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Porto Alegre, sexta-feira, 07 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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reportagem cultural

Edição impressa de 07/12/2018. Alterada em 07/12 às 20h12min

Zuza Homem de Mello exibe vitalidade em letra e música

Autor pesquisa a música brasileira e aponta influência de Lupicínio e Gnatalli para o samba-canção

Autor pesquisa a música brasileira e aponta influência de Lupicínio e Gnatalli para o samba-canção


GABRIELA DI BELLA/ARQUIVO/JC
Cristiano Bastos, especial para o JC*
Do alto de seus 85 anos, o jornalista e historiador Zuza Homem de Mello ainda exibe uma vitalidade parecida com a que, em 1957, fez com que o jovem paulistano renunciasse ao curso da engenharia para ir estudar musicologia no renomado conservatório Juilliard School, em Nova Iorque.
Na mesma escola que graduou nomes como o violinista Itzhak Perlman, Toninho Horta, Ray Conniff e Nina Simone, Mello teve aulas com distintos professores. Entre os quais Ray Brown, um dos mais influentes contrabaxistas da história do jazz. Na Big Apple, atuando como baixista profissional em bailes e clubes da metrópole, também respirou do mesmo ar que lendas como Duke Ellington, John Coltrane e Miles Davis.
De volta ao Brasil, em 1959, tempos de popularização da televisão, Zuza ingressa na TV Record, contratado como engenheiro de som em programas de MPB e nos antológicos festivais da emissora. Também foi produtor de importantes festivais e booker de gravadoras na contratação de dezenas de astros internacionais, a exemplo de Sammis Davis Jr e Sarah Vaughn. Nos palcos dos festivais da canção que mobilizaram o Brasil, nos anos 1960 e 1970, testemunhou o florescimento de uma geração de artistas que se tornariam verdadeiros gigantes da música brasileira: Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre eles.
A historiografia musical é outro ponto forte de Zuza, que, entre outros, assina obras como Música Popular Brasileira cantada e contada (1976); o consagrado A canção no tempo (1996) - em coautoria com o historiador Jairo Severiano -, e A era dos festivais (2003). Com a energia que lhe é peculiar, agora Zuza lança, pela Editora 34, seu mais novo rebento, o deliciosamente indispensável Copacabana: A trajetória do samba-canção (1929-1958). Fruto de mais de dez anos de minuciosa pesquisa, o livro documenta a história completa do gênero musical que ele denomina como "o mais popular da música brasileira" de todos os tempos. E um dos mais importantes. Um dos tantos motivos para tal, explica Zuza, é que, desde seu surgimento no teatro de revista (com o sucesso da gravação de Linda Flor, por Aracy Cortes, em 1929) até o advento da bossa nova em 1958, o samba-canção foi o gênero preferido de compositores da estirpe de Ary Barroso, Dorival Caymmi, Cartola, Lupicínio Rodrigues, Tom Jobim e até mesmo Noel Rosa - cuja obra, como o demonstra em Cobapacana, inclui várias composições que, na verdade, já eram legítimos sambas-canções.
O nome do famoso bairro de Copacabana, situado na Zona Sul do Rio de Janeiro, atrelado ao samba-canção, explica Zuza, não é à toa. Com o fechamento dos cassinos pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, em 1946, boa parte do meio artístico da então capital federal migrou para boates e clubes noturnos, que se concentraram especialmente em Copacabana. Entre 1946 e 1958, pontua o historiador, o samba-canção foi o gênero de maior sucesso da música brasileira: "Com seu cativante ritmo, propício para se dançar colado ao parceiro, e sua temática romântica, o samba-canção invadiu a noite carioca e conquistou o país nas vozes de intérpretes como Linda Batista, Dick Farney, Dalva de Oliveira, Nora Ney, Elizeth Cardoso, Dolores Duran e Maysa". Mas, completa, ao passo em que cultivava harmonias mais sofisticadas e modulações que abriram caminho para a bossa nova, o samba-canção também tinha uma vertente extremamente popular, com campeões de vendas como Angela Maria, Nelson Gonçalves e Cauby Peixoto.
Copacabana: a trajetória do samba-canção é um estudo amplo, profundo e fartamente ilustrado sobre um gênero musical que, não se sabe bem o motivo, até então ainda não havia sido devidamente documentado. Nessa entrevista concedida ao Jornal do Comercio, Zuza Homem de Melo (homenageado no festival POA Jazz deste ano, realizado em novembro) aprofundou o tema samba-canção, que, por sinal, possui três gaúchos entre seus grandes expoentes: o compositor Lupicínio Rodrigues, o arranjador Radamés Gnatalli e o cantor Nelson Gonçalves. E, a pedido da reportagem, de quebra ainda listou dez artistas que considera os maiores da música brasileira.

Nas entranhas do samba-canção

Ao gravar a canção Copacabana, em 1946, Dick Farney popularizou o gênero

Ao gravar a canção Copacabana, em 1946, Dick Farney popularizou o gênero


ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO/DIVULGAÇÃO/JC
Zuza Homem de Mello observa que o samba-canção deve ser entendido, sobretudo, como um gênero. Trata-se, ele explica, de uma forma musical de características próprias - sejam elas rítmicas, harmônicas, melódicas ou poéticas. "O samba-canção tem essas quatro (características). Sua característica rítmica é a de ter a mesma 'clave' do samba tradicional, só que de forma muito mais lenta".
Em outras palavras, o historiador esclarece, é um samba lento, que trata de uma relação amorosa e que, sendo lento, possibilita maior expressividade do cantor em relação à letra. "No samba tradicional, porém, não dá tempo, pois o ritmo é muito 'corrido'".
No livro Copacabana, o escritor também dá especial atenção à canção Linda flor, de 1929, samba-canção composto por Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto e que é considerada o marco inaugural do samba-canção. A música foi registrada nas vozes de Vicente Celestino e Francisco Alves, porém só viria a se tornar grande sucesso popular em sua terceira versão, na voz da diva do teatro de revista Araci Cortes. A versão gravada por Araci, segundo Zuza, contribuiu, de forma definitiva, para a fixação popular do samba-canção. Também é com Linda flor que a palavra "samba-canção" aparece numa partitura musical pela primeira vez.
Mas a grande expansão do gênero, de forma massiva, apoiado pelas emissões radiofônicas e pela fonografia, se daria apenas em 1946, quando a música Copacabana é gravada pelo modernista carioca Dick Farney. Então, divide Zuza, há um hiato de tempo entre 1929 e 1946 para que o gênero se tornasse, de fato, popular. Isso, porém, não significa que não existissem sambas-canções sendo feitos e gravados. Existiram, e vários, principalmente os compostos por Ary Barroso e Noel Rosa.
Zuza esclarece, ainda, que um dos grandes responsáveis pela definição estética do que viria a ser o samba-canção foi o arranjador porto-alegrense Radamés Gnatalli - na visão do historiador, por sinal, o músico que melhor entendeu a linguagem do samba-canção. "Quando Dick foi gravar, Radamés teve a ideia de fazer orquestra com cordas e, assim, deu aquele sabor de samba lento (Copacabana princesinha do mar/Pelas manhãs tu és a vida a cantar, cantarola ele) que tipifica aquela canção. É completamente diferente de um samba (cantarola Copacabana em ritmo de samba, mais rápido durante a entrevista) - não dá tempo de a letra ser saboreada. Claro, se você pegar um samba-canção e cantá-lo como um samba tradicional você não achará graça nenhuma", afirma Zuza. O fato de possuir um andamento lento permite que a melodia aflore e a interpretação aproveite a letra de maneira que o ouvinte "entenda" o drama que se passa nas relações amorosas. "Ou melhor, no fim das relações amorosas, que é o tema dominante no samba-canção. Aliás, o samba-canção não é a exaltação da relação amorosa. Não se está numa relação amorosa que deu certo - no samba-canção, essa relação está acabada", sentencia.

Playlist essencial do samba-canção

  • Sábado em Copacabana, de Dorival Caymmi (1914-2008), gravada por Lúcio Alves (1927-1993);
  • Copacabana, de João de Barro (1929-2006) e Alberto Ribeiro (1902-1971), primeira música gravada por Dick Farney (1921-1987) em português;
  • Na batucada da vida, de Ary Barroso (1903-1964) e Luís Peixoto (1889-1973), na gravação de Elis Regina (1945-1982); 
  • Meu mundo caiu, de Maysa Matarazzo (1936-1977), gravada por ela mesma; 
  • Vingança, de Lupicínio Rodrigues (1914-1974), na gravação de Linda Batista (1919-1988);
  • Segredo, de Herivelto Martins (1912-1982), na gravação de Dalva de Oliveira (1917-1972);
  • Eu sinto vontade de chorar, de Valdemar de Abreu (1907-1991), na gravação de Orlando Silva (1915-1978);
  • Falando a verdade, de Davi Nasser (1917-1981), na voz de Francisco Alves (1898-1952);
  • Negue, de Adelino Moreira (1918-2002), na interpretação de Nelson Gonçalves (1919-1998); 
  • O mundo é um moinho, de Cartola (1908-1980), na gravação do próprio.

Dicas de livros

  • Música com Z (Editora 34): O livro reúne 140 textos de Zuza Homem de Mello escritos ao longo de toda a sua carreira - das primeiras reportagens enviadas de Nova Iorque, em 1957, até um artigo sobre os centenários de Caymmi, Lupicínio Rodrigues e Aracy de Almeida publicado em 2014. Com enfoque no jazz e na música brasileira e norte-americana, Música com Z traz as experiências de um crítico que conviveu com vários dos artistas citados, assistiu pessoalmente às suas apresentações, entrevistou-os e até produziu seus discos e shows. Com a paixão que lhe é peculiar, Zuza transporta o leitor não apenas aos palcos, mas também aos bastidores, camarins e estúdios que frequentou, compartilhando o calor e as revelações de cada um desses momentos. Entre as pepitas em forma de texto, uma entrevista inédita com Charles Mingus, o relato de uma apresentação surpresa de João Gilberto, um encontro com Chet Baker, a primeira entrevista concedida por Itamar Assumpção e o último show de Elis Regina.
  • A canção no tempo - 85 anos de músicas brasileiras (Editora 34): Escrito por Zuza em parceria com o renomado historiador Jairo Severiano, este primeiro volume de A canção no tempo (1901-1957) relaciona, classifica e analisa as canções que o povo brasileiro consagrou neste período. Pode-se dizer que é a história da música popular brasileira na primeira metade do século XX contada por suas canções de maior sucesso - das modinhas e lundus de Eduardo das Neves, Cadete e Baiano, das obras de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Pixinguinha, passando pela fase áurea do rádio com Francisco Alves, Ary Barroso, Lamartine Babo, Carmen Miranda, Ataulfo Alves, Noel Rosa e Dorival Caymmi, entre muitos outros, até as composições pré-bossa nova de Dolores Duran, Luís Bonfá e Tom Jobim na década de 1950. Esta edição, revista e ampliada, traz 21 novas composições em destaque, totalizando 288 canções comentadas no volume.

'As pessoas precisam aprender a ouvir'

Na entrevista a seguir, Zuza Homem de Mello discorre sobre o samba-canção e recorda o ambiente musical de artistas como Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues e João Gilberto, entre outros.
JC Viver - Antes do samba-canção, qual era a música popular ouvida no Brasil?
Zuza Homem de Mello - Eram as batucadas, os maxixes, as marchinhas de Carnaval e os sambas tradicionais. O samba-canção se estabelece quando o rádio se fortalece no Brasil, no final da década de 1920 e começo da década de 1930. Linda flor, porém, é lançada não no rádio, mas no teatro de revista, e acabou se tornando um estouro no Carnaval de 1929. Vendeu muitos discos e era cantada pelo povo, sobretudo no Rio de Janeiro. Nessa época, a grande força motriz da música nacional era o disco.
Viver - No livro, o senhor conta que o Cartola gostava mesmo era de sambas-canções.
Mello - Sim, ele (Cartola) afirmava que (o samba-canção) era o tipo de música que ele gostava de fazer. Vide, por exemplo, O mundo é um moinho, que é um de seus grandes clássicos, junto com As rosas não falam.
Viver - O senhor diz que, apesar de terem sido concebidas originalmente em formato de samba-canção, as músicas de Noel Rosa não eram gravadas como o autor as concebera. Foi, de fato, a cantora Aracy de Almeida a maior responsável por verter as canções de Noel para o formato samba-canção? Ou seja, mais uma vez, uma mulher, assim como Araci Cortes, que ajuda a moldar esteticamente o gênero.
Mello - Sim, Aracy de Almeida, que convivera com Noel e de quem fora amiga íntima, é quem grava as mesmas composições de Noel antes gravadas por outros intérpretes, como Francisco Alves, porém, com o andamento lento do samba-canção. Mas de quem é a "culpa" disso, afinal? Do maestro gaúcho Radamés Gnatalli, porque foi ele que sacou que aquilo que havia sido gravado do Noel anteriormente estava errado.
Viver - Seria possível cotejar a dor expressa no samba-canção com aquela cantada no blues?
Mello - Sim, porque o blues tem aquela conotação de tristeza do negro que relembra e que sofre, e que é escravo. Então ele só pode resultar em uma canção tristonha. O samba-canção não é propriamente tristonho, mas, de certa forma, é lamentoso. Por que é lamentoso? Porque é o fim de uma relação amorosa: "Sinto muito, mas não dá certo, vamos terminar por aqui". E, nesse particular, o grande letrista que tivemos foi o Lupicínio Rodrigues. O Lupicínio foi o compositor que fez os melhores sambas-canções. Porém, Se acaso você chegasse, seu primeiro sucesso, gravado pelo Cyro Monteiro, não é um samba-canção. Quando o Francisco Alves, porém, grava...
Viver - Nervos de aço?
Mello - Nervos de aço. Quando ele grava Nervos de aço, creio que em 1947, aí ele ingressa com tudo no samba-canção. E, daí para frente, só vai fazer samba-canção. Entretanto, a consagração do Lupicínio não se dá aí. E qual o motivo? Quem fica consagrado é o Francisco Alves, pois, naquela época, o compositor não era reconhecido - quem se consagrava era o intérprete. O que aconteceu com o Lupicínio foi o seguinte: nos anos 1950, ele foi fazer uma temporada na Rádio Record, em São Paulo, que o contratou para uma temporada de duas ou três semanas. E, nesse ínterim, a boate Oasis - que era a única boate de grã-finos em São Paulo - contrata o Lupicínio e, no fim das contas, assombra-se com aquela vozinha miudinha, um negro vindo do Rio Grande do Sul... Quando ele começa a cantar músicas sobre ruptura de relação amorosa, com a maior tranquilidade possível, as pessoas ficam assustadas. E, de repente, ele começa a falar que "cornetude" não é problema.
Viver - Não é problema (risos)?
Mello - Não é problema. Todo mundo, em algum momento, já foi corneado. Ela já te corneou e você também já a corneou. Basicamente, a filosofia do Lupicínio era essa. Ele coloca nas letras dele algo que não existia, até então, na canção brasileira.
Viver - Que é?
Mello - O terceiro personagem, ora, que era a razão da ruptura (risos). É lógico, se um casal se gosta, quando é que começa a haver problema? Quando entra em cena o terceiro elemento: ou é a mulher que gosta de um cara ou é o homem que se apaixona por outra mulher. É quando começa a desandar o casamento. E era exatamente este o foco das canções do Lupicínio - sempre tem o terceiro personagem. Quando ele canta que o casal está na cama, usufruindo do amor carnal, não é o leito dele - é o leito dela com o marido ou vice-versa.
Viver - O senhor acredita que o disco Chega de saudade, de João Gilberto, que anuncia a bossa nova e, de certa forma, tira os holofotes do samba-canção, tenha sido uma metáfora que se refere ao fim do fracasso das relações amorosas como tema de um gênero musical?
Mello - Sim, mas por causa de um determinado violão, o violão do João Gilberto. Aquele violão acaba sendo o motivo dessa música que falava de relação de amor, e o samba-canção acaba perdendo a força. Mas ele não acaba. Ele, aliás, é mantido até hoje. O samba-canção, com o advento da bossa nova, não deixa de existir. Lígia, por exemplo, é um samba-canção. Ou seja, o Tom Jobim continua compondo samba-canção, que era o que ele fazia antes de se integrar ao movimento bossanovístico. Então, a partir daí, não é que o samba-canção tenha saído de cena, mas ele passa a não ter a mesma "proteção" de antes. Há pessoas que dizem que afirmei que a bossa nova teria matado o samba-canção, mas isso não é verdade. Ao contrário, o samba-canção abriu o horizonte da modernidade da música brasileira, como está bem descrito no último capítulo de Copacabana, intitulado "Modernidade". Foi essa modernidade do samba-canção, na realidade, que permitiu o surgimento da bossa nova
Viver - A geração bossa nova, então, não renegava a anterior, como muitos pensam?
Mello - Na verdade, ninguém renegava, pelo contrário. O (compositor) Carlos Lyra, por exemplo, adorava. Lembro de que quando fui fazer esse livro, o entrevistei e ele falou "que bom que você vai fazer. Quero que você exalte o samba-canção porque o samba-canção é muito importante para a história da música brasileira". Ele me cobrava, porque demorou 10 anos para o livro vir à tona.
Viver - O senhor, cujos ouvidos estão sempre atentos aos sons ao redor, consegue definir o processo histórico que estamos vivendo atualmente na música brasileira?
Mello - Há vários elementos em ação hoje em dia. O primeiro é a internet. São inúmeras as formas de plataforma onde pode ouvir novas músicas. É bom ou ruim? Não se sabe até que começam a haver milhares de acessos para aquela coisa; isso traz para grande parte das pessoas a sensação que "você viu aquela música? Um milhão de acessos!". Isso, no entanto, quer dizer que é boa? Não, quer dizer que tem 1 milhão de acessos. É impressionante, mas pode ser uma grande porcaria. Depende de várias circunstâncias. Isso permite que não haja mais um gênero predominante, mas sim que haja vários gêneros acontecendo ao mesmo tempo. E são os espetáculos que passam a tomar o lugar do disco e a forma do artista se remunerar. Porque os discos já não são mais aquilo, não tem onde vendê-los. Isso permite esse leque de coisas muito ruins que são absolutamente mentirosas, falsas e, por outro lado, de coisas muito boas - tudo ao mesmo tempo.
Viver - Está mais difícil detectar o que é "bom" e o que é "ruim"?
Mello - Sim, porque as pessoas precisam aprender a ouvir. Na primeira aula que tive na Juilliard, em Manhattan, no começo dos anos 1950, ouvi a frase que me acompanharia pela vida toda: "Bom dia. Aqui, na Juilliard, nós não vamos ensinar vocês a tocar, mas a ouvir. Bem-vindos".
* Cristiano Bastos é autor de Júpiter Maçã: A efervescente vida & obra (Plus Editora). Atualmente prepara uma biografia sobre Nelson Gonçalves, a ser lançada pela mesma editora.
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