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Porto Alegre, quinta-feira, 01 de abril de 2021.
Dia da Mentira.
Porto Alegre,
quinta-feira, 01 de abril de 2021.
Notícia da edição impressa de 01/04/2021.
Alterada em 01/04 às 03h00min

Os teatros de Porto Alegre no século XIX

Ainda que com atraso, esta coluna propõe um rápido resgate dos teatros da cidade de Porto Alegre, tendo em vista a passagem dos 249 anos de existência de nossa Capital.
Ainda que com atraso, esta coluna propõe um rápido resgate dos teatros da cidade de Porto Alegre, tendo em vista a passagem dos 249 anos de existência de nossa Capital.
A cidade teve apenas dois prédios dedicados às atividades cênicas, antes da inauguração do Theatro São Pedro, em 1858. Em que pese os açorianos terem tradições culturais bastante fortes, até 1794, nada aconteceu. Naquele ano, contudo, no então Beco dos Ferreiros (atual Rua Uruguai, quase esquina com a atual Avenida Mauá), foi levantada uma construção que se tornaria a Casa da Comédia, modestíssima instituição com capacidade para cerca de 300 pessoas, contando com 36 camarotes (!!!), mas cuja plateia era obrigada a assistir aos espetáculos de pé, pois não havia nem cadeiras. Farsas portuguesas, entremesses, autos religiosos e dramalhões históricos, com escassos grupos lusitanos que aqui chegavam, mas no mais das vezes com agrupamentos amadores, locais, eram apresentados.
Em 1797, a casa foi arrendada por um certo Pedro Pereira Bragança, que mudou seu nome para Casa da Ópera, mas não ajudou muito a situação. Um ano depois, o prédio era fechado, encerrando suas atividades. Em 1804, o então presidente da Província, Paulo José da Silva Gama, resolveu retomar a empreitada, e entregou a administração da instituição ao sacerdote franciscano Amaro de Souza Machado. Com uma linha bastante puritana e marcada pelos espetáculos familiares, o empreendimento alcançou algum sucesso.
Em 1828, a cidade ganhou um Grêmio Dramático chamado Sociedade do Teatrinho, sob a direção de João Batista Cabral, que formou um elenco com jovens da elite. Funcionou pouco tempo, porque a Guerra dos Farrapos, em 1835, fechou a casa de espetáculos que, em 1838, devido às suas condições miseráveis, foi derrubada.
Desaparecido aquele prédio, logo outro foi erguido, graças a uma novel Sociedade Dramática Particular, formada, ainda uma vez, por habitantes da elite urbana. O novo teatro, portanto, o segundo da cidade, organizou-se em três prédios da então Rua de Bragança (hoje, Rua Marechal Floriano, próximo à Praça XV), que recebeu o nome de Dom Pedro II e que se encontrava em pleno funcionamento quando o Theatro São Pedro, imponente na época, foi inaugurado. Mas não devemos nos entusiasmar muito com este segundo prédio. O viajante alemão Robert Avé-Lallemant, quando passou pela cidade, registrou, em seu livro de viagens, a seguinte impressão sobre um espetáculo que ali assistiu, na noite de 25 de fevereiro de 1858, portanto, poucos meses antes da inauguração do Theatro São Pedro, que viria a condenar o Dom Pedro II ao ostracismo: "O teatro era modestíssimo: plateia, frisa, camarotes da primeira e camarotes da segunda ordem, nenhum lustro, mas trinta velas, sendo os camarotes abertos, separados apenas por uma grade muito baixa".
Sobre o espetáculo, em si, escreve: "A ouverture começou muito forte, não era o Sonho de uma noite de verão, de Mendelsohn [sic], mas outra. Subiu o pano e começou o prólogo. Mas as transformações do poeta inglês tinham sido antecipadas pelos atores que representavam perante nós; as heroínas principais eram homens em trajes femininos, que aliás desempenaram bem os papéis de moças".
O projeto do Theatro São Pedro começara por volta dos anos 1830. O presidente provincial Manuel Antonio Galvão havia atendido a um pedido de pequeno grupo de cidadãos e doara um terreno do outro lado da praça do palácio do Governo para a construção de um teatro. A revolução, porém, interrompera tudo. Apesar da crise que se seguiu, em 1850 as obras foram iniciadas e o prédio, com desenho de Filipe Normann, foi inaugurado em 27 de junho de 1858.
Sempre fico pensando se os homens que defenderam a construção deste prédio que sobrevive ainda hoje, teriam imaginado que, mais de 160 anos depois, aquele ainda seria o nosso grande teatro e um dos símbolos da cidade de Porto Alegre, reconhecido em todo o País?
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Antônio Hohlfeldt
Antônio Hohlfeldt
Um dos principais críticos de teatro do Brasil, Antonio Hohlfeldt comenta os espetáculos em cartaz no Rio Grande do Sul, analisando festivais e observando a evolução de grupos teatrais gaúchos e nacionais. Todas as sextas-feiras no Jornal do Comércio.