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Porto Alegre, quinta-feira, 07 de fevereiro de 2019.
Dia do Gráfico.

Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Edição impressa de 07/02/2019. Alterada em 07/02 às 01h00min

Após Festival de Roterdã, longa brasileiro de terror chega à capital

Daniel de Oliveira protagoniza 'Morto não fala', rodado em Porto Alegre

Daniel de Oliveira protagoniza 'Morto não fala', rodado em Porto Alegre


CASA DE CINEMA DE PORTO ALEGRE/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Segredo de morto é segredo de morte. Quando Stênio, um homem que tem a habilidade de se comunicar com aqueles que já se foram, usa uma informação do além para obter uma vantagem pessoal, ele se vê amaldiçoado. Primeiro longa-metragem de horror ou fantasia produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre, Morto não fala foi exibido no Festival de Roterdã (Holanda) na virada do mês e chega à capital gaúcha, onde foi gravado, neste fim de semana.
Com direção de Dennison Ramalho e um elenco encabeçado por Daniel de Oliveira, o filme encerra a programação da mostra A vingança dos filmes B - parte VIII, na Cinemateca Capitólio Petrobras (Demétrio Ribeiro, 1.085). A sessão no domingo será seguida por debate. A estreia comercial deve ser entre abril e maio.
Na narrativa, Stênio é um dos plantonistas noturnos de um necrotério. A cada jornada de trabalho, ele usa seu dom paranormal para despretensiosamente conversar com os cadáveres. Quando um dos falecidos revela um segredo relacionado a questões da vida do próprio protagonista, a situação, contudo, muda. Stênio resolve tomar uma atitude drástica - sem saber que a decisão coloca tanto ele quanto sua família como alvos de uma vingança paranormal.
Além de Daniel de Oliveira no papel principal, o elenco adulto conta com Fabíula Nascimento no papel da esposa do protagonista e Marco Ricca e Bianca Comparato como pai e filha - ambos trabalhadores de um mercadinho local. Os jovens Cauã Martins e Annalara Prates completam o time interpretando os - assustados - filhos do casal.
Assombrações e sangue à parte, o recorte apresenta como panorama um Brasil com estruturas precárias e extremamente violento - um lugar em que vidas nada significam. Para isso, as dependências do Tecna -Viamão/Pucrs foram transformadas em cenários: na verdade, a história se passa em São Paulo. Algumas das principais cenas do filme ocorrem dentro de Instituto Médico Legal de rotina mais agitada do que sua capacidade operacional, por exemplo. A equipe que trabalhou nesta ambientação contou com 15 artistas plásticos que criaram manequins moldados em atores, entre outros profissionais.
Apesar do bom momento das produções brasileiras de gênero mais "cabeçonas", como o premiado As boas  maneiras (2018), Morto não fala aposta mais em um horror deliberado, como produções internacionais que fazem sucesso nas bilheterias ano após ano. Aparições, possessões e outros sustos se somam a corpos abertos como alguns dos ingredientes.
Entretanto, o momento de maior tensão do filme vem de um terror mais próximo da realidade: Stênio aparece com um presente de aniversário para o filho. Não é difícil imaginar que a festa não será como o planejado, mas a sequência é forte o suficiente para instigar reflexões sobre consequências da imprudência ou a respeito do medo de erros pessoais serem escancarados ao julgamento dos outros.
Dennison Ramalho, corroteirista de Encarnação do demônio (2008), de José Mojica Marins, partiu de um conto de Marco de Castro para desenvolver seu primeiro longa-metragem como diretor. Com alguns curtas no currículo, o cineasta tinha como ideia original adaptar o texto para uma série. "A Globo, na época, em 2013, achou que era muito dark, um pouco surreal demais", explica ele, que então recebeu a proposta de desenvolver um filme que desse começo à história - e provasse que era possível realizar um trabalho de gênero com excelência técnica. No segundo semestre de 2019, o projeto deve ser reescrito, mirando a continuação televisiva.
Antes de Porto Alegre e Roterdã, a produção foi exibida em festivais da Espanha, Estados Unidos, México e Portugal. "O mundo aos pouquinhos está descobrindo que existe cinema de terror aqui e que ele é [mesmo] brasileiro", comenta Ramalho, a respeito do contexto da narrativa e da repercussão internacional. "Esse conjunto [violência, sucateamento, sexismo] causa a derrocada do personagem, e a maldição sobrenatural é de uma certa forma propelida pela vida conturbada desse brasileiro".

Últimos dias de A vingança dos filmes B

Quinta-feira
  • 14h - Estação do Diabo
  • 18h - A máfia nunca perdoa
  • 20h - Lucio Fulci, poeta da crueldade: O segredo do bosque dos Sonhos
Sexta-feira
  • 14h - Estação do Diabo
  • 18h - Lucio Fulci, o poeta da crueldade: Premonição
  • 20h - O príncipe das trevas debate
Sábado
  • 15h - O estranho cinema de Guto Parente: O estranho caso de Ezequiel
  • 17h - Sessão Shoot or Die 2
  • 20h30min - Perigo extremo debate
  • 23h59min: Madrugada maldita (A história de Ricky, O estripador de Nova York, Dia dos Namorados Macabro e filme surpresa)
Domingo
  • 15h - Sessão Brasil Fantástico: A mata negra
  • 17h - Lucio Fulci, poeta da crueldade: Terror nas trevas
  • 20h - Sessão de encerramento: Morto não fala debate
 
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