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Porto Alegre, terça-feira, 14 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Cultura

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artes visuais

Edição impressa de 14/01/2020. Alterada em 14/01 às 17h55min

Dedé Ribeiro apresenta nova série de colagens na Santa Casa

'Atenção' é uma das obras da exposição 'A escolha do acaso', que abre nesta terça-feira (14)

'Atenção' é uma das obras da exposição 'A escolha do acaso', que abre nesta terça-feira (14)


DEDÉ RIBEIRO/REPRODUÇÃO/JC
Com curadoria de Francisco Dittrich, tem abertura nesta terça-feira (14) a exposição de colagens A escolha do acaso, da artista Dedé Ribeiro. A inauguração ocorre no Centro Histórico-Cultural Santa Casa (Independência, 75), das 18h30min às 21h. A visitação gratuita começa amanhã e vai até 8 de março.
Com curadoria de Francisco Dittrich, tem abertura nesta terça-feira (14) a exposição de colagens A escolha do acaso, da artista Dedé Ribeiro. A inauguração ocorre no Centro Histórico-Cultural Santa Casa (Independência, 75), das 18h30min às 21h. A visitação gratuita começa amanhã e vai até 8 de março.
A mostra é dividida em três eixos temáticos: A escolha do acaso - conjunto de 12 peças que formam um oráculo cuja mensagem será sugerida ao público de forma interativa; Diagnóstico por colagem - série feita usando como base exames médicos (tomografias, raios-X etc.), cujos títulos são perguntas que instigam o público a interrogar-se sobre o que vê, da relação da obra com seu título e de sua relação com a questão em si; e Crônicas visuais - coletânea com temas atuais, como meio ambiente e gênero. 

Em entrevista, artista conta como seleciona imagens para as obras

Jornalista, dramaturga e produtora cultural, Dedé Ribeiro sempre foi ligada às artes visuais

Jornalista, dramaturga e produtora cultural, Dedé Ribeiro sempre foi ligada às artes visuais


Martina Mombelli/DIVULGAÇÃO/JC
JC - Panorama: O título da seleção dessas novas obras, A escolha do acaso, dá conta da ideia de sucessão de alternativas envolvidas no processo das colagens. Mas como chegaste a este nome que sintetiza teu trabalho? Ele é o título de um dos eixos e o escolheste ainda para denominar a exposição em si.
Dedé Ribeiro – Essa ideia de acaso me fascina desde criança, até porque traz uma relação estreita com o divino, com o misterioso, com o surpreendente. A escolha seria a parte que dominamos, o livre-arbítrio, mas onde está essa fronteira? Em lugar algum, porque escolhemos entre fatores do acaso, com ferramentas que recebemos ao acaso. Dessa forma o processo de colagem imita essa parte da nossa vida. Recebo revistas e papéis de presente, encontro uma imagem perfeita numa feira no interior da Espanha, vejo uma série no intervalo do trabalho que faz mudar o mosaico que criei, e, de repente as figuras começam a fazer sentido e me pedir complementos, desenhos... O nome mesmo veio de conversas sobre esse processo com o curador Francisco Dittrich. Ele me apresentou alguns textos teóricos que fizeram sentido e tudo se fechou.
Panorama: O módulo Crônicas visuais tem influência da tua faceta jornalista? Aliás, consegues deixá-la de lado em algum momento?
Dedé – Engraçado isso: trabalhei apenas seis anos como jornalista, mas a técnica da escrita e os valores (ao menos os da época) levei por toda a vida de produtora cultural. Faz parte de mim. Meu texto é sempre resumido, pois eu trabalhava em rádio. Textos longos me cansam até nas peças de teatro que escrevo. Talvez as artes visuais sejam o resumo do resumo, com a chance da interlocução com quem vê. Nas Crônicas visuais, Francisco (Dittrich) reuniu obras que não têm relação entre si, mas têm esse viés mais contundente da minha visão um pouco, digamos, ácida, dos assuntos importantes que nos rodeiam, desde política, crimes ao meio ambiente, a condição da mulher, a hipocrisia dos relacionamentos. Por aí...
Panorama: E convocando a dramaturga: na tua mente, a construção de colagens também é uma forma de ir contando uma história?
Dedé – Eu parei de escrever teatro quando comecei a colar. Parecia uma necessidade absoluta de romper com a narrativa e com a necessidade de ser coerente. Durou pouco. A primeira exposição individual Diagnóstico por colagem não tem narrativa explícita, exceto em algumas obras onde escapou. Depois acho que comecei a fazer as pazes com a dramaturgia, escrevi mais um texto e a narrativa veio como louca, querendo aparecer no papel. Eu colocava uma figura e ela chamava outra. Larguei de mão o controle e deixei vir. Essa série, A escolha do acaso, quase toda sugere uma "historinha", mas não diz qual. Espero que as pessoas se motivem a criar tramas.
Panorama: Tu acreditas que quem for visitar tua mostra vai compreender/identificar o nosso mundo atual ou vai mais ainda se desentender com ele? Seguindo nesse tópico, a recepção do público – como os espectadores vão interpretar tuas obras – é uma preocupação tua? A pergunta se justifica na medida em que a divulgação da exposição a caracteriza como "um convite ao exercício do olhar” e que alguns títulos de obras são perguntas que instigam o público a interrogar-se sobre o que vê.
Dedé – Eu sou uma otimista, mas sarcástica, e valorizo bastante o humor. Isso aparece nas obras, mas pensando bem, talvez o otimismo não apareça muito – o que fica totalmente justificado, pois faz quatro anos que estou trabalhando nisso. É só fazer as contas. Sobre o público, o meu desejo é que ele se pergunte, se questione, se surpreenda e crie sua própria história. Minha maior alegria é quando me mostram relações que eu não tinha percebido no trabalho.
Panorama: Tua produção visual é guiada pela expressão das tuas ideias? Podes comentar, do ponto de vista da artista, que representações podem ser encontradas nas imagens expostas?
Dedé – Nada do que eu quero dizer é uma verdade minha cristalizada. É mais um ponto de vista, um comentário, um convite a ressignificar conceitos e crenças. Mas tem obras explícitas, que não tem muito como fugir. Se vou falar da questão da mulher, não deixo dúvidas, assim como extermínio ou maus tratos de animais. Tem coisas que não dá para negociar.
Panorama: O fazer artístico, para ti, é um prazer imagético, estético? Ele vem sozinho ou é acompanhado pela busca da mensagem de uma manifestação artística?
Dedé – O processo sempre começa com a imagem. Olho para uma foto ou desenho e digo: é perfeito para o papel tal, de tal cor. Daí aquela imagem e sua paleta de cores vai chamando as outras imagens. Tem uma hora que fica um monte de coisas em cima do papel. Saio de perto, vou comer, vou na academia, vejo uma série. Deixo as figuras ali, conversando. Quando volto, elas já fizeram amizade, convidam outras, expulsam várias e de repente tem uma mensagem aparecendo, uma narrativa concreta e coerente com o que acredito. Às vezes, deixo assim; às vezes, interfiro para deixar mais evidente. É bem a escolha do acaso!
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