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cinema

- Publicada em 21h52min, 06/10/2019. Atualizada em 21h52min, 06/10/2019.

Animação 'A princesa de Elymia' é destaque na Semana da Criança

Filme de Silvio Toledo é o primeiro longa inteiramente em computação gráfica feito no Nordeste

Filme de Silvio Toledo é o primeiro longa inteiramente em computação gráfica feito no Nordeste


PANDA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Frederico Engel
Um trabalho de anos de dedicação para exibir sua obra. Idealizado há mais de uma década pelo realizador paraibano Silvio Toledo, A princesa de Elymia chega aos cinemas comerciais na quinta-feira, contando com sessões hoje, às 8h30min, para 60 alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Mariz e Barros, na Vila Safira (bairro Alto Petrópolis), e também às 15h, para estudantes da rede pública de ensino, na Casa de Cultura Mario Quintana.
Um trabalho de anos de dedicação para exibir sua obra. Idealizado há mais de uma década pelo realizador paraibano Silvio Toledo, A princesa de Elymia chega aos cinemas comerciais na quinta-feira, contando com sessões hoje, às 8h30min, para 60 alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Mariz e Barros, na Vila Safira (bairro Alto Petrópolis), e também às 15h, para estudantes da rede pública de ensino, na Casa de Cultura Mario Quintana.
Toledo iniciou seu caminho pela animação ainda criança. Entre nove e 10 anos, tinha seus desenhos publicados em um caderno dominical de um jornal. Anos depois, com 14, realizou seu primeiro comercial animado para televisão. Tal experiência foi aumentando, culminando com a venda de 180 mil exemplares da revista Como se faz desenho animado, produto desenvolvido por Toledo. Apaixonado pela área, conseguiu, em 2013, aporte financeiro para a produção de A princesa de Elymia. Mas não foi naquele período que começou a trabalhar com a obra: cinco anos antes, já havia iniciado a pré-produção, criando o conceito, a história e algumas animações do filme.
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Na trama, Zoé (voz de Maria Alice Gadelha) é uma menina de 10 anos que tem sua vida mudada quando acha o portal para o Reino de Elymia na Pedra da Gávea. Por ser herdeira de poderes mágicos que podem salvar este mundo, ela precisa aprender a usar a magia para derrotar bruxos, dragões e monstros.
A inspiração para o longa veio de um conto da esposa de Toledo, usando também referências de desenhos dos anos 1980, como He-man, Thundercats e Caverna do Dragão. As animações 3D, por sua vez, contam com semelhanças ao universo dos videogames. Os cenários virtuais e os personagens foram executados em um processo digital. "É o primeiro longa de animação em computação gráfica do Nordeste. É um marco para a região e para o Brasil", afirma Toledo.
Tal dinâmica de trabalho fez com que, durante a finalização de A princesa de Elymia, cerca de 1 milhão de imagens separadas fossem geradas em um computador. Elas foram compostas nos quadros do filme e, quando exibidas em uma velocidade de 24 imagens por segundo, criam a ilusão de movimento. Levava de 15 minutos a 12 horas para que as máquinas processassem cada quadro após os artistas de animação terem criado as posições dos personagens.
Essa demora é apenas uma das adversidades que a equipe enfrentou durante a produção. Toledo acumulou as funções de direção, roteiro, produção, fotografia, direção de arte e finalização do filme. "Segurei a bandeira do longa", diz o diretor, que ainda teve de ensinar conceitos e conhecimentos de animação para as pessoas envolvidas na obra. "Também lidamos com mudanças de equipe e profissionais em São Paulo desempregados e que preferiam permanecer assim do que vir ao Nordeste. Acaba sendo um preconceito", argumenta o diretor.
O orçamento também é o mais baixo de animações em longas financiados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), de R$ 1,5 milhão. "Quando comparamos com obras norte-americanas, lá há uma estrutura fixa. Aqui, para cada produção que realizamos, temos de montar uma equipe, que, logo após o término, será desmontada", explica Toledo. Para estabelecer um paralelo, o nível de orçamento de Moana, da Disney, é 375 vezes maior que A princesa de Elymia.
Entre tantos obstáculos para fazer o filme, o mais doloroso provavelmente foi quando arquivos e backups de dois anos de trabalho foram deletados. "Mesmo com tais adversidades, não desistimos. E é sobre isso que o filme também trata. A realidade não condiz com o que queremos, e somos nós que devemos mudar isso, alterar o desfavorável. Por isso é um longa tão pessoal para mim. Perseguir o alvo, só vence quem chega ao fim", explica.
Antes da estreia nacional na quinta-feira, tendo a distribuição da porto-alegrense Panda Filmes, a capital dos gaúchos recebe duas sessões com estudantes, contando com a presença do diretor. Tendo sido aluno da rede pública, Toledo considera fundamental que as projeções aconteçam, como uma troca de experiências com as crianças. "Torna-se ainda mais importante pelo fato de haver poucas obras nacionais de animação, especialmente aquelas que chegam ao circuito comercial." As diferenças culturais entre as regiões também são abordadas pelo diretor. "É uma forma de estabelecer conversa entre lados distantes do Brasil", conclui.
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