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Porto Alegre, quinta-feira, 28 de junho de 2018.
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Jornal do Comércio

Cultura

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ARTES CÊNICAS

Notícia da edição impressa de 28/06/2018. Alterada em 28/06 às 01h00min

Cia. Stravaganza comemora trinta anos de atuação com novo projeto

Três décadas do grupo são comemoradas com a inauguração do Teatro de Quinta no Estúdio Stravaganza

Três décadas do grupo são comemoradas com a inauguração do Teatro de Quinta no Estúdio Stravaganza


MARIANA CARLESSO/JC
"A sede foi a coisa mais importante que nos aconteceu", define Adriane Mottola, fundadora da Cia. Stravaganza, a respeito dos 30 anos de atividades do grupo gaúcho. O coletivo completou três décadas de serviços prestados ao público de artes cênicas no último dia 11. Há 30 anos, estreava com a peça Shandar e o feitiço de Mungo, ainda que sem a alcunha de Stravaganza. "Não tínhamos a intenção de ser um grupo", lembra ela, que deu início aos trabalhos com os já falecidos cofundadores Luiz Henrique Palese e Cacá Corrêa.
Para comemorar o feito, os artistas convidam o público a comparecer em seu espaço, o Estúdio Stravaganza (Doutor Olinto de Oliveira, 64). Tem abertura, na noite desta quinta-feira (28), o projeto Teatro de Quinta, com apresentação do espetáculo Espalhem minhas cinzas na EuroDisney. A peça fica em cartaz nas quintas-feiras, sempre às 20h, até 9 de agosto. Nesta primeira data, a entrada é franca - nas sessões posteriores, os ingressos custam R$ 40,00.
A companhia já desenvolveu 28 montagens - lista que contempla tanto trabalhos infantis quanto estilos de jogo, como a commedia dell arte, o clown, o bufão e o melodrama. Alguns destaques são Decameron (de 1993 a 1998), que os levou até para fora do País; a premiada A comédia dos erros, de 2008, ainda no repertório da companhia; e Bebê Bum, no currículo desde 1999.
Única presente desde o início da trajetória do grupo, Adriane Mottola esclarece que não há uma linguagem que perdure desde o começo das atividades. "Acho que a maior característica é o ecletismo, a vontade de buscar coisas novas, a procura de uma outra linguagem para cada espetáculo", afirma ela. Se, nos primeiros anos, houve um trabalho frequente de dramaturgia própria, mais recentemente, os artistas têm se interessado em outros dramaturgos - contemporâneos ou que tratem de questões contemporâneas.
O próprio EuroDisney, mais novo projeto do coletivo, é do argentino Rodrigo García e fala da sociedade do consumo, de manipulações midiáticas e fissuras dos sistemas democráticos - e como isso influencia relações pessoais. De acordo com a fundadora, o espetáculo - formado por monólogos e dirigido por ela mesma - tem montagem complicada por envolver três projetores. Com o estúdio como palco, não há risco de, em uma semana, o aparato ficar adequado e, em outra, não. "E, aqui, podemos fazer modificações a cada semana. Vamos fazendo um laboratório, trabalhando em outras coisas, em modificações. A peça está sempre em processo, é o ideal para que fique sempre viva", ressalta.
A sede própria foi adquirida em 1998. Nela, a equipe pode ensaiar com todo material ao alcance, do figurino ao cenário. "No momento em que tu tens esse território, aí que tu sabes que o trabalho vai durar", lembra Adriane, a respeito do momento que viu a Stravaganza estabelecida.
Conforme ela, com o falecimento de Palese, em 2003, o grupo passou a se abrir mais a colaborações com outros expoentes das artes visuais - até como resposta à ausência do fundador, que trabalhava como ator, diretor, cenógrafo e iluminador. Uma das marcas do coletivo é se deixar influenciar pelos integrantes que vão e vêm em diferentes períodos ou projetos. 
Hoje, o núcleo artístico da companhia é formado por Adriane e mais oito companheiros: Duda Cardoso, Ricardo Vivian, Geórgia Reck, Janaina Pelizzon, Lauro Ramalho, Áquila Mattos, Fernando Kike Barbosa e Anderson Moreira Salles. O número de pessoas que passaram pelo grupo ao longo das três décadas, no entanto, é estimado pela diretora em 150.
Já o contexto para se fazer teatro atualmente não é tão diferente do panorama de 1988, segundo Adriane. "Era muito mais difícil antes, porque não tínhamos - nós, o teatro de Porto Alegre - patrocínios, e eram poucos teatros. Mas continuamos com poucos teatros, e os patrocínios e editais estão minguando", afirma ela, citando que salas foram fechadas e outras, abertas, estão em más condições de uso. "Só não é igual porque, durante esse tempo, construímos uma carreira artística que ainda nos permite mostrar nosso trabalho com qualidade. Criamos uma estrutura de independência de instituições e governo."
Após a temporada de EuroDisney, uma das possibilidades vislumbradas pelo grupo é uma remontagem do espetáculo Mritak, a comédia da vida, com texto de Palese.
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