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Porto Alegre, quarta-feira, 06 de outubro de 2021.
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Notícia da edição impressa de 06/10/2021.
Alterada em 06/10 às 03h00min

Todas as mulheres solteiras

Michael França Economista, Doutor em Teoria Econômica pela Universidade de São Paulo; foi pesquisador visitante na Universidade Columbia e é pesquisador do Insper
Economista, Doutor em Teoria Econômica pela Universidade de São Paulo; foi pesquisador visitante na Universidade Columbia e é pesquisador do Insper
Economista, Doutor em Teoria Econômica pela Universidade de São Paulo; foi pesquisador visitante na Universidade Columbia e é pesquisador do Insper
Alguns estudos sugerem que o casamento aumenta a felicidade humana. Além disso, compartilhar a vida com outra pessoa pode ser visto como um dos possíveis suportes para enfrentar as dificuldades trazidas pelo envelhecimento.
Porém, para parte da população, parece não haver mais muito entusiasmo com essa instituição social. Existe um desejo latente de explorar as experiências da solteirice e, concomitantemente, aprimorar as habilidades no trabalho e até mesmo no quarto.
No passado recente, o matrimônio era quase como um destino, algumas vezes trágico, para as mulheres. Hoje, representa uma escolha. Existem melhores oportunidades para avançar na carreira e, ao mesmo tempo, ter uma vida sexual ativa e diversa sem o risco de engravidar. Enquanto algumas estão adiando a união conjugal, outras têm dúvidas se gostariam de se aventurar por esse caminho.
As escolhas relacionadas a casamento, filhos e com quem relacionar-se podem ser vistas como uma das decisões econômicas mais importantes da vida de uma pessoa. Em um cenário em que a progressão na carreira faz com que o tempo se torne um ativo cada vez mais precioso e caro, o custo de permanecer com um cônjuge não colaborativo aumenta.
A prosperidade econômica traz inúmeras consequências no processo de escolha das mulheres. As mais escolarizadas têm mais chances de viver sozinhas. Em áreas urbanas e densamente povoadas, o mercado de trabalho é relativamente mais dinâmico e, assim, a proporção de solteiras tende a ser maior.
Além disso, existe uma profunda transformação social em movimento. Atualmente, com a ajuda do Instagram e aplicativos de relacionamentos, a troca de parceiros pode ter ficado mais fácil do que escolher o próximo filme no Netflix.
As normas sociais ainda podem impor um custo desproporcional para as mulheres se casarem e terem filhos. Em contratos monogâmicos, fidelidade acaba não sendo um hábito cultivado por vários homens.
No que se refere à maternidade, existe uma clara dificuldade em conciliá-la com a carreira. Na ausência de uma melhor divisão de tarefas dentro do casamento, as funções assumidas pelas mulheres aumentam. Sabe-se que muitos homens gostam do prazer de gerar os filhos, mas correm da responsabilidade de ajudar a criá-los.
Nesse contexto, alguns conservadores ficam preocupados com o aumento de divórcios e com o progressivo esfarelamento do tradicional modelo familiar patriarcal. Contudo, não há muito o que eles podem fazer além de tentar diminuir o ritmo das mudanças. Em diversas culturas ao redor do mundo, as forças econômicas e sociais têm causado expressiva transformação nas relações humanas nas últimas décadas.
Todavia, o cenário não é tão trágico quanto pode parecer para aquelas que desejam mergulhar na busca por um companheiro. A maior emancipação feminina está forçando os homens a se reinventarem e causando rupturas em antigos padrões ultrapassados. Atualmente, é mais fácil encontrar parceiros cooperativos do que algumas gerações atrás.
Além disso, em países ricos, no grupo formado pelas mulheres altamente escolarizadas, as separações são cada vez mais raras. A alta taxa de divórcio e infelicidade nas uniões conjugais ensinou muitas mulheres a serem mais seletivas e independentes. Elas podem passar mais tempo escolhendo e, caso resolvam partilhar a vida com um companheiro, as chances de desfrutarem de relacionamentos felizes são maiores do que nos tempos de suas mães.
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O título é uma homenagem à música Single Ladies (Put a ring on it), de Beyoncé, Christopher, Terius e Thaddis, interpretada pela Beyoncé.
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Opinião Econômica
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Abre espaço para a opinião qualificada sobre temas da área econômica e política, como juros, inflação, finanças pessoais, mercado de capitais e gestão, entre outros. Entre os articulistas, estão Nizan Guanaes, Samuel Pessoa, Márcia Dessem, Solange Srour e Nelson Barbosa.