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Porto Alegre, terça-feira, 27 de abril de 2021.
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Notícia da edição impressa de 27/04/2021.
Alterada em 26/04 às 21h26min

Calcule quanto você paga para investir

Marcia Dessen
Planejadora financeira CFP ("Certified Financial Planner")
Planejadora financeira CFP ("Certified Financial Planner")
Receio que muita gente não saiba, em termos absolutos, quanto paga para investir.
Quando o custo é um preço fixo, expresso em reais, como a tarifa para manter uma conta-corrente, o consumidor sabe exatamente quanto paga pelo serviço. Mas, quando o custo não é uma tarifa, mas uma taxa, não basta conhecer a alíquota; a base de cálculo sobre a qual será aplicado o percentual importa tanto ou mais do que a alíquota em si.
Além disso, é importante saber a frequência da cobrança: trata-se de pagamento único ou a despesa é permanente, enquanto durar a prestação de serviço?
Antonio decidiu calcular quanto paga para investir nos fundos e planos de previdência que fazem parte da sua carteira de investimentos. Lendo atentamente os documentos dos produtos, identificou que o fundo de investimento no qual investe cobra 2% ao ano pela administração mais 20% de taxa de performance.
A taxa de administração remunera a prestação de serviço do administrador, gestor e outros fornecedores. A base de cálculo é o capital corrigido, não depende do desempenho do fundo, é cobrada mesmo quando a rentabilidade é negativa.
Antonio fez os cálculos de forma simplificada para apurar quanto paga de taxa de administração sobre o capital investido de R$ 100 mil: R$ 2.000 por ano (2% sobre R$ 100 mil). Esse dinheiro não sai da sua conta-corrente, é descontado diariamente do valor da cota usada para corrigir o patrimônio do fundo que inclui os R$ 100 mil de Antonio.
A taxa de performance de 20% incide sobre o desempenho excedente a 100% do CDI, índice de referência do fundo. É cobrada semestralmente desde que o gestor tenha obtido sucesso e oferecido ao cotista rentabilidade superior ao parâmetro definido.
O fundo valorizou 3,5% no semestre, e o CDI, 1,20% no mesmo período. A rentabilidade do fundo foi 2,3 pontos percentuais superior; 20% desse sucesso ficará com o gestor, e os 80% restantes, com o investidor.
O cálculo simplificado: o fundo proporcionou rendimento de R$ 3.500, R$ 2.300 acima do CDI. Assim, Antonio pagará R$ 460 (20% de R$ 2.300) a título de taxa de performance.
Curioso que é, questiona como foi tratado o desempenho negativo do semestre anterior, afinal, parte do ganho que obteve agora foi mera recuperação de perdas anteriores. Apurou que existe um sistema de compensação, denominado linha-d'água, que determina que a taxa de performance somente será aplicada após a restituição da diferença proveniente de rentabilidade inferior ao índice de referência em semestres anteriores.
A cobrança é feita da mesma forma que a taxa de administração, descontada do valor da cota do fundo.
No plano de previdência, Antonio investe outros R$ 100 mil e paga taxa de administração de 1,5% ao ano, ou seja, R$ 1.500 por ano.
Resta apurar mais um custo, proveniente da taxa de carregamento do plano de previdência. Essa taxa nem sempre se aplica, como no caso do plano de Antonio. Quando aplicada, incide uma única vez sobre o valor de cada aplicação, podendo ser cobrada na entrada ou na saída dos recursos.
Suponha um depósito de R$ 100 mil em plano com taxa de carregamento de 3%. A seguradora, administradora do plano, desconta R$ 3.000 a título de gestão do plano; o valor de R$ 97 mil é destinado à conversão em cotas do fundo escolhido.
Calcule e avalie a relação custo-benefício dos seus investimentos e pesquise oportunidades para reduzir o custo, aumentado sua rentabilidade sem correr mais risco.
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Opinião Econômica
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