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Porto Alegre, sexta-feira, 26 de junho de 2020.
Dia Internacional de Combate às Drogas.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 26 de junho de 2020.
Notícia da edição impressa de 26/06/2020.
Alterada em 26/06 às 01h22min
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38ºC no verão ártico!

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Professor da FGV e da UnB, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento (2015-2016). É doutor em economia pela New School for Social Research
Estamos tão imersos nas agruras da pandemia e nas novidades da família Bolsonaro que algumas coisas importantes tendem a passar despercebidas. Falo da notícia de que a Sibéria registrou temperatura de 38ºC, um recorde para o verão de lá desde o início dos registros, há 130 anos.
O aquecimento global (não chame de mudança climática) é uma realidade e requer ações urgentes. Isso já era verdade antes da Covid-19 e continuará verdade após a pandemia.
Sei que nosso debate de política econômica está concentrado na prorrogação das medidas emergenciais de combate à recessão, mas é importante pensar questões estruturais como desenvolvimento sustentável.
Do ponto de vista ambiental, é inviável o mundo continuar crescendo com base no padrão de desenvolvimento do século 20. A natureza não aguenta e já vem dando vários alertas.
Alguns analistas respondem ao desafio ambiental com estratégias de "decrescimento" ("degrowth" em inglês), mas isso só faz sentido para países ricos, que já desfrutam de elevado padrão de vida e população relativamente estável.
No restante do planeta, a renda per capita ainda é muito baixa, logo não é razoável congelar a desigualdade mundial nos níveis atuais.
A saída possível é o "crescimento sustentável", o que, basicamente, significa mudar radicalmente o padrão de consumo mundial ao mesmo tempo que se eleva o consumo per capita da população mais pobre.
Repare que falei de consumo, pois, diferentemente do que se ensina na maioria dos departamentos de economia, a oferta se ajusta à demanda em uma economia de mercado (leia Keynes ou, se preferir, Kornai).
No caso do Brasil, uma das tarefas mais urgentes é preservar e recuperar florestas, sobretudo diante da destruição promovida ou permitida pelo atual governo. A tarefa não é simples, pois, como dizem quase todos os economistas, os agentes respondem a incentivos.
Traduzindo do economês, a principal razão do desmatamento é a renda esperada do desmatamento. Para reduzir o desmatamento e promover o reflorestamento, é necessário, portanto, aumentar a renda decorrente da preservação ambiental.
Ética e boas intenções são necessárias e bem-vindas, mas também é preciso que a preservação ambiental gere renda para a população. Dado que as florestas brasileiras são um ativo mundial, nada mais natural que o resto do mundo pague ao Brasil uma renda pela preservação e pela recuperação de nossas florestas.
O mesmo princípio deve valer para todos os ativos ambientais de outros países, ou seja, devemos colocar um preço mundial na emissão de carbono e adotar medidas para que esse preço seja pago.
Só assim o padrão de consumo começará a mudar na direção correta, estimulando inovações e investimentos, com geração de emprego e renda, em bases sustentáveis, ao longo do caminho.
O Brasil poderia liderar esse tipo de iniciativa, dado que, diferentemente de vários países ricos, ainda temos grande ativo ambiental a preservar. O problema é que, para isso, precisaríamos de política ambiental e externa séria, não a combinação de terraplanismo e vira-latismo que temos hoje em Brasília.
Enquanto as eleições de 2022 não chegam, o jeito é continuar a pressionar o governo a mudar de postura ambiental, via Congresso e Judiciário, bem como construir propostas de desenvolvimento sustentável que incluam geração de renda e emprego para a maioria da população.
Nesse processo, cuidado com os defensores do "mundo sem ninguém", pois desenvolvimento verde para poucos é tão socialmente injusto quanto destruição ambiental para todos.
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