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Porto Alegre, terça-feira, 31 de dezembro de 2019.
Dia de São Silvestre.

Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Edição impressa de 31/12/2019. Alterada em 30/12 às 22h54min

Em seu novo filme, Eastwood volta a explorar o tema dos 'pequenos' heróis americanos

Sam Rockwell, Kathy Bates e Paul Walter Hauser estão no elenco de 'O caso Richard Jewell'

Sam Rockwell, Kathy Bates e Paul Walter Hauser estão no elenco de 'O caso Richard Jewell'


CLAIRE FOLGER/DIVULGAÇÃO/JC
Frederico Engel
Os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, teve, logo em seus primeiros dias, um atentado terrorista com bomba no Centennial Park, ferindo mais de 100 pessoas e vitimando duas. A história de Richard Jewell, que trabalhava no evento e descobriu o artefato, chega aos cinemas pelas mãos do veterano Clint Eastwood, que conduz um interessante retrato sobre a investigação que se desprendeu sobre o segurança em O caso Richard Jewell.
Os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, teve, logo em seus primeiros dias, um atentado terrorista com bomba no Centennial Park, ferindo mais de 100 pessoas e vitimando duas. A história de Richard Jewell, que trabalhava no evento e descobriu o artefato, chega aos cinemas pelas mãos do veterano Clint Eastwood, que conduz um interessante retrato sobre a investigação que se desprendeu sobre o segurança em O caso Richard Jewell.
Esse pode ser incluído em uma série de filmes do diretor sobre figuras e/ou heróis norte-americanos, como Sniper americano; Sully - O herói do rio Hudson; 15h17 - Trem para Paris; e J. Edgar, personagens estes que se assemelham ao pensamento do diretor. Outro fator que conecta as produções é uma das falas de Jewell quando ele é chamado de herói. "Era meu trabalho", diz o protagonista, uma resposta semelhante à dada por Chris Kyle em Sniper americano. Essas rimas narrativas são curiosas de serem observadas, muito por conta de tais histórias apresentarem um pouco da visão de Eastwood sobre os Estados Unidos e o mundo. Nacionalista, o diretor não abre de fazer críticas ao governo do país por conta da forma que tratou o caso, mostrando o controle e manipulação realizados por parte do governo e também da mídia. Vale destacar que, na época, os Estados Unidos eram governados pelo democrata Bill Clinton, sendo Eastwood um notório republicano.
Na parte da imprensa, a personagem de Olivia Wilde, Kathy Scruggs, representa a imagem torpe da mídia, passando por cima de pessoas e situações para conseguir o que quer. A representação da repórter causou controvérsias e repercussão negativa, com Scruggs já falecida, além da afirmação do advogado que representou Jewell na investigação de nunca ter havido acusações por parte deles de que ela trocou informações por sexo.
Alguns dos outros quesitos da história são problemáticos, um pouco "jogados" - a ligação de emergência efetuada pelo terrorista era um elemento importante para o caso e entra no filme de forma um tanto abrupta. Outro ponto é uma "confissão" gravada por Jewell - não fica claro se ela é usada ou até descartada na investigação. Isso tudo, porém, é superado pela habilidade da equipe do filme: elenco, direção e edição.
Eastwood sabe criar simpatia em seus personagens, também escolhendo os atores certos para os papéis, a exemplo de Bradley Cooper como Chris Kyle; Tom Hanks como Chesley "Sully" Sullenberger; Leonardo DiCaprio como J. Edgar; e Paul Walter Hauser como Richard Jewell. Hauser entrega toda a inocência da personalidade de Jewell de forma excelente, e o momento em que tem de extravasar ou emocionar é muito bem executado pelo ator. Entre as atuações, os destaques vão justamente para o protagonista e para Kathy Bates, que vive a mãe do personagem, Bobi Jewell. Um momento particularmente especial dela no filme é quando faz um discurso para a imprensa. Kathy é um nome a ser considerado para a temporada de premiações, ainda mais pela indicação para o Globo de Ouro, que acontece no próximo domingo, na categoria de atriz coadjuvante. Sam Rockwell, como usual, está bem, ainda que lembre outros personagens que já viveu.
O controle da câmera favorece as atuações. O diretor, apesar de já estar com 89 anos, ainda segue contando histórias com ritmo e energia: até mesmo dirige uma cena de dança ao som de Macarena. O dinamismo é auxiliado pelo trabalho de edição e ainda mais pela câmera de Eastwood, que usa de tracking shots e planos sequências em cenas de ação, como da explosão da bomba.
A tensão também é bem estabelecida, com a trilha, a câmera - nestes momentos estando na mão - e atuações do elenco. Esse recurso de câmera na mão é também utilizado em outros momentos do longa. Entre as melhores cenas, mostrando como elenco e diretor estão afiados, está a da investigação na casa de Jewell, com destaque para Hauser, entregando um humor não proposital.
O caso Richard Jewell é uma ótima dramatização da investigação, ainda mais potencializada pela direção de Eastwood e pelas atuações de Hauser e Bates. Retratar histórias de figuras como essa segue sendo uma das especialidades do diretor, um dos maiores do cinema norte-americano.
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