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Porto Alegre, terça-feira, 03 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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Artes Visuais

Notícia da edição impressa de 03/07/2018. Alterada em 03/07 às 01h00min

Mostra retrospectiva de Graça Craidy destaca a indignação diante da violência

Acontecimentos como estupro coletivo pela ótima de Graça Craidy

Acontecimentos como estupro coletivo pela ótima de Graça Craidy


GRAÇA CRAIDY/REPRODUÇÃO/JC
Cristiano Vieira
Dor, violência, tristeza, brutalidade. Na exposição A mulher que roubava almas, de Graça Craidy, os sentimentos negativos se transformam em retratos e desenhos que "gritam" para o mundo uma indignação que não pode ser sufocada. Com 115 retratos, a mostra abre hoje, às 18h, no Espaço Cultural Correios (térreo do Memorial do RS, com entrada pela avenida Sepúlveda). Com entrada franca, a exposição fica no local até 31 de julho.
Publicitária formada pela Pucrs na década de 1970, Graça sempre esteve ligada à criatividade. O traço preciso e, por vezes, veloz - ela chega a finalizar um retrato em 30 minutos, por exemplo - decorre de uma artista passional, movida pelos sentimentos. "A minha função como artista é 'desanestesiar'. As pessoas não se indignam mais com fatos horríveis, como um estupro coletivo", alerta ela.
O acontecimento, por sinal, foi retratado por Graça. "Essa notícia ocupa as páginas dos jornais como um acontecimento comum. Mas fere a humanidade, tem que ser discutido. A arte pode traduzir aquilo que as pessoas não conseguem enxergar, acredito nisso", conta a artista.
A mulher que roubava almas é uma exposição dividida em 11 módulos, sendo quatro inéditos. Retratos da Morte exibe a expressão chocante e desoladora de mulheres assassinadas por seus companheiros. Em Retratos do Desespero, a violência contra a mulher é retomada em uma série que aponta os crimes denunciados pela Lei Maria da Penha. O tema também está presente em Retratos da Violência, em manifestações contra o estupro e espancamento. Graça expõe ainda os inéditos Retratos da Guerra, em que aparecem a dor e a itinerância sem rumo dos refugiados da Síria.
A velhice tem atraído o olhar, ultimamente, da "mulher que roubava almas" - o termo decorre de uma crença antiga dos aborígenes na qual ser retratado por alguém roubava-lhes a alma. "Vejo, na janela, os idosos esquecidos, aprisionados em celas de vidro nos prédios. Estão abandonados, e isso pode levar ao suicídio. Muita gente não tem paciência para lidar com eles", alerta ela.
Graça Craidy trabalhou por 20 anos em agências de propaganda de São Paulo, onde também fez seu primeiro curso de desenho. Conheceu de perto as obras dos grandes mestres em viagens ao exterior.
De volta à capital gaúcha, lecionou na ESPM e ingressou no Atelier Livre da prefeitura de Porto Alegre. Paralelamente, fez cursos na Accademia D'Arte, em Florença, na Itália; e no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista, entre outros aprimoramentos contínuos.
"Cada vez que desenho um rosto é como se acariciasse o mais profundo humano que habita aquela criatura", afirma Graça, que se confessa apaixonada pela figura humana. Discípula de Dalton de Luca, Renato Garcia, Will Cava, Gustavo Diaz, Paulo Chimendes, Ana Lovatto, Daisy Viola, Deborah Paiva e Fernando Baril, ela utiliza vários materiais, como aquarela, nanquim, pastel e até café para expressar sua passionalidade e seu ativismo.
Como artista, não deixou de ser comunicadora, e usa sua obra também para exercer crítica social. As temáticas do feminino e da violência contra a mulher estão presentes em sua trajetória e em evidência na exposição. Também o olhar perplexo sobre a natureza faz parte de suas criações, em retratos de flores e pássaros.
Suas obras já estiveram em mais de 40 exposições, em espaços como MAC-RS, Memorial do RS, Paço Municipal, Assembleia Legislativa, Galeria Duque e Galeria Gravura. A mulher que roubava almas é a primeira que reúne toda sua produção em uma montagem retrospectiva, incluindo obras inéditas.
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