Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, segunda-feira, 20 de maio de 2019.

Jornal do Comércio

Colunas

COMENTAR | CORRIGIR
Pedro Luiz Passos

Opinião Econômica

Edição impressa de 20/05/2019. Alterada em 19/05 às 21h50min

Sem margem para errar

Depois de dois anos em queda livre e um biênio estagnada, a economia se aproxima perigosamente da fronteira de uma nova recessão, como sinalizam as estimativas cadentes para o desempenho do PIB de 2019 e o indicador do Banco Central divulgado dias atrás, que apontou um recuo de 0,68% no primeiro trimestre do ano em relação aos três meses anteriores.
Quanto mais tempo ficarmos nesse limbo, maiores serão os danos econômico e social e mais custoso será o caminho de volta. Como um carro parado há muito tempo, a bateria descarrega, os pneus esvaziam, e colocá-lo em movimento exige um trabalhão.
É esse o risco que corremos. A economia se arrasta e, depois de quase cinco meses do governo Bolsonaro, poucas medidas efetivas foram tomadas para reverter o quadro de atividade desfibrada, aprofundando o ambiente de paralisia que se instalou em 2014 e perdura até hoje.
Os instrumentos convencionais para dar algum tipo de alento à atividade econômica se esgotaram rapidamente, reduzindo o leque de alternativas para induzir um novo ciclo de prosperidade. O desemprego é a sequela do desalento.
Não há como esperar por ações diretas do setor público para reanimar a economia, a exemplo do que ocorreu em passado recente, com resultados desastrosos. Com as próprias projeções oficiais indicando déficit primário (que não inclui juros) por dez anos seguidos até 2023, não se pode alimentar a perspectiva de estímulos ou receitas extras vindas de nenhuma das instâncias administrativas do país.
A reforma da Previdência, cuja urgência avança numa razão inversa à lentidão com que tramita no Congresso, não vai gerar recursos no curto prazo -a economia prevista de até R$ 1,2 trilhão em uma década, como quer o governo, crescerá cumulativamente a partir de 2021. Da mesma forma, as concessões de infraestrutura anunciadas recentemente só começarão a abastecer o caixa público no ano que vem, se tudo correr mais ou menos até lá.
Resta contar com a restauração do ímpeto empreendedor da iniciativa privada. Mas, em razão do longo inverno da economia, ela talvez não garanta, por si só, o impulso necessário aos investimentos. Mesmo assim, e falo como empresário, não se deve esmorecer.
A melhoria nas expectativas depende de muito mais. O conjunto de medidas que compõem a agenda do governo deve vir a público de forma a entusiasmar a sociedade com o objetivo de construirmos um país que atenda aos anseios da população e se mostre promissor aos investimentos privados.
A coesão em torno da esperança de dias melhores não será construída com caneladas e restrições nem com cortes lineares na educação, desprezo pelo ambiente e interdição do debate ao que é fundamental para nossos filhos e netos.
Tudo considerado, o veredito é claro: não podemos mais errar. É necessário parar com o vaivém de anúncios e desmentidos que marcam os pronunciamentos do presidente, sobretudo em assuntos econômicos, campo no qual parece não comungar com a visão que norteia a equipe do ministro Paulo Guedes. Incomoda também o cacoete do Executivo de querer governar de costas para os outros Poderes.
Esse estilo fere pelo menos três dos principais pilares sobre os quais se apoiam a estabilidade da economia e o seu desenvolvimento: segurança jurídica, previsibilidade e determinação. A construção desse cenário positivo requer lideranças engajadas e com capacidade de mobilização em torno de um projeto factível de prosperidade para o país. Pode parecer óbvio, mas a verdade é que a instabilidade dos últimos meses tem sinalizado justamente o contrário.
Empresário, conselheiro da Natura
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia