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Porto Alegre, segunda-feira, 17 de junho de 2019.

Jornal do Comércio

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Opinião Econômica: Marcia Dessen
Marcia Dessen

Opinião Econômica

Edição impressa de 17/06/2019. Alterada em 16/06 às 21h47min

Quando empréstimo vale a pena

Seja pela falta de planejamento, seja pelo exagero na hora de comprar, vira e mexe falta dinheiro e recorremos a empréstimos para tentar equilibrar as finanças. No Brasil, ainda é muito caro usar crédito, principalmente para financiar consumo.
Exatamente porque é caro deve ser usado com parcimônia, em situações cujo benefício é relevante e justifica o pagamento de juros.
Crédito rotativo, como cheque especial e cartão de crédito, é o crédito mais caro e deve ser evitado. Se for inevitável, busque outras formas de financiamento. No caso do cheque especial, por exemplo, alguns bancos oferecem 10 dias sem juros. Use, mas não abuse.
Aprenda a viver dentro dos seus limites; se avançar o sinal sempre, vai se habituar a gastar mais do que sua renda permite e, em pouco tempo, será difícil se livrar desse hábito ruim.
Além de prudência, para não desenvolver dependência desse recurso, fique alerta. Se o período de utilização exceder aos 10 dias, suponha 12 dias, você pagará juros sobre o período total, e não somente sobre os dois dias adicionais.
O custo do crédito consignado, um empréstimo que desconta em folha de pagamento o valor da mensalidade, é relativamente baixo quando comparado com outras formas de crédito.
Pode ser usado em situação de emergência ou quando sua reserva financeira não for suficiente para enfrentar despesas inesperadas.
Mas pense muito bem antes de assinar o contrato. Se você assumir um empréstimo consignado para pagar em 12 parcelas de R$ 600,00, por exemplo, significa que você aceitou reduzir o seu salário em R$ 600,00 pelos próximos 12 meses.
Se a conta não fecha, é porque seu salário atual não é suficiente para bancar as despesas mensais. Como pretende viver com R$ 600,00 a menos por um ano inteiro? Que despesas irá reduzir para não aumentar o buraco?
A sonhada casa própria, o sonho de parar de pagar aluguel e ter uma casa para chamar de sua, deve estar na cabeça de nove entre 10 brasileiros. Como se trata de um investimento de valor elevado, é muito difícil poupar dinheiro suficiente para comprar à vista.
Sendo assim, assumir um financiamento de longo prazo, da modalidade crédito imobiliário, pode fazer sentido, principalmente quando a prestação substitui o pagamento do aluguel. Usar crédito para construir patrimônio é saudável, se bem planejado e observada sua capacidade de pagamento.
Evite comprar um carro financiado. Além dos juros do financiamento, você terá de arcar com os custos relativos ao uso e à manutenção do carro, uma verdadeira fortuna, que pode chegar a 40%, 50% do salário. Nos tempos de economia compartilhada, Uber, táxi e bikes espalhadas pela cidade, faz muito mais sentido pagar pelo uso do que pela posse do carro.
Se a compra do veículo for relacionada ao seu negócio, como entrega de mercadorias, transporte escolar, atendimento em domicílio do serviço que sua empresa presta, pode fazer sentido a aquisição do veículo mediante financiamento. A renda do serviço prestado deve ser suficiente para pagar a prestação do financiamento e gerar excedente de caixa para outras despesas operacionais.
Parcelar a fatura do cartão e crediário em lojas de varejo, risque do mapa. Adquira o hábito de poupar e comprar à vista. Faça o seu dinheiro valer mais, ajuste a expectativa de tempo.
Aliás, enquanto você acumula o dinheiro de que precisa para comprar à vista, aproveite para pensar se você realmente quer o que pretende adquirir ou se precisa do produto. Muitas vezes, a vontade passa ou é substituída por outra. O benefício será o tempo para a reflexão.
Planejadora financeira CFP (Certified Financial Planner), autora de "Finanças Pessoais: o que fazer com o meu dinheiro"
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