joon-ho
Direção: Bong Joon-ho, por Parasita
Atriz: Renée Zellweger, por Judy
Ator: Joaquin Phoenix, por Coringa
Filme estrangeiro: Parasita, de Bong Joon-ho
Documentário: Indústria americana, de Steven Bognar, Julia Reichert e Jeff Reichert
Animação: Toy story 4, de Josh Cooley, Mark Nielsen e Jonas Rivera
Atriz coadjuvante: Laura Dern, por História de um casamento
Ator coadjuvante: Brad Pitt, por Era uma vez em... Hollywood
Roteiro original: Parasita
Roteiro adaptado: Jojo Rabbit
Direção de fotografia: 1917
Direção de arte: Era uma vez em... Hollywood
Montagem: Ford vs. Ferrari
Edição de som: Ford vs. Ferrari
Mixagem de som: 1917
Efeitos visuais: 1917
Trilha sonora: Coringa
Canção original: I'm gonna love me again, de Elton John e Bernie Taupin (Rocketman)
Figurino: Adoráveis mulheres
Cabelo e maquiagem: O escândalo
Curta-metragem: The neighbors' window, de Marshall Curry
Curta-metragem documental: Learning to skateboard in a warzone (If you're a girl), de Carol Dysinger e Elena Andreicheva
Curta de animação: Hair love, de Matthew A. Cherry e Karen Rupert Toliver