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Porto Alegre, sábado, 18 de agosto de 2018.
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Jornal do Comércio

Cultura

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Festival de Gramado

18/08/2018 - 19h44min. Alterada em 18/08 às 19h52min

Trajetória de Carlos Saldanha é reconhecida em Gramado

Saldanha morou com a família em Alegrete e diz que conhece bastante o Interior gaúcho

Saldanha morou com a família em Alegrete e diz que conhece bastante o Interior gaúcho


EDISON VARA/PRESSPHOTO/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline da Silva, de Gramado
Em sua trajetória profissional, o realizador audiovisual carioca Carlos Saldanha diz que sempre buscou os desafios. Foi assim que foi para a animação. Em nova fase, parte para o live-action. “Não tem palavra em português para definir o cinema propriamente dito?”, pergunta ele, na coletiva de imprensa no Museu do Festival de Cinema de Gramado, confirmando ser o responsável pela série original brasileira da Netflix Cidades Invisíveis.
Quando criança, Saldanha morou com a família em Alegrete. Por isso, diz conhecer bastante o Interior gaúcho, pois os pais faziam a viagem de carro até o Rio de Janeiro. Assim, havia vindo para a cidade da Serra aos 9 anos. E, agora, está pela primeira vez no evento da sétima arte para receber o troféu Eduardo Abelin. A homenagem oferecida pela 46ª edição do festival ocorre na noite deste sábado (18), entre a exibição dos longas concorrentes.
Ele conta que foi na infância que já se manifestou sua veia artística: gostava de desenhar, fazia caricatura das pessoas próximas. Por esta razão, a organização do evento trouxe um desenhista para fazer um retrato do cineasta. Ele agradeceu, dizendo que nunca tinha ganhado um.
Em ambiente familiar, a notícia que gostaria de ser artista não foi muito bem aceita, então Saldanha foi estudar Computação. Também tinha um inglês perfeito. Como tinha um curso de animação de arte marcado nos Estados Unidos, propôs casamento para a namorada e foram: “Estudava sem parar no laboratório de informática. Já comecei a fazer curtas”.
O cineasta está há muitos anos trabalhando no exterior, sempre na Blue Sky Studios, companhia responsável por animações como A Era do Gelo, Robô, Rio e O touro Ferdinando, que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação em 2018. Esta foi dirigida por Carlos Saldanha, que exerceu a mesma função em Rio (2011) – filme que criou para ser uma carta de amor para sua cidade natal e que se tornou um sucesso mundial.
Na trilogia de A Era do Gelo, ele dividiu a direção do primeiro filme e depois assumiu integralmente a condução das duas sequências, sendo que a última A Era do Gelo 3 se tornou um dos maiores filmes de animação de todos os tempos, arrecadando quase US$ 900 milhões mundialmente.
Saldanha explica que quando está fazendo um filme de animação, são quatro anos dentro do estúdio: “Não saio, praticamente não tenho vida própria”. Ele se mostra sempre atento ao roteiro, mais que a técnica em si, porque os equipamentos estão a reboque dele: “A combinação com a tecnologia é o que faz a animação uma coisa única, que encanta as pessoas”.
Para ele, cinema é basicamente contar histórias e criar personagens. Segundo o realizador, isso não é diferente na animação ou no live-action: “A intenção é transportar as pessoas para este mundo que você está criando, passar essas emoções que está falando”. O carioca já havia dirigido um dos curtas que compõem Rio, eu te amo (2014). Foi responsável por Pas de deux, que contava um episódio de separação de um casal de bailarinos, interpretados por Rodrigo Santoro e Bruna Linzmeyer.
Com filmagens ainda em 2018, a primeira temporada de Cidades Invisíveis terá oito capítulos. “Sou criador e produtor, não tenho obrigação de dirigir, mas gostaria muito de comandar o piloto e mais alguns episódios.” Protagonizada por Marco Pigossi, a produção retratará um submundo habitado por criaturas míticas que evoluíram de uma linhagem do folclore. Por enquanto, este é o único ator confirmado. Saldanha já avisa que o público não é infantil: “É um policial, com elementos de fantasia sobre a cultura brasileira; há um pouco de sobrenatural na aventura”.
Além dessa produção nacional da Netflix, o realizador ainda tem uma grande vontade de fazer um título de animação no Brasil. Conforme o carioca, é um desejo antigo, mas o custo é muito alto - no entanto, não desiste da ideia. 
Nos Estados Unidos, o próximo longa em animação é uma história original sua, porém ainda não pode revelar detalhes. Como suas temáticas recorrentes, reconhece o respeito, a família, os amigos. “Procuro essas mensagens. Acho que é isso que é interessante de mostrar: o lado da emoção, de relacionamento, da injustiça”, reflete.
Durante a entrevista, o cineasta também foi convidado a se posicionar sobre a questão de gênero na animação, já que este é um tema bastante atual na sétima arte. “Essa discussão sempre houve. Quando fazemos um filme com animais, por exemplo, primeiro selecionamos os atores para fazerem as vozes, e depois animamos. E sempre escolhemos um time plural, em todos os sentidos.” Ele disse que o debate sério está atrasado, que se houvesse começado antes, não seriam necessárias posturas radicais agora.
Grava primeiro as vozes e depois anima as gravações. Ter um time de atores plural, quando os personagens são animais, para dar voz. “O mundo está mudando e temos que mudar com ele. Nesse conceito de diversidade, Rio foi vanguarda. Estávamos na frente disso, de mostrar a pluralidade. Quando procuro ser a vitrine de onde eu venho, tento fazer do melhor jeito possível, não posso decepcionar, tenho que entregar o meu trabalho”, finaliza.
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