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Jornal do Comércio

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08/10/2018 - 22h18min. Alterada em 11/10 às 16h17min

"Há pessoas que votam cegamente em políticos que levam ao retrocesso", diz Ai Weiwei

O artista plástico defendeu a liberdade de expressão e a democracia na 6ª noite de Fronteiras do Pensamento

O artista plástico defendeu a liberdade de expressão e a democracia na 6ª noite de Fronteiras do Pensamento


MARIANA CARLESSO/JC
Luis Filipe Gunther
Artista plástico, designer e cineasta, o chinês Ai Weiwei é um principais símbolos da liberdade de expressão no mundo contemporâneo. Ele palestrou nesta segunda-feira (08) à noite no Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre. Exatamente às 20h o curador da mostra de Ai Weiwei e mediador do debate, Marcelo Dantas, deu início ao debate no salão de atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).
Weiwei tratou da democracia e a arte, fundamentos de sua carreira. O chinês é um dos destaques da arte chinesa desde os anos 1970, seguindo o caminho do pai, o poeta Ai Quing. No Brasil, o artista investiu na obra Raízes do Brasil, que busca, nas regiões mais remotas, traços que retratem a identidade cultural do provo brasileiro. A obra é um compilado das produções: Ex-voto, Alfabeto Armorial e Terezas (Fuga).
Defensor dos direitos humanos, Weiwei foi preso em 2008 na China por enfrentar o sistema político. Em 2015, foi extraditado para a Alemanha, onde vive até hoje. E produziu um filme sobre a história de 600 refugiados em 70 países. Ai Weimei contou que o que presenciou lembra muito o período da sua infância em que sua família foi expulsa da China. Com um pai poeta e crítico do governo de Mao Tsé-Tung, viveu em um deserto chinês para que fosse reeducado.
O artista plástico narrou que, para prevenir que a família sofresse represália do governo, quando era criança, por volta de seus sete anos de idade, teve que auxiliar seu pai a queimar uma coleção de seus livros. Desde então, foi proibido de ler, o que, de acordo com Weiwei, o impulsionou para a arte. Ele explicou que a arte nunca foi sua prioridade, mas que achou nela um meio de se expressar. "A arte não era bem vista pela sociedade chinesa. Então, meu pai me proibiu de ler, porque quem lia tinha a capacidade de questionar o governo, o que ele menos queria que eu fizesse por medo das consequências. Após ele morrer, comecei a produzir arte criticando o governo comunista", lembra.
Inspirado em Ai Quing, o artista veio ao Brasil em busca de árvores, um sonho que transformou em obra de arte. Pela primeira vez no país, buscava fotos e pinturas que seu pai deixara quando viajou ao Brasil em 1954. Com o auxílio de seu curador, Dantas, e de especialistas, encontrou um Pequi de 35 metros de altura e mil anos de idade, ideal para saciar a sua vontade. O tronco milenar deu serviu de molde para uma árvore de metal que está indo em direção a China. O trabalho levou aproximadamente três meses e foi feito por 12 chineses especialistas em moldagem. "O processo para moldagem é como fosse um pagode: é um ato religioso. No próximo ano ela será montada em um lugar que ainda não pensei", diz Weiwei.
Dantas questionou Weiwei sobre por que o discurso de ódio está se disseminando pelo mundo. A reação da plateia foi imediata: o público que lotava o auditório começou a gritar "Ele Não!", palavra de ordem criada por mulheres contrárias ao candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL). Depois da manifestação, a resposta do artista foi de que o povo brasileiro deve saber defender seus valores e não deixar outras pessoas ditá-los. "Há pessoas que cegamente votam em candidatos que dizem coisas agressivas e que levam ao retrocesso político e social", completou o artista.
Ai Weiwei também avaliou que a liberdade é necessária para a evolução de um indivíduo e que, em um país como dele, isso não acontece. De acordo com o artista, 100 mil pessoas ficam controlando o que as pessoas postam em suas redes de comunicação. Para exemplificar, contou sua experiência e os métodos para causar medo em quem se opõe ao Partido Comunista Chinês. "Eu escrevia artigos todos os dias, às vezes até mais de um, até que fui espancado pela polícia. O resultado disso foi uma hemorragia no cérebro e meu nome apagado da rede chinesa”, contou o artista.
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