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Porto Alegre, sexta-feira, 31 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 31/01/2020.
Alterada em 31/01 às 03h00min
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Autora e diretora mostra competência

Dois objetivos bastante diversos, mas complementares, certamente são buscados pela dramaturga e diretora (além de produtora) Patsy Cecato, com a produção de Não se mata pintassilgo. O texto se origina de seu trabalho no mestrado em Escrita Criativa, na Pucrs, que tive o prazer de orientar. Ela queria produzir textos relativamente curtos, entre diálogos e monólogos, capazes de abordarem situações dramáticas hilárias ou emotivas, que servissem de exercícios para um novo ator ou para um ator ou atriz que quisessem demonstrar suas aptidões. Portanto, originalmente, Não se mata pintassilgo seria (apenas) uma antologia de textos a serem trabalhados individual e fragmentariamente por atores/atrizes ou em sala de aula, afim de propiciar situações dramáticas para exercícios.
Dois objetivos bastante diversos, mas complementares, certamente são buscados pela dramaturga e diretora (além de produtora) Patsy Cecato, com a produção de Não se mata pintassilgo. O texto se origina de seu trabalho no mestrado em Escrita Criativa, na Pucrs, que tive o prazer de orientar. Ela queria produzir textos relativamente curtos, entre diálogos e monólogos, capazes de abordarem situações dramáticas hilárias ou emotivas, que servissem de exercícios para um novo ator ou para um ator ou atriz que quisessem demonstrar suas aptidões. Portanto, originalmente, Não se mata pintassilgo seria (apenas) uma antologia de textos a serem trabalhados individual e fragmentariamente por atores/atrizes ou em sala de aula, afim de propiciar situações dramáticas para exercícios.
Num segundo momento, Patsy Cecato resolveu não só editar o volume com estes textos, o que está absolutamente correto porque, de fato, nosso teatro carece deste tipo de dramaturgia, quanto ela é uma excelente dramaturga, capaz de surpreender situações que parecem cotidianas, mas que, quando paramos para observá-las com maior atenção, se revelam surpreendentes. Por consequência, o volume, que está sendo publicado pela Editora da Pucrs que, assim, dá continuidade a seu programa de divulgar a dramaturgia brasileira e especialmente a sul-rio-grandense, em edições eletrônicas que podem, no entanto, ser impressas, se assim houver interesse, acabou gerando uma possibilidade de selecionar alguns daqueles textos, transformando-os em um espetáculo que, aliás, estreou em dezembro último e ao qual não tive possibilidade de assistir, indo conhecê-lo agora, durante o Porto Verão Alegre.
Aqui entra o segundo objetivo de Patsy Cecato: a Cia. Cômica, por ela mantida, desenvolve cursos de formação de ator e, por consequência, eles precisam de textos para realizarem seus espetáculos de aprendizado. É aí que o casamento se deu: para um grupo de atores-aprendizes muito heterogêneo, nada melhor do que textos fragmentários, com personagens bem diversos: sempre haverá "aquele" personagem capaz de ser interpretado por um dos aprendizes.
E eis Não se mata pintassilgo. Não sei o critério utilizado pela autora para selecionar os textos. Deve ser um pouco para atender à diversidade do grupo (que é numeroso, 17 intérpretes, segundo o programa!), um pouco para constituir uma amostra variada dos textos criados, quer no formato, quer nos temas, quer nos gêneros. Como se pode observar, critérios não faltaram, certamente a dificuldade foi combiná-los.
O resultado é um espetáculo criativo, variado, às vezes surpreendente, às vezes um pouco dejà vu: a dramaturga Patsy Cecato, como disse, tem uma dialogação fluente e natural. Seus personagens falam como falamos no nosso dia a dia e isso, para um dramaturgo, é riqueza pura.
Por outro lado, a diretora soube selecionar os intérpretes de maneira a encontrar-lhes os melhores personagens e situações: alguns atuam em mais papéis, outros cingiram-se a uma única figura, por vezes até mesmo de passagem meteórica no espetáculo, mas todos se sentiram prestigiados e tiveram sua oportunidade. O resultado, claro, vale mais pelas intenções do que pelos resultados finais. Um elenco profissional garantiria maior ritmo e equilíbrio a toda a encenação. O grupo principiante por vezes perde este ritmo e o espetáculo decai, para logo depois reaparecer, lépido, prendendo nossa atenção graças ao tema, à maneira de seu desenvolvimento ou até mesmo a uma determinada interpretação. Tudo isso, contudo, acaba sendo contornado, porque cada ator ou atriz tem seu fã clube e a cada aparição provocam reações da plateia. A encenação vira uma festa, muito divertida, no mais das vezes; em outros momentos, séria, provocando reflexões necessárias e oportunas, a evidenciar a vocação dramatúrgica da autora.
O resultado final é um bom passatempo, de cerca de uma hora de duração, que, acredito, ainda voltará para cumprir temporada normal a partir de março, o que propiciará maior amadurecimento para todo o grupo. Vale, sobretudo, por mostrar que temos, sim, boas autoras entre nós, excelentes diretoras e novas gerações de intérpretes, entre homens e mulheres, entre jovens e pessoal mais velho que, no entanto, quer ter esta sempre emocionante experiência de pisar num palco.
 
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