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Porto Alegre, quarta-feira, 12 de setembro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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Música

Edição impressa de 12/09/2018. Alterada em 12/09 às 01h00min

Adriana Calcanhoto faz shows em Pelotas e Porto Alegre nesta semana

Apresentação da artista tem canções de nomes consagrados da música brasileira

Apresentação da artista tem canções de nomes consagrados da música brasileira


LEO AVERSA/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Calcanhotto traz ao Rio Grande do Sul o show A mulher do Pau Brasil nesta semana, mesmo nome do espetáculo que montou em 1987, aos 21 anos, em Porto Alegre. Há pontos de ligação entre os projetos, mas a cantora vive um momento diferente.
Ela acaba de vivenciar dois anos de residência artística na Universidade de Coimbra, onde estudou e deu aulas. Criou este show em 2017, para o que seria a conclusão do período em Portugal. Tudo mudou. Ele se transformou em turnê pelo Brasil e a estada em Portugal parece longe de terminar, porque voltará à universidade para mais um semestre.
Adriana se diz surpresa com a turnê, com sessões extras e novas cidades entrando na agenda. "Gosto de fazer em teatro, que é meu palco natural. Prefiro. Acho que certo tipo de espetáculo, como esse, precisa da concentração do público, as pessoas não podem estar falando no celular, bebendo."
Não é um show montado para divulgar um novo disco. "Comecei a minha carreira pensando sempre em show. Essa coisa de gravar em estúdio atravessou na minha frente, então fui fazer o primeiro disco", conta Adriana. "Sempre pensei que as pessoas poderiam ver meu show naqueles dias, sei lá, umas duas semanas em cartaz, e pronto, acabou. Não ficou registro de vários que montei; de alguns, tenho umas duas ou três fotos, só isso. É para ser efêmero. Então não me assusta fazer um show sem disco."
A sessão abre com a canção que dá título à montagem, espécie de autorretrato de Adriana, que se sentia realmente a "mulher do Pau Brasil" em Coimbra, falando sobre o caráter antropofágico na cultura brasileira. "O roteiro é muito costurado para mostrar o Brasil e muitas de suas mazelas antigas e atuais, sob o ponto de vista de uma lente antropofágica. O Brasil é oswaldiano, modernista. Tem humor, leveza, um rir de si mesmo", ressalta.
Traz alguns de seus sucessos, como Esquadros, Inverno e Vambora, e surpresas. Há um bloco dedicado a poemas musicados, com Gregório de Matos, Alberto Caeiro e Emily Dickinson. Já a parte final tem músicas alegres, fechando com versão dançante de Eu sou terrível, de Roberto e Erasmo, que abria o show de 1987.
Entre a poesia musicada e o encerramento festivo, o público acompanha um desfile de canções para definir um Brasil de problemas. Ela mudou várias músicas da turnê feita em Portugal. Entraram Geleia geral, de Gilberto Gil, Nenhum futuro, de João Bosco e Francisco Bosco, e O cu do mundo, de Caetano Veloso.
A inclusão dessa última é definida por Adriana como "a apropriação do acaso". Ela selecionou para o repertório sua canção Vamos comer Caetano. Essa música inclui trechos sonoros pré-gravados que são extraídos de músicas de Caetano. Quando foi capturar esses sons que reproduziria no palco, recorreu aos discos que tem do cantor. E um deles era Circuladô (1991).
"Quando ouvi O cu do mundo, falei: 'Meu Deus!'. Parece que ele escreveu essa música ontem, logo depois de um desses debates dos candidatos. Faz muito mais sentido agora do que quando ele lançou. Tinha de cantá-la inteira", explica.
Um momento alto do show é As caravanas, do último álbum de Chico Buarque. "É um pouco a história do Brasil contada pelo Chico em dois minutos e tantos segundos, algo assim", afirma. Já a inclusão de Geleia geral ela credita a vários motivos. Entre eles, o fato de a música também fazer parte do show de 1987 e a presença de Bem Gil no palco. Além de Adriana e do filho de Gilberto Gil, o trio do espetáculo é completado por Bruno Di Lullo.
Adriana, além do violão e de alguma percussão, empunha guitarra elétrica. A intimidade com o instrumento veio com Gabriel Muzak, que formou com o pianista Ricardo Dias Gomes a dupla de seus shows em Portugal. "Gabriel foi meu professor de guitarra. Pensei que não poderia enferrujar musicalmente, então resolvi tocar guitarra elétrica, que é algo surpreendente para quem está em Coimbra."
Adriana enxerga que, além do conteúdo das canções, empreender uma turnê hoje no País já seria um ato político. "Neste momento, fazer é resistir. Filosoficamente, não me sinto livre. Ninguém pode se sentir livre, estamos todos com medo. Acho que as pessoas estão precisando de alguma catarse, e isso acontece um pouco no show, por esse viés da canção popular."

Agenda

Pelotas
Data: 13 de setembro
Local: Theatro Guarany (Lôbo da Costa, 849)
Ingressos: entre R$ 140,00 e
R$ 400,00 (camarote), no site Blue Ticket ou nas lojas Ótica Lume e Emilice Calçados.
Porto Alegre
Data: 14 de setembro
Local: Teatro do Bourbon Country (Túlio de Rose, 80)
Ingressos: entre R$ 70,00 e
R$ 160,00, no site Uhuu ou na bilheteria local.
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