Porto Alegre, terça-feira, 18 de fevereiro de 2020.

Jornal do Comércio

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Artes cênicas

Notícia da edição impressa de 12/02/2020. Alterada em 12/02 às 08h38min

'Tocar Paraíso' tece críticas ao capitalismo

Espetáculo está em cartaz no Goethe-Institut pelo Porto Verão Alegre

Espetáculo está em cartaz no Goethe-Institut pelo Porto Verão Alegre


BRUNO GULARTE BARRETO/DIVULGAÇÃO/JC
Frederico Engel
Reflexões contemporâneas sobre a sociedade conectada em suas diferentes frentes. Essa é a proposta do espetáculo Tocar Paraíso, da Companhia Espaço em Branco, que integra a programação do Porto Verão Alegre, com ingressos entre R$ 32,00 e R$ 40,00. A peça tem sessões no Goethe-Institut (24 de Outubro, 112) até sexta-feira, sempre às 20h.
Reflexões contemporâneas sobre a sociedade conectada em suas diferentes frentes. Essa é a proposta do espetáculo Tocar Paraíso, da Companhia Espaço em Branco, que integra a programação do Porto Verão Alegre, com ingressos entre R$ 32,00 e R$ 40,00. A peça tem sessões no Goethe-Institut (24 de Outubro, 112) até sexta-feira, sempre às 20h.
São três histórias distintas dentro do mesmo espetáculo, conectadas pelo âmbito micro no lado pessoal, sendo este afetado pelo macro, apresentado como a vertente econômica. "Encenamos uma visita de um filho ao pai na UTI; um trem que cruza a Alemanha; e um casal de operárias chinesas que trabalha numa indústria de pilhas, fugindo para a Itália em um trem. Os trilhos se tornam uma das formas de entrelaçar as narrativas", explica o diretor João de Ricardo.
Assim, Tocar Paraíso apresenta a estrutura de um drama com elementos de musical e que tece uma crítica sobre o capitalismo. "Tais argumentações estão articuladas no grande texto de Thomas Köch (o dramaturgo austríaco autor da obra)", observa o diretor. 
A partir do roteiro original, foram realizadas adaptações que tornassem a peça mais próxima do público brasileiro. "Ele já é forte por ser macro, mas, quando o tornamos mais próximo, fica ainda mais impactante. Entre os temas que trabalhamos estão o consumo sem responsabilidade, a degradação da natureza, e os problemas da exploração do trabalho surgem como metáforas humoradas, buscando ser uma forma de fazer com que o espectador pense sobre a sua função no jogo de poderes", defende.
Com o texto geopolítico de Köch, a relação econômica e política faz parte da estrutura da peça. "Ele mostra o chão de fábrica por meio de uma das histórias, e percebemos que se assemelham muito conosco: trata-se de um drama próximo a todos que vivem neste sistema. E as ligações vão sendo estabelecidas ao longo do espetáculo, com a cena literalmente colidindo uma com a outra, os trens e trilhos se atravessam. O progresso passa por cima de tudo", destaca João de Ricardo.
A adição das canções que não estão no texto original, e que acrescentam ironia ao enredo, é uma das formas de auxiliar na inserção do contexto brasileiro. Esses elementos se configuram como um modo de valorizar o que é nacional. "Existe uma colonização cultural, um processo que é histórico e afeta de forma macro, com a cultura de massa e pop. Essa é uma estética específica que vem dos Estados Unidos, e que se torna absoluta. Com Tocar Paraíso, é apresentado um desafio para essa superioridade americana, com o modernismo e o tropicalismo. Eu devoro essa cultura estadunidense", argumenta o diretor.
Para que seja possível executar as adaptações, João de Ricardo insere o que explica ser o ímpeto antropofágico de engolir a cultura hegemônica. Entre novidades, ele apresenta uma união de Carlos Gomes e Vivaldi. O dramaturgo afirma que isso faz parte das táticas cênicas, ao criar um efeito de distanciamento crítico, utilizando uma música que não tem necessariamente relação.
"Não é apenas com a palavra dita que é possível exibir a mensagem que se quer comunicar. Os recursos de música, dança e imagem também são aproveitados no espetáculo. Palavras que sobram, eu corto e posso contar de outra forma com características cênicas", ressalta.
A Cia. Espaço em Branco reúne um grupo de artistas que têm uma trajetória diversa, extrapolando a linguagem da atuação em suas experiências, mas que também são habilitados para dançar, fazem ativismo de gênero, escrevem e criam imagens em movimento para chegar ao resultado final de Tocar Paraíso. "Os atores são muito bons, uma equipe de excelência", elogia João de Ricardo.
Um dos objetivos que o diretor busca com a peça é que o público possa ver o teatro como uma forma de reflexão. "A arte é o tesouro da humanidade, da alma. É capaz de dobrar o sistema, alterar cenários e fazer pensar sobre si. Ela executa microrrevoluções, possibilitando a capacidade de enxergar coisas", acredita.

Outras atrações do Porto Verão Alegre

A válvula: comédia no Bar do Nito (Lucas de Oliveira, 105), às 20h;
Cris Pereira ponto show: comédia no Teatro da Amrigs (Ipiranga, 5.311), às 21h;
Danke: drama na Sala Álvaro Moreyra (Érico Veríssimo, 307), às 20h;
Deus é um DJ: drama no Teatro de Arena (Borges de Medeiros, 835), às 20h;
Fui! A peça da separação: comédia no CHC Santa Casa (Independência, 75), às 21h;
Latidos: drama no Teatro Carlos Carvalho (Andradas, 736), às 20h;
O que os homens pensam que as mulheres pensam: comédia no Teatro do Sesc (Alberto Bins, 665), às 20h;
Os palhaços de Tchékhov: comédia no Teatro Renascença (Érico Veríssimo, 307), às 21h;
Peccátu: musical no Teatro Bruno Kiefer (Andradas, 736), às 20h.

INGRESSOS: antecipados a R$ 32,00 (inteira); nos teatros, na hora, a R$ 40,00
Pontos de venda físicos: lojas Claro dos shoppings Praia de Belas e Bourbon Country; quiosque no Shopping Total; Mezanino Produções, no Casarão Verde do DC Shopping, ou na chapelaria do Theatro São Pedro
Venda on-line: portoveraoalegre.com.br (taxa de 20%)