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Porto Alegre, terça-feira, 30 de abril de 2019.
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Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Edição impressa de 30/04/2019. Alterada em 30/04 às 03h00min

Road movie 'Além de nós' tem diárias em oito estados

Em 'Além de nós', Miguel Coelho é Léo, um jovem que perde o emprego e presencia a morte do pa

Em 'Além de nós', Miguel Coelho é Léo, um jovem que perde o emprego e presencia a morte do pa


ATAMA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Fã de road movies de diretores como Walter Salles e Wim Wenders, o cineasta gaúcho Rogério Rodrigues há muito tempo queria fazer o seu próprio exemplar do gênero - e enfim está realizando este sonho. As gravações de Além de nós começaram no início de abril, em Bagé, incluíram alguns dias em Porto Alegre, e, nesta semana, têm tomadas na Prova do Issao, a maior prova de laço do Brasil, em Presidente Prudente. "O filme trata da influência do meio sobre as pessoas. As nossas verdades são tudo aquilo conhecemos do nosso meio. Mas quais são as verdades do outro?", antecipa o realizador.
Com diárias em oito estados - a equipe vai até a Bahia - ao longo de cerca de um mês, o longa acompanha um jovem que perde o emprego no campo, no pampa gaúcho, e presencia a morte do pai. No enredo, Leo (papel de Miguel Coelho), descobre uma fotografia acompanhada de uma carta - o que dá um rumo para que resgate sua própria identidade. Nessa jornada, tem a companhia do seu tio, Artur (Thiago Lacerda), seu único parente vivo, mas de quem o jovem havia sido afastado. O destino? Rio de Janeiro.
De acordo com Rodrigues, o objetivo é apresentar um olhar universal, que capacite a obra para festivais de cinema. "Apresentamos o gaúcho como um ser da terra, nesse bioma pampa", ressalta ele, que começou a trabalhar no roteiro ainda no começo da década. Muita coisa mudou desde então - uma das hipóteses iniciais era desenvolver o projeto como uma comédia, e não um drama, por exemplo. A produtora responsável pelo longa, Atama Filmes, foi criada justamente em virtude de Além de nós. Após a realização de uma série de projetos para a televisão, a empresa venceu edital de Desempenho Comercial do Fundo Setorial do Audiovisual, que tornou o filme possível.
Miguel Coelho (da novela Espelho da vida) foi pré-selecionado para o elenco por sua semelhança com Leonardo Machado - o ator, falecido no ano passado, estava inicialmente escalado para interpretar o tio do protagonista. Mesmo com a alteração, seguiu como ficha um para o papel. "O personagem é bem diferente de mim", destaca o ator gaúcho. "Na postura, no jeito de lidar com as coisas... Ele tem um jeito mais agressivo. É um cara em ebulição que vai em busca de uma nova identidade", cita o intérprete, que participou de uma imersão em Bagé antes das filmagens. Nesse período, teve contato com o tiro de laço e observou capatazes e peões como forma de auxiliar na construção de Leo.
Thiago Lacerda não só rasga elogios ao colega como também acredita que a relação "sobrinho e tio" está acontecendo fora das telas. "Ele me pergunta várias coisas e, quando sinto algo que pode ajudar, eu chego nele", afirma. O que atraiu o galã para o projeto foi a possibilidade de desempenhar algo que foge do que lhe é frequente. "O Artur tem uma natureza mais introspectiva do que os personagens que geralmente faço. Está estagnado em um lugar que lhe faz mal. Então fiquei curioso para investigar essa natureza conflituosa a partir das relações familiares naquele universo do campo", conta.
Rodrigues e o preparador de elenco Décio Antunes criaram uma estrutura psicológica para os protagonistas a partir de um background de memórias - como se houvesse um filme antes do filme. A intenção é fazer com que Miguel Coelho e Thiago Lacerda entendam como seus personagens confeccionaram essas personalidades. "O desafio é arquivar essas emoções e, ao longo da estrada, lançar mão disso para contar a história", explica o ator carioca, que nunca havia trabalhado desta maneira.
Já o roteiro não é definitivo, apesar de ter sido reescrito diversas vezes. O diretor sabe que, por se tratar de um road movie, com produção em várias cidades, há bastante margem para mudanças. "Mas quanto mais fechado for o roteiro, maiores as possibilidades de adaptá-lo ao percurso", defende. "Algumas coisas podem sair de maneira diferente do previsto e vamos ter de mudar. Isso faz parte do filme, que vai se construir nesse caminho", finaliza.
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