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artes visuais

- Publicada em 23h12min, 20/01/2020.

Xadalu mostra no MAC-RS trabalho de imersão em aldeias Guaranis

Exposição individual do artista tem como título 'Invasão colonial YVY OPATA a terra vai acabar'

Exposição individual do artista tem como título 'Invasão colonial YVY OPATA a terra vai acabar'


ARQUIVO PESSOAL XADALU
O Kino Beat - Arte em Movimento encerra sua sexta edição, iniciada em novembro de 2019, com uma exposição que inaugura nesta terça-feira (21), às 20h, no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC-RS), com a presença do Cacique Geral Mburuvixá Tenondé Cirilo. Invasão colonial 'YVY OPATA' a terra vai acabar, de Xadalu, estará em cartaz, com entrada franca, na Galeria Xico Stockinger do museu, até 8 de março.
O Kino Beat - Arte em Movimento encerra sua sexta edição, iniciada em novembro de 2019, com uma exposição que inaugura nesta terça-feira (21), às 20h, no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC-RS), com a presença do Cacique Geral Mburuvixá Tenondé Cirilo. Invasão colonial 'YVY OPATA' a terra vai acabar, de Xadalu, estará em cartaz, com entrada franca, na Galeria Xico Stockinger do museu, até 8 de março.
A exposição individual reúne fragmentos de diversas imersões do artista Xadalu em aldeias Guaranis. As obras registram o estado atual em que as aldeias se encontram, os conflitos originados pelas retomadas de suas terras, e as constantes ameaças de grupos armados que intimidam as comunidades tradicionais.
À medida que a cidade cresce geograficamente, a aldeia diminui e automaticamente os sonhos sofrem interferências na transição para outro mundo. "Sendo o único lugar seguro, as cidades celestiais são o local de onde viemos e para onde vamos depois de nossa passagem aqui na terra. Mas a Tekoa continua protegida de alguma maneira por nhanderu, o motivo de nossa resistência há mais de 500 anos. O trovão de Tupã lá fora mostra sua força de anunciar o tempo passado que o raio cruzou e já não existe mais, e o sol mostra seus raios e nos permite caminhar sobre eles", conta o artista, que também é responsável pela curadoria da exposição.
De acordo com o curador do festival, Gabriel Cevallos, o Kino 2019 se desenvolveu a partir de premissas que convidam à reflexão sobre algumas urgências do presente. "Estas ideias iniciais substituem uma palavra central ou um tema fixo para esta edição e lançam de forma aberta possibilidades para se sentir o mundo em conjunto - ficção, natureza, percepção, conciliação, território, mutação, esperança, mundos possíveis:. Esses são alguns dos pontos de partida para se imaginar o 6º Kino Beat", afirma Cevallos.
"Uma outra forma de se repensar os impactos do colonialismo é assumir como válido o conhecimento produzido pelos povos originários. Ao atuar como um mensageiro entre dois mundos, o artista visual Xadalu traduz parte deste conhecimento e visão de mundo dos índios Guaranis em obras de arte. O seu processo de escuta atenta e trabalho compartilhado com as aldeias ressalta a sua reverência e urgência em dar visibilidade a este mundo que resiste em existir", explica o curador do festival.
O artista visual urbano Xadalu tem uma obra que transita entre intervenções nas ruas e exposições em museus, galerias e centros culturais. Sua produção diversificada mescla as colagens da sticker art a técnicas e linguagens como a serigrafia, a pintura, a fotografia e o objeto.
Seu trabalho em street art já foi exibido em mostras coletivas e individuais em instituições de Porto Alegre como Santander Cultural, Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs),
MAC-RS, Instituto Estadual de Artes Visuais do Rio Grande do Sul (IEAVi), Casa de Cultura Mario Quintana e Museu dos Direitos Humanos do Mercosul. Na Europa, apresentou obras em galerias de Berlim e Florença.
Xadalu integra coleções particulares e acervos públicos, como o do Margs e do MAC-RS. É tema do livro Xadalu - Movimento urbano, do curta-metragem Sticker conection (2015) e do documentário Xadalu - Filme (2017), que retratam a produção iniciada em 2004 com as primeiras colagens do indiozinho Xadalu nas ruas de Porto Alegre. Hoje, o personagem é visto em dezenas de cidades do mundo graças à rede estabelecida com outros artistas visuais urbanos praticantes da sticker art que trocam seus adesivos pelo correio.
As questões indígenas acompanham seu trabalho desde o início. Com o envolvimento, realiza temporadas de residência artística em aldeias do sul do Brasil e da Argentina.
Em reconhecimento à defesa da causa indígena aliada a questões socioculturais, foi um dos agraciados pelo Prêmio Humanidades do Instituto Brasileiro da Pessoa 2014. Entre outras diversas distinções, foi eleito em 2012 Melhor Artista na Expo Colex, mostra internacional de sticker art realizada em Santos (SP), e duas vezes indicado ao Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, láurea da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre. 
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