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Porto Alegre, segunda-feira, 29 de outubro de 2018.
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Edgar Lisboa

Repórter Brasília

Edição impressa de 29/10/2018. Alterada em 29/10 às 01h00min

Bolsonaro no Palácio do Planalto

Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro


TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL/JC
São vãs as incertezas sobre desvios do governo eleito por causa da presença de militares em cargos relevantes. Passada a tempestade eleitoral, é razoável dar uma olhada na História para avaliar o comportamento de presidentes oriundos das Forças Armadas. O retrospecto é tranquilizador. Vitorioso nas urnas neste domingo, o capitão Jair Bolsonaro (PSL) é o segundo militar profissional a chegar à presidência da República dentre os quatro candidatos fardados depois da redemocratização de 1945. Além dele, Eurico Gaspar Dutra, em 1946, foi eleito e governou, enquanto Juarez Távora, em 1955, e Henrique Teixeira Lott, em 1959, foram derrotados. Ambos reconheceram as derrotas e os eleitos assumiram. Placar: dois a dois.
Mais advogados que militares
Entre todos, somente os advogados ganham dos militares, de 1945 para cá: foram três bacharéis (Getúlio Vargas, Jânio Quadros e José Sarney), um médico (Juscelino Kubitschek), um administrador de empresas (Fernando Collor de Mello), um sociólogo (Fernando Henrique Cardoso), um torneiro mecânico (Luiz Inácio Lula da Silva) e uma economista (Dilma Rousseff). Embora tenha sido eleito pelo Colégio Eleitoral, Sarney figura entre os democraticamente legítimos. Entre os vice-presidente que governaram, Café Filho, João Goulart e Michel Temer eram advogados, e Itamar Franco, engenheiro. É bem variada a formação acadêmica dos mandatários brasileiros.
Tudo no 'livrinho' 
O retrospecto dos presidentes militares não autoriza o temor do autogolpe, tão difundido na propaganda eleitoral. Pelo contrário: sempre que estimulado por seus assessores e seguidores a dar um golpe de estado para impedir a volta de Getúlio Vargas ao poder, o presidente Dutra perguntava: "está no livrinho?" O tal livrinho era a Constituição. Este é o exemplo relevante. Também o Marechal de Ferro, Floriano Peixoto, se manteve nos limites da Constituição ao se recusar a assinar como presidente da República. Sempre se apresentou como vice-presidente no exercício da presidência, pois pela Lei Magna deveria convocar eleições.
Estado de Sítio
Entretanto, justificando-se com ameaças reais de duas revoltas armadas de grandes proporções, a Revolução de 93, dos Maragatos, no Rio Grande do Sul, e a Revolta da Armada, na Baia da Guanabara, manteve-se no poder sob Estado de Sítio. Terminado seu tempo, fechou as gavetas, saiu do Palácio do Itamaraty e tomou um bonde para a casa de sua irmã, no bairro da Tijuca. Seu sucessor, civil, Prudente de Morais, encontrou a sede do Executivo vazia. Pegou a caneta e começou a governar. Floriano não deu autogolpe.
Acesso aos novos poderosos 
Nestes próximos dias, o mundo econômico vai tomar pé e se situar diante do novo governo. A campanha eleitoral obnubilou os projetos do novo governante, submetido a um corredor polonês de seus adversários. Passada a tempestade, o horizonte vai se esclarecer. Para os gaúchos, há a perspectiva de bom acesso aos novos poderosos, diante da participação no núcleo central do novo governo de dois gaúchos comprometidos com o Estado, o deputado federal gaúcho Onyx Lorenzoni (DEM) e do general Hamilton Mourão (PRTB). As cartas estão abertas na mesa.
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