Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, segunda-feira, 05 de agosto de 2019.
Dia Nacional da Saúde/ Farmácia .

Jornal do Comércio

Colunas

COMENTAR | CORRIGIR
Opinião Econômica: Marcia Dessen
Marcia Dessen

Opinião Econômica

Edição impressa de 05/08/2019. Alterada em 04/08 às 20h01min

Renda fixa supera ganho da bolsa

Há alguns meses, quando comprou uma NTN-B com remuneração de IPCA juros de 6% ao ano, José estava satisfeito e disposto a levar o título até o vencimento, 2035.
Foi surpreendido pela valorização inesperada e está em busca de respostas para algumas perguntas.
A Nota do Tesouro Nacional Série B Principal (ou Tesouro IPCA ) com vencimento em 2035 acumulava, em 30 de julho, rentabilidade bruta de 28,77% no ano e de 48,15% em 12 meses. A NTN-B mais longa, 2045, acumula incríveis 46,23% e 79,75%, respectivamente, no mesmo período.
Quem ganha essa rentabilidade generosa, capaz de causar inveja aos que investem em ações? Ganha quem vender agora, antes do vencimento, os títulos comprados meses atrás.
Por que o valor dos títulos subiu tanto? Essa valorização espetacular é fruto da queda na taxa de juros de longo prazo. A taxa Selic, que ficou estável por 18 meses em 6,50% ao ano, não tem nada a ver com isso. Ela remunera o título Tesouro Selic, que proporcionou rentabilidade de 3,62% e 6,36%, respectivamente, nos mesmos períodos citados anteriormente.
A taxa que caiu foi a de longo prazo, atribuída às operações de empréstimos ao Tesouro Nacional de prazos bem mais longos, como as NTN séries B e F.
O valor dos títulos de taxa prefixada, como as NTN-F, ou com um componente de taxa prefixada, como a NTN-B, flutua em razão da oscilação na taxa de juros de longo prazo. A relação entre a taxa de juros de mercado para determinado vencimento e o preço do título é inversamente proporcional. Quando a taxa de juros cai, o valor do título sobe.
Se a taxa de juros cai, como aconteceu nesse período, o título se valoriza. No caso da venda antecipada, o título será descontado por uma taxa de juros inferior à de compra, proporcionando um ganho potencial ao investidor. Digo potencial porque o ganho só será realizado se o investidor vender o título agora.
Vou continuar ganhando, pergunta José? Pouco provável, não no ritmo desse passado recente. A taxa já caiu cerca de três pontos percentuais nesse período e se encontra, agora, no patamar de 3,5% ao ano acima do IPCA. Pode cair um pouco mais, mas não há espaço para repetir o desempenho espetacular.
É para comprar agora? Quem chegou tarde a essa festa vai ter que correr um pouco mais de risco para tentar abocanhar um bom ganho. Os que acreditam que os juros de longo prazo podem cair um pouco mais podem comprar os títulos mais longos, vencimento 2045 ou 2050. Como o prazo potencializa a variação dos juros, mesmo uma queda pequena, de 0,5 ponto percentual, por exemplo, será capaz de gerar bom resultado.
Posso perder? Sim! Estamos aqui celebrando os ganhos porque os juros caíram. Se tivessem subido, estaríamos lamentando a desvalorização dos títulos, e os investidores estariam quebrando a cabeça para entender por que perderam dinheiro em renda fixa. Falta muito tempo até o vencimento, e muita coisa pode acontecer. E a oscilação dos preços, positiva e negativa, será um reflexo direto da alterações no cenário macroeconômico.
E os fundos do tipo IMA-B? José investe em um fundo que, segundo ele, está rendendo 20% ao ano e pergunta se vai continuar rendendo. Importante dizer que o fundo não está rendendo; o fundo rendeu 20% no ano, verbo no tempo passado. Para ganhar essa rentabilidade, José precisa resgatar as cotas do fundo, mesmo raciocínio da venda antecipada das NTN-B.
E aí a pergunta que fica é: vender e fazer o que com o dinheiro? Essa conversa fica para a próxima semana.
Planejadora financeira CFP (Certified Financial Planner), autora de "FInaçcas Pessoais: o que fazer com o meu dinheiro"
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia