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Porto Alegre, terça-feira, 20 de novembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Cultura

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Exposição

Edição impressa de 20/11/2018. Alterada em 20/11 às 08h54min

Aviação é o tema da nova mostra no Museu de Arte do Rio Grande do Sul

Artista Marcos Amaro abre exposição com peças aeronáuticas no Margs

Artista Marcos Amaro abre exposição com peças aeronáuticas no Margs


/RICARDO RINALDI/DIVULGAÇÃO/JC
Frederico Engel
"Histórias podem sair de qualquer lugar." A frase ajuda a definir a filosofia de trabalho de Marcos Amaro, que inaugura, na próxima quinta-feira, às 19h, exposição no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs) com obras realizadas a partir de peças de aeronaves desmontadas. A mostra segue no museu até 17 de fevereiro de 2019, com curadoria de Fábio Magalhães. 
Intitulada Desconstruções e articulações, a exposição retrata o contato que o artista teve desde pequeno com a aviação: ele é um dos filhos do comandante Rolim Amaro, o falecido ex-presidente e fundador da TAM. "Assistindo ao meio aeronáutico, comecei a arriscar os meus primeiros desenhos no papel", conta Amaro.
Além do interesse direto na aviação, a arte entrou na vida de Amaro, em parte, ao acompanhar o trabalho como estilista de sua mãe. "Esse contato fez com que eu despertasse o senso pela arte", afirma.
A estreia profissional, contudo, aconteceu apenas em 2012 - até então, o artista não sentia segurança para apresentar ao público a sua produção. "Foi com pesquisa e estudo prévio que eu pude me sentir confortável para apresentar as obras. A relação com a arte muda, considerando que fica passível de julgamento de outras pessoas que não apenas eu mesmo", comenta Amaro. Desde então, ele já expôs em diferentes museus.
Esta relação alterada também traz diversos benefícios para o desenvolvimento do trabalho. Com as obras sendo avaliadas e interpretadas, o campo para a discussão se expande, algo ao qual o artista enxerga como fundamental. "O caráter ambíguo é inerente à atuação artística. A arte em si é um espaço para debates", aponta.
A duplicidade também é característica de Amaro. O trabalho dele é ressignificar materiais, dando outros sentidos para cadeiras, colchões, peças, sofás, tecidos, bem como materiais considerados precários pelo artista, como areia e cimento. Peças desgastadas e castigadas pelo tempo são valorizadas, sendo uma de suas importantes forças de trabalho. Assim, ele trabalha com a estética e o estilo a partir desses elementos, por vezes menosprezados por outros profissionais de diversos campos artísticos.
Em Desconstruções e articulações, a exposição é constituída de diferentes peças de aeronaves coletadas por Amaro. A composição das obras obedece a uma ordem geométrica, com elementos pictoriais criados sem fazer uso de tingimento. "Prefiro não alterar a tonalidade original - no máximo, algum desgaste, mas não há interferências no formato das peças", destaca o artista.
O processo de trabalho é algo que exige a aplicação de técnicas de diferentes domínios. Amaro conta com assistentes da área de engenharia, que o auxiliam no cálculo para composição. A logística necessária ao trabalho exige as presenças de mais pessoas além de Amaro, para desmonte, limpeza e fixação. Desconstruções e articulações demorou entre seis meses e um ano para ficar pronta.
A escolha das peças é feita de um modo cuidadoso. Pesquisa e domínio do material são os elementos mais importantes nesse conceito. Neles, Amaro insere sua visão de mundo. "Gosto de trabalhar com as relações efêmeras, o sentido de finitude. Creio ser uma visão romântica", brinca.
Além da exposição, acontece o Conversas no Museu na sexta-feira, com a presença do artista, do curador Fábio Magalhães e mediação de Nei Vargas da Rosa. O debate gratuito, que se inicia às 16h, foca nas linhas conceituais de processo poético e do universo da produção de Amaro. "Estes momentos são ótimos para se ter contato direto com o público e vice-versa. Conversar sobre arte é sempre bom", finaliza.
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