Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quarta-feira, 05 de dezembro de 2018.
Dia Internacional dos Voluntários.

Jornal do Comércio

Cultura

COMENTAR | CORRIGIR

MÚSICA

Edição impressa de 05/12/2018. Alterada em 05/12 às 01h00min

O novo lugar de Djavan entre o pop e o disco

Djavan busca aproximação com o pop em novo disco

Djavan busca aproximação com o pop em novo disco


FACTORIA COMUNICAÇÃO/DIVULGAÇÃO/JC
A certa altura de Vesúvio (Luanda/ Sony), seu novo disco, Djavan canta que "O meu lugar/ É aonde ainda não fui". Em certo sentido, o disco reflete o lema. Aos 69 anos, o compositor reconhece que podia viver dedicado a projetos de releituras de sua obra - são dezenas de sucessos cujo apelo alcança públicos vastos e intérpretes que vão da cool Rosa Passos ao popularíssimo Thiaguinho. Prefere, porém, se lançar na aventura das canções inéditas. Há sinais de que a escolha compensa: seus shows seguem cheios, seu público se renova e, em 2016, sua composição Vidas pra contar ganhou o Grammy Latino de Melhor canção brasileira. Vesúvio traz mais 12 faixas novas, e há outras em discos, como o recém-lançado A pele do futuro, de Gal Costa.
Mas a aventura de Vesúvio vai além de apresentar uma safra de inéditas. Djavan conta que, ao buscar os tais lugares aonde ainda não foi, se propôs o exercício de fazer um disco pop. Pop à la Djavan, claro. O suingue pessoal, as melodias que encontram maneiras não óbvias de se fazerem assoviáveis, a companhia de músicos que ajudaram a formatar o chamado som-do-Djavan (como Paulo Calasans e Torcuato Mariano), o desejo de brincar com palavras inusitadas (Orquídea tem versos como "Lembra aquela Phalaenopsis/ Que você me deu/ Me deixou com Sophronitis/ Por um beijo seu") - tudo isso está lá. Mas com outra fluidez, para usarmos um termo do próprio compositor.
"Queria um disco mais fluido do ponto de vista sonoro e literário. Soar mais claro, mais simples. Um disco pop nesse sentido. Mas nada para atender ao mercado, apenas para me desafiar", Djavan, que, mesmo com tudo o que já ergueu, se refere à sua obra no gerúndio. "Tô construindo minha obra. Cada disco me coloca na margem da estrada que vai me levar para esse meu lugar aonde ainda não fui."
Djavan dá o exemplo de Solitude como uma das mais evidentemente diretas. Mas ele sabe que, na comparação com o disco de qualquer artista fundamentalmente pop, ficam claras as diferenças: "O dele vai ser certamente melhor como um disco pop, mas o meu é mais interessante", afirma, rindo. "Não tem só que ser simples, tem que ser bom. Só louco, de Caymmi, é simples, mas profunda demais na simplicidade. Meu natural é ser elaborado, soar simples é um esforço. Por isso tenho dificuldade de gostar de coisas simples que eu faço", explica o músico, completando: "Mas toda hora gosto de algo pop que ouço no rádio. Passei dias maravilhado com A danada sou eu, da Ludmilla. Até porque o Brasil tem uma riqueza musical natural, uma diversidade que se reflete mesmo no pop".
Solitude também traz outro aspecto do disco, raro na obra de Djavan: o comentário político. "Quando componho, não me esquivo de nenhum assunto, e estamos agora envolvidos em questões políticas. Em Solitude, queria fazer uma canção apartidária, na qual a esperança é o foco", ressalta. Sobre o contexto atual, ele pontua: "Acredito que o Brasil vai ser um País legal. A esperança está no Brasil, não no governo. Vai acontecer muita coisa ruim, transformação dói. Você vê esse aspecto terrível da migração, isso é uma reorganização do mundo. Os países ricos construíram riqueza explorando os mais pobres, agora está vindo a conta".
Apesar da observação política, o disco é essencialmente de canções de amor. O nome do álbum, Vesúvio, que carrega em seu sentido força, beleza e destruição, além de uma sonoridade que amarra isso, sintetiza bem o espírito de faixas como Tenho medo de ficar só, Um quase amor, Madressilva (exceção de requinte clássico num disco pop) e a canção-título. "Nunca tive a preocupação de me repetir cantando o amor, porque ele é dinâmico, cada um é único", avalia Djavan.
Meu romance ganhou uma segunda versão. A convite de Djavan, o uruguaio Jorge Drexler escreveu versos em espanhol para ela, que se tornou Esplendor e é cantada em dueto. Em meio aos versos de amor e de política, entre o rebuscamento (palavra de que Djavan não gosta, por sugerir uma intenção em algo que para ele é natural) e a clareza pop, talvez nada represente mais o disco do que a canção romântica que lista nomes de orquídeas, polissílabos em latim à primeira vista antimusicais. Mais especificamente, o verso no qual ele encaixa a espécie Javanica, que soa como djavânica - a arquitetura complexa e de apelo direto da flor, o objetivo primeiro de Vesúvio.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia